Viver é urgente!

[Maggi Krause]

Estou há dias matutando acerca desse texto sobre o tempo. O assunto me encanta tanto que acaba até atrapalhando minhas idéias. Meu trabalho de conclusão de faculdade teve este tema e – filosofias à parte como tempo cíclico, finitude e outros conceitos profundos – a parte prática consistia em andar de metrô e observar os ritmos da metrópole.

Concluí que a percepção do tempo era diferente dependendo do bairro,  da rotina e das demandas pessoais e profissionais de cada um. Parte importante: na apresentação final, deixei claro que uma música agradável aos ouvidos parece mais rápida do que outra monótona, chata mesmo, sendo que as duas tinham a mesma duração objetiva (em minutos).

Naquela época eu era solteira, trabalhava de dia, estudava à noite e namorava no final de semana. Bons tempos aqueles! (me perdoem o trocadilho). E olha que já era uma correria danada. Data de fechamento, prazo de entrega, entrevista marcada e agenda apertada já faziam parte do meu vocabulário de recém-jornalista. E isso tudo permeado de deslocamentos e trânsito e minutos escorrendo feito água de chuva na calçada. Nada que outras equilibristas não tenham experimentado.

Se antes o tempo já parecia escasso, quem dirá depois da maternidade, quando as demandas dos filhos invadem aquelas 24 horas já espremidas de tantos compromissos.

Quem não se lembra de 20 minutos em cada peito, intervalo entre as mamadas, hora do suco, da papinha, do soninho. Hoje já estou em outra fase: hora de levantar e vestir roupa, minutos para escovar os dentes, tomar o leite, ir para a escola… ufa, e tudo isso sem perder a esportiva para que eles já não cresçam estressados!

De volta ao trabalho e ao computador, a lista no caderno parece enorme, impraticável mesmo. Tudo que é mais urgente vai sendo realizado primeiro…  mas, reparem, não é o  que dá mais prazer. Adoro roubar duas horas do dia para almoçar com uma amiga, não existe tempo mais bem empregado! Me concedo uma pausa no trabalho para acompanhar a lição de casa do Tiago ou tomar um picolé com ele na varanda. 

Incrível como os momentos de prazer (lembra daquela história da música que citei antes?) parecem passar muito rápido! E olhando para meu calendário de mesa aqui quase todo preenchido com compromissos: do dentista à entrevista, da reunião ao almoço, tento fazer um exercício a cada final de dia ou de semana: penso em todas as amigas que encontrei, nos e-mails significativos enviados (pessoais, claro), na caminhada com os meninos à padaria, na saída estratégica com o marido para o cinema ou para um lanche apenas. Momentos preciosos que tecem com carinho a teia da minha modesta existência.

E chego à conclusão de sempre: o tempo foge mesmo, já desisti de ter controle sobre ele. A única estratégia que resta é viver o tempo presente com o máximo de intensidade e de presença, ou seja, apegada ao momento, sem ficar remoendo o passado ou sonhando demais com o futuro. Se abrirmos alguns minutinhos diários para incluir aquilo que realmente importa para nós, o tempo (dessa vida) não será em vão.

Pra terminar essa confusão de idéias (não digam que não avisei…) vai aí um trecho de uma de minhas músicas preferidas do Alan Parsons Project: “Time keeps flowing like a river to the sea… till it´s gone forever, gone forever…”

Maggi é uma das equilibristas que se dá ao luxo de doar um tempo para planejar e montar este site!

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