Um basta para a culpa

[Cecília Troiano]

De um jeito ou de outro, nós mulheres sempre nos sentimos culpadas. Temos culpa por trabalhar e deixar os filhos. Temos culpa se não trabalhamos porque nos sentimos inúteis e ainda deixamos o companheiro, quando o temos, como único provedor da casa. Temos culpa de voltar mais cedo para casa na véspera de uma apresentação importante na empresa. Temos culpa se damos aquela esticada para terminar um job importantíssimo e chegamos tarde em casa. Temos culpa se não fazemos ginástica e o nosso corpo fica devendo no teste da praia. Temos culpa se malhamos quando deveríamos estar usando essas horas para estar com o marido, curtindo a vida a dois.

É culpa demais!!! Precisamos dar um basta nessa culpa antes que ela nos engula. Será que conseguimos? Esse sentimento onipresente da culpa se espalha como água, é difícil de conter. Na pesquisa que fiz para ilustrar meu livro, “Vida de Equilibrista: dores e delícias da mãe que trabalha”, perguntei para as mães qual era a intensidade da culpa de cada uma das 850 brasileiras que entrevistei. Construí um “termômetro da culpa” usando uma escala de 0 a 10. E qual foi a média da culpa das mães que trabalham? Sete! Não chega a ser uma culpa insuportável, mas é bem marcante. E mais do que isso, incomoda demais a todas nós.

O problema da culpa é como se lida com ela. Querer compensar o tempo perdido, além de não ser possível, gera uma frustração generalizada, em nós e entre os que nos cercam.

Não sou muito boa para dar conselhos, mas para lidar com a culpa, especialmente das mães que trabalham, gosto de me lembrar da frase do pediatra dos meus filhos: “A falta de mãe é perigosa e o excesso intoxica”. Tão importante quanto estar com nossos filhos é também não estar com eles o tempo todo. Tanto a valorização do tempo passado junto quanto o querer um ao outro se intensificam. Você sente o desejo de estar com o filho – porque não está naquele momento – e ele vai continuar querendo que você volte! Essa constatação, aparentemente simples, já pode ser suficiente para deixar muitas mães aliviadas.

E para terminar por cima, tenho uma boa notícia. Se no termômetro da culpa o nível atingiu a casa dos 7, construí também um “termômetro da felicidade”. Queria saber como as equilibristas enxergavam suas vidas e quão satisfeitas estavam com elas. Acreditem, a nota da felicidade é 9. A felicidade das mães que trabalham fora é maior do que a culpa! Exatamente por isso, creio eu, as mães conseguem achar energia e determinação para seguir adiante. Se a culpa fosse superior à felicidade, dificilmente as mães conseguiriam levar em frente seus projetos profissionais. Ufa, ainda bem!

Um basta para a culpa e vamos em frente! Boa sorte!

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