Sacrifícios pela carreira

Pesquisadores ouvem mais de 250 mulheres no topo da carreira e identificam os obstáculos às altas exigências da vida executiva. Insatisfação com o desequilíbrio entre trabalho e rotina pessoal é a maior queixa, embora a carreira seja um fator de realização. 

Sem culpa, os executivos homens, casados e com filhos, alguns com mulheres que também trabalhavam, soltavam pérolas que caíam como fósforos acesos em palha seca no lado feminino, do tipo: “quando estou estressado, corro na praia, jogo tênis durante umas duas horas depois do trabalho e quando chego em casa estou relaxado”, ao que as executivas respondiam: “ah, é?! E quando você chega em casa, sua mulher já pôs os filhos para dormir? Eu não posso fazer isso, quem cuidaria das minhas crianças?” As executivas entrevistadas disseram que seus maridos, muitos deles também executivos, raramente ajudam nas tarefas com os filhos do casal.

Parece incrível, mas o parágrafo acima figura no estudo A Super Executiva às voltas com Carreira, Relógio Biológico, Maternidade, Amores e Preconceitos, dos autores Betania Tanure, Antonio Carvalho Neto, Juliana Oliveira Andrade. Eles analisaram uma pesquisa quantitativa com 222 respondentes, mulheres executivas no topo da carreira em 344 das maiores empresas do país. Na fase qualitativa, ouviram 48 mulheres de 10 empresas de vários setores. Também ouviram 215 executivos homens.*

No resultado, identificaram os maiores obstáculos à carreira executiva das mulheres:

– preconceitos muito arraigados

– pressão do relógio biológico

– cuidados com os filhos recaindo sobre as mulheres versos uma jornada de trabalho muito extensa.

– dificuldades com o parceiro

Entre outras constatações, algumas são bem interessantes:

–  constituir família produz um impacto positivo na carreira do homem (foram ouvidos também 215 executivos homens na mesma pesquisa), já as mulheres com filhos pequenos investem mais na família e menos na carreira.

– devido à disponibilidade de mão-de-obra barata, as mulheres executivas contam com ajuda de empregadas domésticas, babás e outras profissionais, que assumem tarefas como o cuidado com o dia a dia dos filhos, alimentação e higiene destes, entre outros.

– Tarefas não “terceirizáveis”, como a orientação quanto a valores e definição de limites para as crianças, são uma carga adicional para a mulher executiva.

– Horas excessivas de trabalho geram ausência constante da mulher do lar. Quando estão presentes, podem sofrer de ausência psicológica e ainda estarem ligadas ao trabalho por celular, e-mail, blackberry… Todo o tipo de ausência gera na executiva um grande sentimento de culpa.

– Os primeiros anos de ascensão da carreira profissional (dos 27 a 34) se sobrepõem aos anos mais apropriados biologicamente para a maternidade.

* pesquisa publicada em 2006.

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