Da ausência à dedicação

[Renata Costa]

Sempre contei com o suporte de minha mãe e minha sogra, que buscavam meus filhos na escola, davam almoço e levavam para a atividade da tarde. Depois do nascimento do nosso terceiro filho, o esquema começou a ficar pesado para elas. A babá ficava com o bebê e sobrava tudo dos mais velhos. Teria que contratar mais uma babá e um motorista para tirar esse compromisso delas. Além disso, as duas estavam tendo que educar, chamar a atenção, falar grosso, enfim, estavam fazendo o papel dos pais.
Vó precisa curtir, mimar, deixar que as crianças pulem na cama delas… Ambas precisavam voltar a ser só avós e meus filhos estavam mesmo sentindo falta da mãe. No início, achavam que eu não iria conseguir ficar direto com eles, pois sou meio brava, não tenho muita paciência, já saio gritando. Mas estou vivenciando um novo aprendizado, à noite sempre repasso o dia e avalio tudo o que fiz.

Trabalhei em agência de publicidade e depois, durante 10 anos, na área de marketing publicitário do grupo Meio & Mensagem. Nunca fui de ligar para casa 3 vezes por dia para saber como estavam as coisas, confiava totalmente nas avós, que levavam até no pediatra e no hospital, se fosse preciso. Eu não estava presente na rotina deles, chegava e estavam de banho tomado, jantados, só para colocar na cama. A mudança do trabalho para casa foi radical. Eu vim do mercado, não sabia nem brincar no chão. Fui me soltando aos poucos, até para desarrumar a casa eu tinha preconceito.

Mas optei por isso na hora certa. A Maria Eduarda, com a chegada do Leonardo, ficou mais carente. Além disso, vai entrar logo no 1º ano e acho bom estar por perto, pois ela precisa de incentivo e de reconhecimento para tudo o que faz. O Rafael, o mais velho, é bom aluno, nunca me deu trabalho com lição, mas em compensação é introspectivo, só com tempo e conversa para saber algo dele. Percebi que ele tinha uma sensação de que não podia contar comigo para nada, não ia à casa de amigos, pois eu não podia buscar, não dava para fazer lições em conjunto (a escola às vezes pede).

Agora me aproximei muito deles, busco todos os dias na escola, almoçamos juntos, levo nas atividades da tarde, brinco, cuido. Tenho uma empregada que cuida da casa e uma babá que dorme para me ajudar. Sinto alívio por poder acompanhar a evolução educacional deles. Mas achei que bastava eu voltar para casa e estaria tudo solucionado. Nada disso, os problemas continuam acontecendo, mesmo você estando perto. Só assim para perceber algumas coisas, como o fato da Duda ser o sanduíche (filha do meio) e achar que deveria conseguir fazer o mesmo que o mais velho faz e, além disso, ouvir de todos que o mais novo é uma gracinha. É um desafio, cada filho é diferente e tem outras necessidades.

Meu marido diz que se a gente pudesse, teria feito isso antes. Ele é muito paizão e achava que faltava mesmo esse cuidado de mãe. Tive o apoio dele em todos os sentidos. Estranho é que depois de ter parado de trabalhar, comecei a questionar minha própria carreira. Não consigo definir do que eu gostava realmente naquela rotina. Vou continuar de olho no mercado, mas acho que na minha área acontecem tantas inovações que quando você dá um tempo, está fora. Vou pesquisar áreas que não exigem tanta atualização. Mas, por enquanto, vou ficar alguns anos acompanhando os três e curtir essa experiência.

Renata Costa é publicitária, mãe de Rafael (8), Maria Eduarda (5) e Leonardo (2).

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