Questão de imagem

[Maggi Krause]

Não sou muito de me arrumar, mas não deixo de estudar possibilidades diante do armário para ir àquela festa de aniversário – um encontro entre amigas – ou ao jantar com o casal de amigos do marido. Importa, claro, como irão me perceber, me captar, qual a imagem que terão de mim. E não é suficiente estar bonita pra si mesma…

Será possível que a gente não se enxerga direito se não for pelos olhos dos outros?

Achei curioso o fato de ler o mesmo título duas vezes este final de semana: Elas por eles. Estava tanto na capa da revista da Folha e como na do suplemento Feminino do Estadão. Na Folha, “diretores de teatro retratam suas atrizes preferidas nos palcos” (não tive oportunidade de ler a matéria ainda) e no Estado, “homens revelam suas impressões sobre essa espécie misteriosa chamada mulher”. Entre os homens famosos, Miguel Falabella, Raí, Nelson Motta, Manoel Carlos… Tudo isso, lógico, para dar um molho especial ao dia da mulher, que se comemora hoje.

Não deixa de ser um ponto de vista de extremo interesse – o dos homens –, a grande sacada nisso é a que opinião dos outros (seja a masculina, a das amigas, a dos filhos) parece ser a que mais nos importa… então, custa ler a matéria e espiar o que aqueles homens acham de nós, complicadas e fascinantes mulheres? Não é que vivemos para eles, mas sinto que cada vez mais vivemos da nossa imagem – daquilo de revelamos aos outros (seja por atitudes, discursos, roupas, maquiagem…). No mesmo suplemento Feminino, a historiadora Mary Del Priore fala do culto à magreza e analisa: a imagem é uma prisão para as ocidentais e, mais do que isso, é uma nova forma de submissão! Concordo muito com ela. Não estamos mais submissas a maridos, namorados, chefes, mas continuamos presas ao olhar deles (ou seria ao das outras mulheres? Ou aos ditames da moda e da mídia?).

O caso é que nesta era de redes sociais, de ter sua vida espalhada cada vez mais no Facebook, nos blogs e no twitter, as pessoas passaram a se importar mais e mais com a imagem que mostram ao mundo. É um caminho sem volta e vai ser natural para os nossos filhos, acredito. Para minha geração (anterior à Y), vejo isso ainda com esforço e até com olhos tortos. Confesso que é mais um pratinho para administrar. Passar mais tempo pensando em aparecer do que em ser? Ainda quero buscar a minha essência: sei que ela existe só para mim e se mostra por frestas para alguns poucos privilegiados. Quem sabe deixar de revelar e fazer mistério – o contrário de publicar a vida – ainda vai ser moda daqui a 10 anos!

 

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