Qual o sonho da mãe equilibrista?

[Maria Irene Maluf]

Conselheira vitalícia da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Maria Irene Maluf é pedagoga e especialista em psicopedagogia. Vê passar por seu consultório muitas mães equilibristas e já passou por essa vivência. Atualmente suas filhas têm 30 e 29 anos.

Qual sua opinião sobre a mulher que trabalha, dá conta de casa, filhos, relacionamento?

Acho que os esquemas que as mulheres montaram fazem parte da estrutura de vida atual. A realidade nos empurrou para o mercado de trabalho e não havia suporte para isso. Assumimos os lugares de direito por sermos capazes e por tornar isso possível. As dificuldades foram sentidas na prática. A mulher saiu correndo em busca de uma rede de apoios e surgiram alternativas mais profissionais, como os berçários em período integral. Hoje percebo que muitas famílias estão optando por deixar as crianças com uma empregada de confiança em vez de contratar uma babá desconhecida. Outra escolha viável é a escola de período integral, que já existe faz tempo na Europa. As escolas hoje dão um suporte amplo, que inclui formação e informação, ensinam a criança a organizar seus estudos, a ter autonomia. Muitos têm dúvida quanto à escola de período integral, mas, além de ser um local socialmente destinado para a criança, é a garantia de profissionais de excelente formação e boa índole.

Com o que se preocupam as mães equilibristas?

Creio que uma das grandes ansiedades das mães é com a segurança dos filhos, tanto a física, o que inclui o medo de seqüestro, como a emocional. Elas querem sossego, mas ele dificilmente é alcançado. Ela ficará menos aflita se tiver um porto seguro para deixar o filho (escola, avó, pessoa de confiança). Por conta das novas famílias, com a enorme quantidade de pais separados, as crianças se tornam muito vulneráveis. Os filhos passam os finais de semana com outros casais e meio-irmãos e acontece todo o tipo de incidente, como um paciente meu que caiu de um brinquedo e quebrou as costelas em uma festa infantil. Ele estava acompanhado apenas de um meio-irmão. As famílias se ampliaram de tal maneira que é mais difícil controlar quais as influências que as crianças sofrem.

Essa nova realidade atrapalha?

A reestruturação dessa nova família é muito recente. Ainda não estamos dando conta disso. A mãe, com certeza, fica insegura da posição dos filhos nestas famílias. Teme perder as rédeas e também teme pelo desenvolvimento emocional e afetivo das crianças.

Mas você vê a mãe muito culpada?

Acho que passamos dessa fase, já mudou um pouco. A mulher sabe que não deve passar muito tempo com a criança e sim umbom tempo, um tempo exclusivo e dedicado. Ela não abre mão da carreira e conta com a ajuda da creche e da escola, do transporte escolar, das empregadas, de seus apoios, enfim. Diz “vou dar um jeito” e segue em frente. Se precisar, muda seus planos de trabalho, se adapta, mas segue em frente.

Maria Irene Maluf é pedagoga, especialista em psicopedagogia e conselheira vitalícia da Associação Brasileira de Psicopedagogia e dá palestras nas áreas de pedagogia e educação. Contato:irenemaluf@uol.com.br, tel. (11) 3258-5715.

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