Não basta ser mãe brasileira nos USA, tem que fazer feijoada!

Estou vivendo a vida de uma mãe equilibrista americana, mantendo o jeitinho de mãe brasileira, claro. Já há 8 meses vivendo em Atlanta, a cada dia sou surpreendida por mais um desafio dessa convivência latino+americana.  Meu último desafio foi preparar uma feijoada para o “International Lunch” da escola do meu filho. Fiquei sabendo há pouco mais de 3 dias que ele escolheu, voluntariamente, levar feijoada como o prato típico brasileiro, claro, já sabendo que quem ficaria com o “mico” seria a mãe. Na hora em que ele me comunicou perguntei: “mas por que você não escolheu brigadeiro? Beijinho?”. Tarde demais, a escolha já estava feita e marcada no cardápio do dia. Feijoada será então. Ainda bem que americano e ainda mais garotos de High School não tem muita noção do que é uma feijoada boa, aliás acho que nem sabem direito o que é. Sorte minha (e deles) porque sou uma brasileira que NUNCA fez feijoada na vida!!!

Mas, como não basta ser mãe nos USA, tem que fazer feijoada, vamos lá, mão à obra. 

Aproveitando-me do jeito prático de viver das donas de casa americanas, usei e abusei dos produtos pré-prontos. Afinal, o “American way of life” existe para ser usado, certo? Feijão preto em lata seria meu ponto de partida. E os pertences da feijoada? Onde iria achar carne seca, paio? A loja brasileira mais próxima fica distante da minha casa e nem teria tempo de ir até lá, com todas as outras demandas que tenho com mestrado e trabalho. O jeito criativo que encontrei foi de comprar linguiça (beef sausage) e smoked ham (tipo um tender). E o mais importante, comprar um belo caldeirão. Fora isso, o básico: cebola, alho e ervas. Por sorte, os supermercados daqui são super abastecidos e no Kroger (nosso Pão de Açúcar) encontrei tudo o que precisava. Ah, me esqueci de dizer, a feijoada seria uma “semi-feijoada” porque não estaria acompanhada de farofa nem de couve. O mais parecido que vi com couve por aqui se chama “kale” mas o sabor é bem diferente. Achei que tudo bem ser uma feijoada com arroz branco e laranja apenas. Para quem nunca tinha feito uma feijoada na vida, estaria de bom tamanho para o evento da escola. O arroz, claro, também optei por um que não me faria passar vergonha. Caso contrário, meu arroz seria o do tipo “unidos venceremos”. Mas o arroz que escolhi basta ferver a água já com os temperos e depois jogar sobre o arroz cru, tapar e esperar, fica pronto em 5 minutos. E pasmem, soltinho!!

Para incrementar o feijão, dei uma bela refogada na linguiça e no presunto, depois joguei o feijão com um pouco de caldo de carne (bem que procurei mas não achei aqui aquele caldo de feijão tipo Knorr que temos no Brasil). O apartamento já começou a cheirar com gostinho de Brasil (não são todos os gostos de Brasil que atualmente me apetecem mas nossa comida tem seus méritos!) e vejo meu filho salivando no sofá da sala. Ufa, passei no primeiro teste, pelo menos minha feijoada está cheirando à feijoada, já é algum sinal positivo.

Encurtando a história, a feijoada ficou pronta, o arroz e as laranjas picadas. Tudo pronto para ser levado na escola, às 10 da manhã. Teria que ser às 10 mesmo porque aqui, quando falam que é para chegar às 10, eles querem dizer 10 mesmo, não 10:05. Mãe equilibrista aqui tem que ser pontual, além de saber cozinhar. Toda orgulhosa levei a feijoada e os acompanhamentos. Até concha e talheres para servir inclui na entrega.

