Um brinde à parceria

[Maggi Krause e Mauricio Vilhena]

A tarefa era a seguinte: as equilibristas editoras deste site bolaram um questionário que deveria ser respondido em separado e em sigilo por cada um dos parceiros dessa jornada diária entre trabalho, filhos, casa e relacionamento. Cada um cumpriu sua missão e enviou ao outro as respostas por e-mail, para só depois discutir o assunto. Seria uma oportunidade para Maggi e Mauricio perceberem alguma divergência ou colocarem a limpo os pratinhos. Não precisou: as respostas falaram por si mesmas.

1 – Como é sua rotina (de trabalho, em relação à organização da casa, à agenda dos filhos, às atividades conjuntas de casal)?

Maggi: De manhã, nos dividimos para levar as crianças à escola, mas como o Mauricio está em Curitiba 3 vezes por semana, está sobrando mais pra mim.  A nova vida de home office permite me envolver mais quando eles chegam em casa, vão à natação ou, de vez em quando, recebem amigos na sexta-feira à tarde. Nossas atividades conjuntas acontecem principalmente nos finais de semana, e as do casal sozinho dependem de deixarmos os meninos com os avós, o que é bem tranqüilo. Acho que a rotina está bem balanceada e um ajuda o outro no que pode.

Mauricio: Quando estou em São Paulo levo os meninos para a escola, ajudo com banho e comida… Nos finais de semana sou eu quem levanto cedo para ajudar-los com comida e diversão, faço as compras de supermercado e padaria uma vez que acho isto mais interessante do que ela (para mim é trabalho mas diversão ao mesmo tempo, desde que seja agendado… tipo tem que fazer até o final da semana, odeio quando ligam pedindo para fazer naquele momento…). O peso ainda é maior para a minha mulher, considero que ajudo em 45% com os filhos e uns 35% na casa…

2 – Como é feita a divisão de tarefas? Levou tempo para chegar a esse arranjo ou acordo? Entre os dois, a combinação foi fácil, difícil, discutida, planejada?

Maggi: A divisão agora mudou um pouco em função do trabalho dele em Curitiba, mas acontece quase naturalmente. Quando preciso fazer uma entrevista no final da tarde, ele busca as crianças, dá banho, jantar, enfim, resolve tudo. Nos dias em que não está em Curitiba consegue ajudar mais por não ter horário fechado e também trabalhar em casa.  Em contrapartida, estou mais disponível para as crianças e com salário menor que o anterior, o que acaba sobrecarregando o Mauricio nesta parte financeira do casal… 

Mauricio: Em consenso… acho que foi rápido e natural. Sempre que achamos que a divisão está ruim para alguma das partes, renegociamos, reclamamos e nos entendemos.

3 – Quem é o mais equilibrista? Se você também perguntasse isso a seus filhos, quem acha que eles apontariam?

Maggi: Acho que eles ficariam perdidos com a pergunta, até por serem muito pequenos. Ambos passamos a imagem de que os dois se ajudam e podem fazer todas as tarefas, o Mauricio sempre se envolveu em todas as rotinas (fralda, comida, banho, brincadeira, bronca…)

Mauricio: Acho que os dois, mas com certeza ela é mais e eles deveriam apontá-la.

4 – Quais as vantagens e desvantagens de um casal equilibrista? Vale a pena a divisa de tarefas e a cooperação? Por quê?

Maggi: Acho que vale muito a pena principalmente pela imagem de pais que queremos passar para os nossos filhos. Eles são meninos e acho que o desafio é criar a nova geração para aceitar como natural esse balanceamento das funções. Quero que eles cresçam já com o objetivo de oferecer ajuda e dividindo igualmente e não que esperem alguém pedir. A palavra ajuda, no meu ver, deve ser substituída por “divisão igualitária de responsabilidades e de tarefas”.

Mauricio: A vantagem é a cumplicidade com a mulher e com a família. Isso  aproxima, gera mais alegrias e também momentos de estresse. Mas não imagino fazer de outra maneira. Sou de uma família de 4 filhos homens onde à noite, quando não tínhamos empregada, o meu pai lavava a louça… Fomos criados para meter a mão na massa em tudo. Não gosto que façam o meu prato de comida e muito menos que arrumem meu armário ou minha mala de viagem.

5 – Dê sua dica para outros casais equilibristas.

Maggi: Sinto que fica menos pesado se cada um se dedica ao que mais gosta… Se ele curte fazer compras, deixe fazer. Percebo em muitos casais que a mulher não quer perder a posição de poder na casa, ela é centralizadora e gosta de cuidar de tudo. Não ter talento para dona-de-casa (como no meu caso) às vezes ajuda, faz com que o marido assuma responsabilidades de que elas não costumam abrir mão. É preciso mais flexibilidade e menos perfeccionismo – mas acho que isso vale para tudo na vida, né?

Mauricio: Conversar e setar as expectativas é fundamental. Mulheres e homens não reagem da mesma maneira em praticamente tudo! Se você não deixar claro qual a expectativa, ambos vão se frustar. As mulheres devem deixar mais claro o querem. E os homens devem prestar mais atenção nos sinais indiretos que elas dão quando não estão satisfeitas… 

Maggi Krause é jornalista free-lancer e Mauricio de Vilhena, gerente de marketing. Ambos se alternam nos cuidados com Tiago (6 anos) e André (3 anos).

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