Quarto de atividades

[Vanessa Giacometti Guerreiro]

Antes de meu primeiro filho nascer, trabalhei por quase cinco anos como designer gráfica na farmacêutica Merck Sharp & Dohme. Quinze dias depois que voltei da licença-maternidade, ainda me sentindo culpada e péssima, a empresa promoveu um grande corte e eu estava na lista.

Sempre fiz cartões especiais paralelamente ao meu emprego oficial e uma amiga me incentivou a fazer uma aula de scrapbooking (montagem de álbuns personalizados utilizando várias técnicas), dizendo que eu tinha jeito para a coisa. O Carlo tinha 6 meses quando eu fiz a primeira aula, depois montei os álbuns dele, comecei a presentear meu trabalho e dali para receber encomendas e ganhar dinheiro com isso foi um pulo.

Participei de um workshop de scrapbooking avançado em Utah, nos EUA, há alguns anos e hoje dou aulas em casa e a domicílio, já tenho clientes fixas e desenvolvo artigos de papelaria, além de montar álbuns sob encomenda.

Meu marido me apoiou desde o início, principalmente por causa do horário flexível. Ele viu que eu poderia estar presente na educação das crianças sem deixar de trazer dinheiro pra casa. No começo foi difícil, pois desenvolvia o trabalho na mesa de jantar, então a casa nunca ficava arrumada e isso incomodava a todos. Mas agora estamos em um novo apartamento e lá montei um quarto só para isso, que chamo de quarto de atividades. Ali tenho todo o material de trabalho à mão com estante própria para guardar os apetrechos e o computador, além de uma grande mesa, perfeita para as aulas.

Quando elas acontecem ali, não posso ser interrompida por 4 horas inteiras. Por isso o Carlo vai para a escola e fica até as 15h30 e o Enrico fica a cargo da empregada ou da babá. Mas quando estou trabalhando sozinha, o pequeno pode ficar brincando ali em volta sem problemas. Como as clientes sabem que trabalho em casa, entendem quando eu atendo o telefone e tem um berrando e outro chorando atrás… é rotina em casa com criança.

É claro que como fazer scrapbooking, tratar fotos ou desenvolver layouts de papelaria exigem concentração, meu melhor horário para isso é das 23h às 2h ou 3h. Gosto de trabalhar à noite, é quando eu rendo mais.

Estou feliz por ter o reconhecimento das clientes e de revistas especializadas, mas principalmente porque estou junto das crianças e acompanho seu crescimento de perto. A maior desvantagem é que trazer as clientes para casa tira a privacidade e o meu lado profissional se mistura muito ao pessoal. Com bebê pequeno, luto para me manter atualizada e não perder mercado. Gostaria de viajar mais, fazer outro curso, mas ainda não é possível.

Me sinto realizada pessoalmente e profissionalmente, mas sempre estou correndo atrás de novidades, de algo mais, seja no trabalho ou na vida das crianças. Levo ao médico, pesquiso escolas, levo na natação. Quando preciso, minha mãe ou minha sogra dão uma ajuda extra nos cuidados ou no leva e traz. Lógico que quando eles ficam doentes eu me dedico mais aos meninos, eles são a prioridade e o trabalho sai prejudicado naquele momento, mas depois eu compenso de outra forma.

Para quem está começando, só tenho incentivos. Acho bom arriscar e trabalhar em casa, pois o malabarismo vale muito à pena. A gente rebola para encaixar tudo na agenda, mas poder dar comida, ver despontar o primeiro dente, presenciar os primeiros passos ou as primeiras palavras escritas, isso tudo não tem preço.

Vanessa Giacometti Guerreiro é designer gráfica e dá aulas de scrapbooking. É mãe de Carlo (5 anos) e Enrico (11 meses). Contato: cel. (11) 9636-1954; www.kards.com.br

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