Escrevo esse texto e nesse momento é pouco depois do meio dia. À essa altura eles devem estar comendo a feijoada. Meu Deus, como será que está? Sobreviverão aos meus dotes culinários ou mancharei a reputação da “marca” Brasil no exterior pelo uso indevido de seu ativo típico mais famoso, a feijoada? Será que perderei a cidadania brasileira? Estou ansiosa para meu filho chegar no fim do dia e contar qual é meu veredicto.

Ah, último detalhe – para dar um toque de Brasil, imprimi uma bandeira do Brasil e colei na face externa do caldeirão, identificando o prato (confiram na foto desse post). Além disso, para ser bem “correta”, inclui os ingredientes usados. Vai que algum americano tem alergia a cebola e eu sou processada! E para ser ainda mais “americana”, coloquei uma informação adicional: gluten free and dairy free! Nunca tinha olhado para uma feijoada desse jeito, sendo “free” de alguma coisa e me diverti muito com isso.

Bom, já devem ter percebido que não sou nada de cozinha, tenho poucos conhecimentos nesse espaço doméstico mas minha estada nos USA, além de me aprimorar nos meus estudos, está me fazendo praticar a culinária.


Não custa repetir: Não basta ser mãe brasileira nos USA, tem que fazer feijoada!

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Mulheres e felicidade

Lembro-me de ter visto, em arquivos antigos na Editora Abril, um lindo anúncio dos “Lençóis Santista”, veiculado na primeira edição de Claudia, em outubro de 1961. Divido essa pérola aqui com vocês:

 

Quando vi essa propaganda, chamou-me muito a atenção a simplicidade da cena e da mensagem: “ela é uma dona-de-casa feliz”. Era isso mesmo, essa mulher, fazendo a cama e brincando de roda com a filha, estava em estado pleno de felicidade. Não era uma propaganda enganosa.

Agora giremos o ponteiro e voltemos novamente para o início de 2011. Será que somos felizes? Será que conseguiríamos ser felizes com “tão pouco”, como essa mãe da propaganda? Tenho minhas dúvidas. De lá para cá, 50 anos se passaram e nesse período ocorreu uma enxurrada de mudanças, tanto na vida das mulheres como na sociedade como um todo. Somos bombardeadas hoje com cobranças que vem de todos os lados, sabiamente expressas nessa fala da psicóloga  Magdalena Ramos:

A mulher de hoje carrega essa angústia permanente porque quer ser boa mãe, boa dona de casa, boa esposa, boa amante, muito competente no trabalho, tem que estudar e se atualizar. E ainda precisa ser magra, fazer ginástica e cuidar da alimentação”.

Ufa, quanta coisa, haja equilibrismo! Culpas, cobranças, falta de tempo, patrulhamentos sociais, “pratinhos” que têm que ser equilibrados, será que as mulheres estão conseguindo ser felizes? Certamente estamos bem mais ocupadas e mais preparadas para lidar com a vida multi-tarefas, mas será que felizes?

Por outro lado, essa nova realidade das mulheres é uma viagem sem passagem de volta. Não queremos mais ser como a mãe da propaganda dos Lençóis Santista, tampouco creio que encontramos nosso ponto de equilíbrio perfeito. Acredito que vivemos um momento de transição: sabemos o que não queremos mais, mas ainda estamos buscando saber o que de fato queremos para nossas vidas. Só arrumar a cama não nos satisfaz mais. Também não queremos abrir mão da carreira e nem da família. Cotidianamente, umas mais outras menos, pensamos sobre o que queremos de nossas vidas. Será que caso ou compro uma bicicleta, será que retorno ao trabalho ou adio um pouco mais esse plano, será que assumo que gosto de ser dona de casa ou sigo trabalhando fora? Muitos “serás” e poucas certezas. De mãe como a dos Lencóis Santista para uma presidente mundial de uma multinacional, hoje, tudo é possível para as mulheres. As possibilidades são imensas e as dúvidas seguem a mesma proporção.

