Mãe duas vezes

[Rosemarie]

Ela se envolve na rotina e ajuda na criação das quatro crianças da filha Monica, gerente administrativo-financeira de uma indústria química. 

“Minha filha Monica se realiza no trabalho. Ela sempre foi dedicada, estudou e realmente gosta do que faz. Ela ficaria frustrada só em casa sendo mãe, seguindo rotinas de uma época em que as mulheres não trabalhavam. Mas quatro filhos não estavam no programa, a princípio, seriam só dois.

Engraçado é que eu sempre disse que não ajudaria se meus filhos tivessem crianças, mas já estou criando cinco. Minha primeira netinha, até completar 1 ano e meio, ficava comigo todos os dias, pois fiquei com pena porque minha nora ia colocá-la na creche. E, se fiz assim para um, faço para todos. Virei mãe duas vezes.

Quando a distância entre as nossas casas diminuiu, as coisas ficaram mais fáceis. Era mais complicado quando a Monica trabalhava em Diadema, nós morávamos em Interlagos e eles no Morumbi (três locais afastados na zona Sul da grande São Paulo). Muitas vezes, o Rafa dormiu lá em casa, pois não valia a pena ela levar o menino dormindo para casa para trazê-lo na manhã seguinte (a escolinha também ficava em no mesmo bairro em que eu morava).

Agora moramos no mesmo prédio, basta pegar o elevador. As crianças vão para a escola de manhã e à tarde tem bastante atividade aqui no clube do condomínio. Mas sempre estou por perto para dar uma olhada. Tomo parte grande na educação deles, acompanho a lição dos mais velhos todos os dias, e, às vezes, coloco na cama. Eu sempre levo ao médico, esse  trabalho é meu, pois ela não pode ir. Também faço as compras de frutas, verduras, leite e carne da semana, às quartas-feiras. Ela é quem faz as compras de mês no final de semana.

Claro que já passei alguns sufocos cuidando de netos: uma vez deixei uma netinha brincando com a chave do carro e ela a apertou e se trancou lá dentro. Eu, do lado de fora, acabei pegando um martelo e quebrando o vidro do motorista, com medo que ela sufocasse. Outra nos deixava apavorados, pois desmaiava ao ser contrariada! Agora ela faz greve de fome… pirraça de criança. Esses dias o transporte se desencontrou de uma das meninas na escola e veio sem ela para casa. Levamos 40 minutos procurando até achá-la por lá.

Durante a semana, às vezes me sinto cansada, pois um sozinho é um anjinho, mas quatro juntos… Mas se fico dois dias sem vê-los, sinto falta. A vida já está mais calma, o pequeno vai fazer 3 anos, não é mais bebê. Minha maior alegria como avó é ver as crianças crescendo com saúde a cada dia que passa. Vê-los felizes dá muita satisfação. E no domingo à noite reunimos a família aqui para comer pizza, juntam 13 pessoas, e todos se dão bem.

Admiro a Monica porque ela nunca faz corpo mole, chega em casa e fica por conta dos filhos. E não tem babá no final de semana, teima em ficar só com as crianças. Acho estressante. Mas ela está fazendo muito bem, tenho orgulho, porque realmente a minha filha faz as coisas direito dos dois lados (o profissional e o maternal). À noite eu tenho meu sossego, mas ela ainda não, pois não dá para ter folga com quatro filhos, sempre tem alguém que acorda… ”

Rosemarie, mãe de Monica (leia depoimento no pos anterior), é alemã radicada em São Paulo, tem três filhos e cinco netos.

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