Não é impressão: tudo mudou!

[Ana Dini]

Para a mulher de hoje, o trabalho é mais natural do que a maternidade. A grávida tem a auto-estima abalada e duvida da capacidade de ser mãe. Mas, junto com o novo bebê, nasce uma nova mulher: a chave é descobrir quem ela é!

As transformações ocorridas no “ser social mulher” não aconteceram do dia para noite. Ao longo dos tempos, o olhar sobre nós vem se modificando. Se antes era esperado que a menina crescesse e se tornasse mãe, como maior e mais sublime missão, hoje em dia a esperança está em quão boa profissional se tornará. Essa expectativa torna tudo diferente: com o foco na profissão, adiamos o momento de nos tornarmos mães e, mesmo para aquelas que não adiam, estar envolvida com o comprometimento social de ser bem sucedida no trabalho faz com que a maternidade pareça um pouco desajustada.

É com o sentimento de dúvida e de incerteza que damos o passo em direção à primeira gravidez. Mesmo querendo muito, nos perguntamos: será que essa é a melhor hora, mesmo? Antigamente esse conflito era zero. Nenhuma mulher se fazia essa pergunta, a gravidez simplesmente vinha porque era conseqüência de ser mulher. Agora podemos escolher quando é o melhor momento e até escolher por não querer, embora essa posição gere uma certa indisposição para algumas mulheres. A sociedade ainda não aceita com total naturalidade o fato de uma mulher não querer ser mãe.

Certo é que o comprometimento social com o trabalho gera também a necessidade emocional de trabalhar. Ainda no começo da gravidez, quando parece que tudo dentro de nós está parado, lento, e o cérebro parece não responder às nossas atividades diárias, vem aquele aperto e a dúvida: o que será de mim? Após esse primeiro período voltamos a ter o nosso próprio ritmo, mas a barriga começa a crescer e as roupas precisam ser trocadas, até que essa é uma parte boa – comprar uma roupinha nova ainda que seja para se adaptar a nova realidade.

Com a proximidade do nascimento, vamos nos dando conta de que a nossa cabeça está cada dia mais distante do trabalho e nos perguntamos: será que não serei mais a mesma, quando tudo isso acabar? Não mesmo!! Nunca mais. Depois que nos tornamos mães mudamos de condição, já disse isso.A nossa auto-estima, que antes da gravidez era boa e positiva, fica abalada. Não temos a menor experiência em gestar e muito menos em ser mães, teremos que começar do zero ou então recorrermos às nossas queridas mães, sogras ou amigas que já passaram por isso. E ainda assim, para cada uma, a história é única.

Decidir como fazer com a criança, dar conta de continuar a trabalhar, as dúvidas sobre ser uma boa mãe tanto quanto sou boa profissional, não há como lidar com todas essas questões sem se preocupar. Teremos de agora em diante um novo querer, precisaremos investir em nos conhecer um pouco mais para descobrir quem é essa nova mulher que até então esteve adormecida. Essa investigação e o empenho em resolver o enigma “quem sou eu agora?” é essencial para obtermos sucesso nessa nova vida.

Ana Dini é educadora, formada pela USP-SP, especialista em Educação Infantil. Há 18 anos atende crianças e pais em escolas de grande porte. Ministra o workshop “Como falar para o seu filho ouvir”. Contato: anapdini@hotmail.com

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