Mulheres se perdem nas urgências!

[Christian Barbosa]

Ele é jovem, tem apenas 28 anos, mas abriu sua primeira empresa aos 14, na área de tecnologia! Formado em ciência da computação com ênfase em matemática, mudou sua vida por conta de um problema de saúde. Aos 19 anos, trabalhando de segunda a sexta-feira, caiu gravemente doente e foi aconselhado pelo médico a fazer yoga ou um curso de gestão do tempo. Foi matriculado pela secretária, assistiu ao primeiro curso de um consultor americano e se apaixonou pelo assunto. Estudou em profundidade, se tornou um especialista em gestão do tempo e produtividade pessoal e empresarial e de uma extensa pesquisa lançou o livro A Tríade do Tempo (já vendeu mais de 1 milhão de exemplares!). Ano passado, mais de 5000 mulheres no Brasil todo responderam à pesquisa Mulheres, Problemas e Necessidades de Gestão de Tempo, que dá base ao livro Você, Dona de Seu Tempo (veja em dicas). No final de outubro, Christian falou com o site Vida de Equilibrista (importante: ele também leu o livro da Cecília!!). 

Christian Barbosa: O problema da falta de tempo no universo feminino é realmente assustador, eu nunca tive a intenção de fazer um livro específico para mulheres, mas três editoras fizeram uma pesquisa de mercado e sentiram que era um tema de interesse. Acabamos comprovando na pesquisa com mais de 15 mil pessoas a diferença no uso do tempo entre homens e mulheres. E o livro realmente mudou minha vida e minha percepção sobre o tema.

Vida de Equilibrista: Entre homens e mulheres, quais as diferenças mais salientes no uso do tempo?

CB: Em primeiro lugar, a mulher tem uso do tempo mais focado nas urgências do que os homens. A tríade do tempo é uma trindade de conceitos composta por Importante, ou seja, as coisas de que eu gosto, que tenho tempo para fazer e que sempre me trarão resultados, Urgente, coisas feitas com pressão, estresse, correria, mas que trazem resultado, e Circunstancial,  coisas que não agregam valor, que fazemos sem querer ou por excesso, ou melhor, tempo jogado no lixo. Na pesquisa, constatei que nas mulheres o uso do tempo acontece na seguinte proporção: 30% importante, 40% urgente e 24% circunstancial. Nos homens essa divisão é 27%, 36% e 35%. O ideal é que o importante ocupe mais de 60% da sua agenda e os outros, bem menos.

VDE: O que esta proporção indica, no lado feminino?

CB: Fica claro que a mulher não tem tempo para o circunstancial, mas sempre corre com as coisas urgentes. Isso é causado pelo volume de papéis que ela desempenha. A decorrência disso são problemas de saúde… já se comprovaram aumento do infarto, além de gastrites, úlceras e dores de cabeça. Na pesquisa fui também a salão de beleza, reunião de escola etc. e perguntei às mulheres se elas estavam estressadas. Todas responderam que sim. Além disso, na pesquisa em geral, 61% disse que não consegue equilibrar vida pessoal e profissional. 17% das mulheres gostariam de ter mais tempo para si mesmas e 66% das mulheres admitem a dificuldade de dizer não. Esta é outra característica marcante, para aumentar o tempo com os filhos, família ou trabalho, ela tira tempo de si (o salão, a academia, um curso). O homem não se anula, é mais egoísta no uso do tempo, mas é um egoísmo saudável… o futebol com os amigos é sagrado. Quanto mais tempo gasta consigo, mais energia ele recupera. 

VDE: A maneira como a mulher administra o tempo tem vantagens e desvantagens, você poderia falar sobre isso?

CB: Acho que a única vantagem é que ela é mais multitarefa. Consegue fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo. Homem é monotarefa, homem gripado não trabalha… faz uma coisa por vez. Como na urgência elas cumprem aquilo que está gritando mais, isso se reflete em menos tempo para os filhos e o marido. Elas não têm método para administrar o tempo.

VDE: Existem formas de administrar melhor o tempo específicas para as mulheres?

