Sonho realizado

[Flávia Pinho]

Diz o ditado que família unida deve permanecer unida. Comer unida. Dormir unida. Viajar unida. Entrar de férias unida. E, cá entre nós, eu sempre pensei assim. Sou do tipo que gosta dos pintos sempre embaixo das asas. Pois imagine o susto de todo mundo quando anunciei que sairia de férias sem marido, levando apenas a filha mais velha.

Maria estava prestes a completar 5 anos, sonhava em visitar as princesas na Disney e eu achei que ela merecia ter um momento só seu.

Um sonho particular realizado, que não fosse dividido com a irmãzinha, como sempre acontece. Tomada a decisão, seguiram-se seis meses de dores e delícias dos preparativos para a viagem. Foi o roteiro mais fácil que já programei até hoje, pela simples razão de que ele nasceu exclusivamente em função da minha filha. Nos cerquei de todas as facilidades possíveis – hospedagem dentro do complexo Disney e transporte interno gratuito – para não ter surpresas. Compras? Nem pensar, criança não suporta. Provavelmente sou a única brasileira que foi a Orlando e não comprou um só par de meias.

Maria vibrava com cada etapa, do passaporte (que ela assinou de próprio punho) à arrumação das malas. Não, não foi nada fácil deixar Inês fora dessa. Explicar que, dessa vez, ela não iria com a mamãe e a irmã. Achei melhor ser sincera, alegar que não tinha idade suficiente (não tinha 3 anos completos), o que aparentemente colou. Mas não foi mole. Coração de mãe é um negócio esquisito, e só quem tem mais de um filho vai entender do que estou falando. Na hora do embarque, então… “Mamãe, posso ir só um pouquinho com você?”, ela perguntou, com aquela voz talhada especialmente para furar meu coração. “Não, filhinha, não dessa vez.” E lá fomos nós duas, felizes da vida, com uma semana de diversão à nossa frente.

Foram dias incríveis. Acordamos, comemos e dormimos juntas, convivemos 24 horas diárias, visitamos as princesas dezenas de vezes. Uma vez por dia ligava para Inês, e a partir do terceiro telefonema ela já alegava estar “ocupada demais” para falar comigo. Tirou de letra, segundo o pai, não sofreu como eu imaginava. Em compensação, os laços com Maria se estreitaram como nunca. Até hoje, alguns meses depois, gostamos de conversar sobre a viagem e brincar com as lembranças que são só nossas. Foi uma experiência e tanto. Eu recomendo.

A carioca Flávia Pinho é jornalista, editora de gastronomia da revista Época São Paulo, mãe de Maria e Inês.

 

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