Mas acho que é assim mesmo, fases de transição provocam instabilidade e dúvidas. Isso não precisa significar infelicidade, muito pelo contrário. Somos felizes porque temos oportunidades, horizontes pela frente. Difícil é o trabalho dos publicitários que hoje precisam nos retratar em múltiplos papéis e nem sabem se nos apresentam em casa, no escritório, na porta da escola ou numa viagem de negócios!

Cecília R. T.

 

 

Um feliz 2011 equilibrado

Ufa!!  Estamos há poucos dias do fim do ano e fico com um uma sensação mista de dever cumprido e de dívidas. Olhando para trás, acho que fiz muita coisa. Mas também sinto que há tantas outras que eu gostaria de ter feito e não fiz. Mas acho que tenho um saldo médio positivo em 2010 que me permite ir adiante e encarar 2011.

Todo ano costumo fazer aquela lista de resoluções de ano novo, infinitos desejos e demonstrações de boa vontade de minha parte. Esse ano farei diferente. Vou ser mais econômica.

Quero “só”  mais equilíbrio…

Equilíbrio para curtir minha família.

Equilíbrio para desenvolver bons projetos profissionais.

Equilíbrio para finalizar meus livros…serão 2 em 2011…aguardem!

Equilíbrio para aproveitar os amigos.

Equilíbrio para me dedicar aos esportes que adoro.

Equilíbrio para namorar.

Equilíbrio para sorrir, brincar e me divertir.

Equilíbrio para viver.

E, acima de tudo, equilíbrio para todas as equilibristas amigas.

Seja bem-vindo 2011 e traga consigo muito equilíbrio para todas nós.

‹Cecília Russo Troiano›

 

 

Mulheres falam, ouvem e compram!

Todo mundo diz que mulher fala muito. Nunca comparei nem vi estudos que comparam o número de palavras que disparamos diariamente comparativamente aos homens. Mas uma coisa é certa: as mulheres falam muito sobre marcas. Segundo estudos americanos, quando a mulher gosta de uma marca, 96% delas anima-se a dividir a boa nova com uma outra pessoa. E ao longo de uma semana, elas citam marcas em suas conversas, online ou offline, 92 vezes!

Considerando a indústria de consumo, essa informação é fundamental para a estratégia das marcas. Sabe-se também que a palavra feminina, como indicação de marcas, é bastante confiável. 62% das mulheres acreditam que as dicas de consumo transmitidas por outras mulheres têm credibilidade e 51% delas compra produtos com base nessa recomendação.

Mas quais são as marcas que estão “na ponta da língua” das mulheres ou na “ponta do clique”, no caso online? Infelizmente não tenho essa informação para o Brasil, mas nos USA,  o NBCU (Universal´s Women & Lifestyle Entertainment Networks) constrói mensalmente o Brand Power Index. Esse índice baseia-se em fontes online, como redes sociais e offline.

As 10 marcas mais faladas no mês de agosto foram:

1. Wal-Mart

2. Target

3. Verizon

4. EBay

5. AT&T

6. Coca-Cola

7. Bank of America

8. Ford

9. Amazon.com

10. Pepsi

Olhando para essa lista de marcas que  renderam conversas, consigo ver que há uma combinação de marcas tradicionalmente femininas, como Wal-Mart e Target, mescladas com marcas mais tradicionalmente masculinas, como Bank of America e Ford. Isso é mais um indício de que o mundo caminha muito mais para marcas  “unissex” do que para marcas que possuem feudos tão definidos.  Homens e mulheres poderão, cada vez mais, transitar em múltiplos espaços e em múltiplas marcas.

Quando penso nas equilibristas em particular, acho que esse efeito de boca-a-boca das marcas é ainda melhor. Somos ávidas por dicas que possa tornar nossa vida mais fácil, menos estressante e mais organizada. Acho que desenvolvemos um radar especial para captar as boas dicas.

Fica então o alerta para as empresas: as mulheres

falam, ouvem e compram!

