Pelos poderes de Greyskull

[Luciana von Borries, do Blog Arquivo XX]

É incrível como essa maldita exigência de ser perfeita em tudo deixou a mulher de hoje tão sobrecarregada de funções e papéis. Isso me faz ver qualquer uma que seja bem sucedida profissionalmente, esteja casada, com tudo em cima e ainda tenha filhos, como se fosse uma heroína com super poderes. E todas elas são mesmo. Fico pensado como conseguem ser tantas ao mesmo tempo? Juro que admiro. Primeiro, por dominarem como ninguém as habilidades de serem mães presentes, educadoras e psicólogas de plantão. Terem visões de raio laser pra descobrir que o mais novo está com febre por que a amidalite voltou e o mais velho matou aula de novo. Depois, por trabalharem o dia todo fora e se dedicarem as suas carreiras. Muitas vezes, até estudando pra conquistar mais diplomas, na ânsia de serem finalmente reconhecidas e ganhar um bocadinho mais.

E a determinação supersônica, então? Aquela pra manter o corpo em dia – e o desejo do marido também – fazendo ginástica, lipo, dieta, drenagem linfática, massagem redutora de celulite, depilação, unha e escova toda santa semana. Isso tudo, é claro, administrando a casa pra que não falte nada, tudo esteja limpo e arrumado, funcionando como um relógio suíço. Afinal de contas, criança exige horário, comida saudável e uma disciplina quase militar. Sem falar na vida social do casal. Claro! De que adianta estar com a casa perfeita, toda linda e maravilhosa se não é pra mostrar pros amigos, oferecer churrascos e jantares aos colegas da empresa do maridão, não é mesmo? Com mil rolos de macarrão, Batman! Duvido que a She-ha iria dar conta de uma maratona dessas.

É por isso que quando vejo uma mulher assim, fico só admirando, contemplando, tentando ver se descubro seu segredo. Onde será que guarda sua capa e espada mágicas? O pior é que elas estão por toda parte. E se tornaram um padrão de perfeição feminino mais perseguido que o Santo Graal. Caso contrário, não estariam nas capas das revistas e nos comerciais de TV vendendo maquiagem, margarina e terreno em condomínio fechado. É ou não é? Só tenho uma dúvida nisso tudo: este protótipo não seria um modelito um tanto pesado demais pra qualquer ser humano carregar? Pensando bem, acho que prefiro enfrentar o Coringa, o Pingüim, o Duende Verde e o Esqueleto de uma só vez.

O problema é que agora não dá mais pra colocar a culpa na repressão masculina, como fizeram as feministas da década de sessenta. Não foram eles quem inventaram estas regras. Fomos nós.

Luciana von Borries tem 36 anos e é redatora publicitária. Vive em Florianópolis desde 1995, onde atua como freelancer e edita um blog sobre comportamento feminino, oarquivoxx.blogspot.com. Não teve filhos, sempre trabalhou demais e se acha uma péssima equilibrista.

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