CB: Claro que existem dicas específicas. Se ela precisa ter mais tempo para os filhos e o marido, deve ter uma conversa em família para criar uma rotina, um planejamento. Também precisa entrar em acordo com seu biorritmo, que é mais flutuante. Tem momentos de extrema produtividade e na TPM, quando está menos produtiva, deve programar só 50% de suas atividades, assim consegue cumpri-las.

VDE: Você acredita que é possível a mulher moderna encontrar  o equilíbrio?

CB: A gestão de tempo é uma ciência, ela funciona. Se não funcionar, é porque ela está aplicando as técnicas de forma errada. O resultado é muito positivo, mas não é para todas. Existem 4 tipos de perfis na gestão de tempo entre mulheres: a Mulher maravilha,  que está sempre correndo para dar conta e gosta disso, a Supernanny, que delega tudo o que for possível para terceiros, a Perfeccionista, que se adequa melhor às técnicas de gestão de tempo e a Espontânea, que detesta regras e acaba sendo mal sucedida na administração do tempo. 

VDE: Na pesquisa realizada, qual a maior queixa das mulheres?

CB: Da falta de tempo para elas. “Não tenho tempo para fazer tudo o que quero, não tenho tempo pra mim.” Só 42% das mulheres acham que estão evoluindo, o restante está apenas agindo e isso é muito ruim. Dessa forma ela anula seus sonhos e objetivos, e ainda admite que se fosse reduzir algo, seria trabalho e carreira.

VDE: Você administra o tempo em família?

CB: Sou casado e tenho dois filhos, de 9 e 2 anos.  Consigo ter um bom equilíbrio familiar, pois aplico tudo o que eu estudei. Não acredito em atores, que falam e não fazem. Se eu não tiver tempo para mim, paro de dar consultoria na área. Minha mulher é psicóloga e às vezes me pede para ajudá-la a planejar a semana. Nós também fazemos planejamento junto com as crianças. Ano passado estabelecemos a meta de ir para a Disney em 2008, que foi cumprida este ano.

VDE: Tem alguma dica para aumentar o tempo de convívio com os filhos?

CB: Não acredito naquele mote de que qualidade é melhor do que quantidade, quando você se importa com alguém, sempre vai querer quantidade. Mas eu defendo a periodicidade. Isso significa constantemente reservar um tempo para momentos de qualidade, independentemente da quantidade. Por exemplo, estipule que todo dia, ao chegar do trabalho, após jantar tirará 20 minutos para ficar com seus filhos de verdade, isso significa desligar a TV, tirar as preocupações da cabeça e se focar em ouvir, brincar, ler, desenhar, ajudar na lição de casa. Descubra algo que você gosta de fazer em conjunto com eles, isso tornará esse tempo ainda mais agradável. Nos sábados e domingos, aumente a dedicação. Mas mantenha a constância, senão um dia vai perceber que se formou um buraco entre você e seus filhos! E isso vale para pai e mãe!

VDE: A tecnologia ajuda ou atrapalha na administração do tempo?

CB: Costumo dizer que ela veio para resolver problemas que você não tinha. Mas depende. Para a mulher tradicional, a tecnologia atrapalha. Para a mista (que lida com papel e tecnologia) vai ajudar e para a high tech… é a praia dela. Defendo no livro que o mais importante não é a ferramenta, e sim o método.

VDE: Como o conceito de Tríade do tempo pode ser útil para as mulheres?

CB: A melhor forma é descobrir sua tríade primeiro. Se você acessar o site   www.triadedotempo.com.br e responder algumas perguntas, vai descobrir qual a sua.

VDE: Fale sobre o personagem “o Equilibrista” que você cita no livro A Tríade do Tempo.

CB: São três composições diferentes nesse livro, o Equilibrista é aquele que se equilibra entre muitas coisas urgentes e circunstanciais, ou seja, é aquela pessoa se sente sugada no final do dia, pois investiu muito tempo em coisas erradas, que não dão resultado.

VDE: Qual sua mensagem para as “Equilibristas”, as mães que trabalham?

CB: Temos que viver nosso tempo com sabedoria, o equilíbrio na verdade está dentro da gente. Vale a pena descobrir o que é importante para você e tentar dedicar mais tempo para isso.

Se você quiser ler mais sobre as idéias de Christian Barbosa, acesse o site www.triadedotempo.com.br e o blog www.maistempo.com.br.

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