Trabalhar ou não? Depende…

Tenho certeza de que muitas mães já se colocaram, em algum momento de suas vidas, essa questão: vou ou não trabalhar fora? E muito poucos pais sequer trouxeram para seus “radares” esse questionamento. Ainda há espaço para as mulheres se colocarem essa dúvida. No entanto, a resposta não é nada simples. Aliás, tenho certeza de que não há uma única resposta. Para ser mais honesta, a melhor resposta que eu daria para alguém que me pedisse algum conselho a partir dessa pergunta é: depende.

E acredito mesmo nisso, depende de muitas coisas. Por conta disso, resolvi relacionar o que, na minha opinião, deve ser considerado para que a decisão seja o mais madura possível. Aí vão  6 questionamentos que acho que valem a pena ser considerados:

  1. Sua família depende ou será bastante favorecida economicamente com sua atividade profissional?
  2. Independentemente de outras questões, você sente falta de trabalhar fora ou se sente 100% abastecida com suas atuais atividades?
  3. Seu marido é alguém que te apoia nessa empreitada de trabalhar fora e estaria disposto a dividir as responsabilidades da casa e da família com você, agora que ambos estarão trabalhando fora?
  4. Você já tem um esquema organizado para seus filhos ou consegue montá-lo para que você consiga delegar algumas atividades relacionadas a eles?
  5. Você se sente segura para ficar mais distante da casa e dos filhos, nas horas em que estiver trabalhando?
  6. Você sente que seu potencial profissional está sub-utilizado se não exercer alguma atividade profissional?

Certamente, cada uma dessas perguntas nos faz pensar um bocado. Responder sim ou não para cada uma delas não é e acho que nem deveria ser tão simples. Claro, para quem responde sim ou não para todas as questões, a decisão é fácil: sair correndo para trabalhar no primeiro caso ou optar por deixar a carreira de lado no segundo. Mas nem sempre as respostas são pretas ou brancas. O mais comum é respondermos sim para umas e não para outras…E aí, o que devemos fazer? Depende…

Ou seja, não acredito que essa seja uma decisão fácil, especialmente para as mães de filhos menores. Com essas perguntas acho que quis mesmo é propor uma reflexão. Mostrar que vale mesmo a pena parar e pensar. Não agir apenas porque “é bacana trabalhar fora” ou porque “meus filhos ficarão muito mal sem mim”.  A decisão de trabalhar ou não trabalhar fora, se não for algo compulsório para um lado ou outro, merece nossa total atenção. Afinal, de um jeito ou de outro ela mexe conosco e com toda a família.

Também é importante considerar que essa decisão pode ser temporária e refazer esses questionamentos de tempos em tempos pode ser bem proveitoso. Afinal, o que era bom um dia pode não ser mais . Depende, certo?

Corredor das equilibristas em 120 minutos

[por Cecília Troiano]

Nunca imaginei que o paraíso das equilibristas pudesse estar no subsolo de um shopping  center!

Pois é, descobri isso na tarde de ontem quando, para renovar meu passaporte, tive duas horas livres. Ter tempo é um luxo para qualquer equilibrista nos dias de hoje, certo?

Nessas duas preciosas horas encontrei tudo  –  para não exagerar, quase tudo –, que uma equilibrista precisa. Especialmente se ela trabalha, tem filhos, marido e uma casa para cuidar. Nesse espaço um pouco escuro do shopping aproveitei cada um dos meus 120 minutos disponíveis.

Comecei deixando 2 raquetes dos meus filhos para encordoar. Depois, a poucos passos dali, fiz algumas cópias numa gráfica rápida. Mais alguns metros depois, deixei uma pulseira da minha filha para soldar. A pulseira já estava fazendo aniversário de 1 ano em minha bolsa! Caminhando com calma pelo corredor (notem que eu estava andando com calma, outra raridade), vejo um quiosque que vendia cartuchos para impressora. Em casa estou sem poder imprimir há mais de 2 meses por falta de tinta! Em 5 minutos saio feliz da vida com os cartuchos, preto e branco e colorido,  dentro da bolsa.

