Medindo a culpa

[Cecília Troiano]

Qual é a intensidade da culpa de cada mãe?

Na pesquisa quantitativa realizada para o livro “Vida de Equilibrista, dores e delícias da mãe que trabalha” apresentamos às mulheres um “termômetro da culpa”. Ele mostrava uma escala de 1 a 10 pontos, sendo 10 o grau máximo (mostre o seu grau de culpa FÓRUM dessa semana!!).

A média alcançada foi de 7 pontos! Se dividirmos 10 em quartis, essa média estaria no terceiro quartil – não chega a ser uma culpa insuportável, mas é bem significativa.

E surgiu um dado interessante: não há diferença na intensidade desse sentimento entre mães de um e mães de dois filhos ou mais.

Como era de se esperar, a culpa é ligeiramente maior nas mães que têm filhos de até 6 anos e menor nas com crianças mais velhas do que 7 anos. Ou seja, ela não se sente tão mal por estar ausente quando tem filhos maiores: ficava mais arrasada quando eles eram pequenos!

A culpa das autônomas é maior

Parece um contrasenso, mas não é. A culpa das mães que fazem seu próprio horário, a exemplo das empresárias ou profissionais liberais, tende a ser maior do que a culpa das mães que trabalham em empresas, como assalariadas. Mães que têm maior autonomia sobre seu horário são responsáveis pelas escolhas que fazem. Decidem quanto tempo trabalham, de que forma, quando param, se emendam ou não um feriado.

Mães autônomas ou profissionais liberais optam por estar ou não estar com os filhos. Essa autonomia da decisão cobra um preço, o preço de uma culpa mais elevada. À medida que essas mães têm nas mãos a decisão e o controle, a cobrança sobre si é muito maior.

Por outro lado, no caso das assalariadas, na maioria das vezes, elas são reféns dos horários estipulados pela empresa ou pelo chefe. O limite e o controle são determinados por outros. Cabe a elas apenas respeitar mais ou menos, dentro das regras de cada empresa. Mas a definição já foi feita e tomada pelo “outro”. Ela não é ativa na decisão, ao contrário, é passiva. A culpa fica mais controlada exatamente por essa razão: sua menor presença junto aos filhos foi determinada pela empresa, não foi uma escolha dela.

(baseado em trechos do livro Vida de Equilibrista, dores e delícias da mãe que trabalha, de Cecília Russo Troiano)

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