Uma questão de escolha

[Ana Dini]

Avós, pais, empregadas, babás, escolas: esses apoios, que podem entrar em cena sozinhos ou combinados, fazem a diferença na vida de muitas mães equilibristas.

Logo depois da licença-maternidade (ou ainda durante a gravidez e a licença), nos deparamos com a escolha que teremos de fazer: onde e com quem deixar o nosso querido e amado bebê. O fato de ser um bebê complica e amplia tudo. Ele é tão pequeno, tão dependente, como ter certeza de que se está fazendo o melhor? Muitas mães não percebem que essas aflições vão durar a vida toda… de qualquer forma, tudo começa aqui.

A escolha é individual, mas ajuda se forem privilegiados alguns aspectos: pensar sobre com qual desses apoios eu me sinto mais segura como mãe e, caso não seja possível contar com apenas um, quais podem se articular sem afetar muito a rotina que eu planejo para minha casa. Pensar sobre o que seria mais importante para a criança naquele momento também ajuda, por exemplo, “gostaria que meu filho não saísse de casa” ou “gostaria que ele estivesse em um espaço com mais possibilidades de interação”.

Ajuda também pensar que nada precisa ser definitivo, a criança vai crescer e se desenvolver de um modo nem sempre previsível, então podemos ter outras idéias ao longo do caminho.       Lembro-me de que quando o meu filho nasceu, minha intenção era de deixá-lo em casa com uma empregada de confiança até os três anos. Como na época eu só trabalhava meio período, acreditei que conseguiria organizar as coisas assim. Antes de o João completar dois anos, a empregada de confiança engravidou e me deixou com uma substituta que deixava muito a desejar, mesmo sendo meio período. O João não falava quase nada e pedia diferentes possibilidades de interação então não tive dúvidas em buscar outro caminho: a escola.

De todos esses apoios, a escola parece ser a opção mais segura no que diz respeito ao compromisso estabelecido: ela não viaja a passeio, nem a trabalho, não falta, tem horário definido para chegar, ou melhor, para abrir e também para fechar. Aliás, esse pode ser um complicador ou um quesito para ajudar na escolha (algumas escolas têm flexibilidade de horário). Ao escolher a escola, assim como qualquer outro apoio, é importante ter sempre um plano B, pois a criança pode ficar doente e não poder ir à escola, ou a babá falta, enfim…

Não podemos perder de vista que a escolha, ainda que não seja para sempre, precisa ser a melhor naquele momento. Isso é importante para nos deixar seguras e felizes e nos permitir apenas continuar a equilibrar pratinhos, sem sentir culpa ou temor pela escolha que fizemos.

Ana Dini é educadora, formada pela USP-SP, especialista em Educação Infantil. Há 18 anos atende crianças e pais em escolas de grande porte. Ministra o workshop “Como falar para o seu filho ouvir”. Contato: anapdini@hotmail.com

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