Que dilema!

[Fernanda C. Massarotto]

Quando tinha por obrigação passar horas na redação ou escritório, pensava como seria fantástico usar as horas ociosas para resolver os problemas domésticos. Mas aí é que mora o problema!

Depois de me mudar para Milão, pensei: “Agora sim, vou trabalhar em casa”. Montei meu mini-escritório na sala do apartamento: telefone, computador e impressora. Fiz os primeiros contatos com os jornais e revistas no Brasil e aí vamos nós nessa nova fase profissional.

No começo achei que tivesse descoberto a América. Na parte da manhã, graças ao fuso horário, ia às compras, ajeitava a casa, lia os jornais e preparava o almoço. A rotina não me cansava. O problema é que depois de algum tempo fui ficando entediada. Se não tinha trabalho, lá ia eu limpar a geladeira, arrumar as gavetas da cozinha. Sem falar que me sentia sozinha. Minha companhia era a televisão. Sabia de cor e salteado o nome dos programas de cozinha e fofocas da tevê italiana (que são muito piores que os brasileiros). E quando a carga de trabalho aumentava, aí surgiam os mais bizarros acontecimentos do dia: ligações da sogra, da operadora de celular, a vizinha que vinha reclamar do barulho da reforma do andar acima – isso tudo porque resolvi acumular a função de dona de casa, jornalista e conselheira do condomínio.

Foi aí que resolvi separar casa e trabalho. “Grande idéia”, disse. Apesar de arcar com os custos de uma escrivaninha em uma associação para correspondentes estrangeiros, decidi que era hora de voltar ao mundo “das 9h às 17h”. Minhas horas ociosas continuaram sendo ociosas – quando não pintavam frilas. Mas preferia curtir essas horas tomando um café com os colegas jornalistas a realizar pequenas tarefas domésticas. Coisa que continuei a fazer, só que nas horas em que estava em casa.

Quando meu filho nasceu, voltei a trabalhar em casa e aí percebi que naquele momento meu escritório-casa era essencial para que eu pudesse ser mãe e não deixar de lado minha profissão. Quando ele completou seis meses, arrumei uma babá em período integral (8 horas) e voltei ao meu escritório que fica a 10 minutos de casa. Admito que reduzi um pouco minha jornada de trabalho e é claro quando ele está doente ou a babá não vem, eu continuo trabalhando da sala de jantar de casa. O importante é não deixar que as duas coisas virem uma só. Casa é casa! Trabalho é trabalho! Embora algumas vezes elas possam coexistir em harmonia, basta se organizar e não deixar que um se sobreponha ao outro.

Fernanda C. Massarotto mora em Milão, é jornalista e mãe de Rodrigo (1 ano).

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