Visões para o futuro

[Ana Dini]

Deus criou os sonhos para indicar o caminho aos homens, quando esses não podem ver o futuro.

Assim diz um livro de sabedoria do Egito antigo. Em sua história, o sonho tem caráter premonitório. E esse aspecto interessa às mães de modo particular. Por sermos mulheres e termos, de modo geral, a ansiedade como guia de nossas ações, projetamos com facilidade incrível tudo que ainda esta por vir.

É claro que a maternidade traz consigo uma mudança de condição, mas que em nada afeta a nossa essência ansiosa. Se antes sonhávamos em ser mães e o como seria a nossa vida a partir disso… com o nascimento da criança  passamos a sonhar e aspirar por ela. Talvez seja por isso que passamos a trabalhar carregando tanta culpa e sentimento de incerteza: nunca sabemos se estamos fazendo a coisa certa.

Eu, assim como a maioria, logo que me soube grávida, pensei em ter tempo para o meu filho. Queria vê-lo crescer e nem em pesadelo poderia pensar em trabalhar o dia todo. Como ficaria com ele? Mas, mais tempo, muitas vezes significa menos recursos financeiros e era o meu caso. Como promover, com tranqüilidade, tudo que garantisse o seu bom futuro?

A escola que possibilita a melhor formação não é qualquer uma, tem também os cursos: esportes, línguas, música… e as viagens? Ele precisará conhecer o mundo para se destacar e ter a possibilidade de disputar no mercado de trabalho a profissão que desejar e que lhe renda benefícios financeiros.

Logo percebi que era melhor trabalhar e muito. Então, ele foi crescendo e começou a se interessar pelos amigos. Queria trazê-los para brincar em casa. E aí? Nossa, eu não vou estar em casa para recebê-los? Como conhecerei os amigos de meu filho para avaliar se eles são bons o suficiente para ele? Sem dúvida é melhor ficar em casa.

Só assim poderei acompanhar as suas lições, ir buscá-lo e levá-lo à escola, às festas, à casa de amigos. Ter um olhar atento e cuidadoso acompanhando todos os seus passos. Dependendo do ponto de vista, isso pode ser um sonho ou um pesadelo!

Ver meu filho crescer e eu sempre por perto. Mas, até quando? Ai, de repente me deu um medo! Ele vai crescer, vai se transformar em um homem alto, não muito magro, mas também não muito gordo, querido, honesto, justo, responsável, otimista, verdadeiro, corajoso, forte, determinado, que tenha uma vida saudável e que seja seguro. Eu terei sido a responsável por esse homem.

E depois ele se casará… já sonho com a vida familiar que ele virá a ter. Penso nele com filhos vindo me visitar, tendo uma vida independente e feliz. Com quem ele se casará? Certamente com uma mulher bonita, vaidosa, dedicada à vida, bem sucedida, que saiba o que quer, que seja sua companheira, uma mulher e… espera aí. Tem um ponto importante e que não pode ser negligenciado: os homens procuram mulheres parecidas com suas mães. Já ouviu falar sobre isso?

Não quero que ele se case com alguém que queira ou precise tomar conta dele ou que o sufoque por não ter vida própria, quero que ele se case com uma mulher de verdade e essa mulher trabalha, é segura, faz mil coisas ao mesmo tempo e ainda é capaz de fazer o filho feliz porque está feliz consigo mesma ou ao menos busca ser feliz.

Procurar o meio termo é a melhor solução, trabalhar meio período é o meu sonho. Nesse caminho do equilíbrio, realizo meus sonhos e dou espaço para que o João, meu filho, um dia realize os seus.

Ana Dini é educadora, formada pela USP-SP, especialista em Educação Infantil. Há 18 anos atende crianças e pais em escolas de grande porte. Ministra o workshop “Como falar para o seu filho ouvir”. Contato: anapdini@hotmail.com

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