Um viva ao nosso dia!

[Ana Dini]

Vemos nos dias de hoje mulheres nos hospitais, advogando, pesquisando, empreendendo, votando e sendo votadas, mas não foi sempre assim. Imaginem que não podíamos competir nas olimpíadas, jogar futebol? Hoje conquistamos até mesmo uma delegacia para nos atender.

Mais e mais mulheres assumem posições de comando em empresas e buscam dedicar-se ao mundo coorporativo. Pensar que não tínhamos nem o simples direito de estudar!

Acostumamo-nos com esse cenário e por não vivermos outro ou por não termos tempo, no ritmo de vida que levamos, para parar e pensar sobre a nossa história de conquistas, nos parece que tudo sempre foi assim: mulher trabalha fora, às vezes ganha mais que o marido, tem uma agenda interminável que concilia, muitas vezes, o comando de uma equipe de trabalho com reuniões na escola e idas ao pediatra. E, além de tudo isso, não abre mão da nossa feminilidade, portanto, precisa de tempo para o cabeleireiro e para programas a dois.

Conquistamos o direito à vida pública, que de algum modo se associa a nossa vida privada. Hoje saímos às ruas e somos parte integrante da sociedade, temos direitos e deveres como os homens. Além de conquistar, assumimos o que buscávamos e, diga-se de passagem, temos nos saído bem. Assumimos com tanta força e vontade que hoje quando qualquer uma de nós diz “vou parar de trabalhar e ficar em casa”, é vista como um E.T.

E nesse ponto, a meu ver, reside o que nos falta conquistar. As nossas escolhas são feitas a partir de um senso comum. Hoje o normal é trabalharmos de 12 a mais horas, sermos casadas ou não, termos filhos, cuidarmos da organização de nossas casas, colaborarmos em igualdade com as despesas e não deixarmos que o nosso sentimento de culpa por não estarmos dando conta, como gostaríamos, de  uma  ou outra coisa, influencie negativamente a harmonia de nossos lares. Equilibramos tudo! Quando alguma de nós diz “não quero esse modelo”, hoje não é vista com bons olhos. Ouço relatos de mães que me dizem ter ouvido de suas amigas, quando optaram em ficar em casa com seus filhos, que optaram pela vida boa.

Entre as nossas conquistas deveria estar o direito de fazer aquilo que se julga o melhor para o momento de cada uma. E mais do que isso: o dever de olhar para sua própria vida independentemente do senso comum e buscar nela a resposta para o seu crescimento pessoal. A meu ver, dessa forma teríamos uma atitude digna de ser imitada por nossos filhos e homens.

Ana Dini é educadora, formada pela USP-SP, especialista em Educação Infantil. Há 18 anos atende crianças e pais em escolas de grande porte. Ministra o workshop “Como falar para o seu filho ouvir”. Contato: anapdini@hotmail.com

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