Já são mais de 4 da tarde e sinto um pouco de fome. Nada melhor que um lanche saudável. Desço a escada rolante, agora estou no segundo subsolo. Paro numa loja de produtos naturais e como uma deliciosa e revigorante salada de fruta. Ter tempo para comer já é um privilégio e, se for uma coisa que faz bem então, é um luxo. Lembro-me de que as raquetes devem estar prontas e volto à loja para retirá-las. Pronto, raquetes na mão. Ops, estava me esquecendo da pulseira que ficou para soldar. Passo lá e pego a pulseira. Que bom, chegarei em casa com a pulseira consertada.

Olho para o relógio e já estava na hora de ir à Polícia Federal para a renovação do meu passaporte. Entrego meus documentos e em 5 minutos sou atendida. Mais 10 minutinhos, tudo resolvido. Nem acredito, burocracia zero.

2 horas e 6  tarefas da lista “to do” ticadas: raquetes, ok, cópias na gráfica, ok, solda da pulseira, ok, compra de cartuchos, ok, lanche, ok, passaporte, ok. Saio do shopping com uma sensação de dever cumprido, de tempo bem gasto, de alívio. Penso um pouco sobre porque sinto tanta satisfação em fazer coisas tão pequenas… De repente descubro que minha felicidade faz muito sentido. Riscar tarefas da nossa lista de tarefas é como ir descarregando uma mochila cheia de pedras, bem pesada, que se carrega nas costas. A cada pedra que tiramos, o alívio vai aumentando. Se saem todas, alívio total. Foi assim que me senti, aliviada e, mais do que tudo, vitoriosa.

Saio de lá com vontade de ter outras 2 horas para usar outros serviços do mesmo andar: consertar meu liquidificador, fazer uma massagem, fazer as unhas e trocar as baterias dos 3 relógios que estão “mortos” dentro do meu armário.

Curiosas para saber onde era esse paraíso? Nem é o shopping que mais gosto, mas a área de serviços é imbatível e poderia ser renomeada de “corredor das equilibristas”: é o subsolo do Shopping Eldorado. Vale conferir a dica!

Mulheres se perdem nas urgências!

[Christian Barbosa]

Ele é jovem, tem apenas 28 anos, mas abriu sua primeira empresa aos 14, na área de tecnologia! Formado em ciência da computação com ênfase em matemática, mudou sua vida por conta de um problema de saúde. Aos 19 anos, trabalhando de segunda a sexta-feira, caiu gravemente doente e foi aconselhado pelo médico a fazer yoga ou um curso de gestão do tempo. Foi matriculado pela secretária, assistiu ao primeiro curso de um consultor americano e se apaixonou pelo assunto. Estudou em profundidade, se tornou um especialista em gestão do tempo e produtividade pessoal e empresarial e de uma extensa pesquisa lançou o livro A Tríade do Tempo (já vendeu mais de 1 milhão de exemplares!). Ano passado, mais de 5000 mulheres no Brasil todo responderam à pesquisa Mulheres, Problemas e Necessidades de Gestão de Tempo, que dá base ao livro Você, Dona de Seu Tempo (veja em dicas). No final de outubro, Christian falou com o site Vida de Equilibrista (importante: ele também leu o livro da Cecília!!). 

Christian Barbosa: O problema da falta de tempo no universo feminino é realmente assustador, eu nunca tive a intenção de fazer um livro específico para mulheres, mas três editoras fizeram uma pesquisa de mercado e sentiram que era um tema de interesse. Acabamos comprovando na pesquisa com mais de 15 mil pessoas a diferença no uso do tempo entre homens e mulheres. E o livro realmente mudou minha vida e minha percepção sobre o tema.

Vida de Equilibrista: Entre homens e mulheres, quais as diferenças mais salientes no uso do tempo?

CB: Em primeiro lugar, a mulher tem uso do tempo mais focado nas urgências do que os homens. A tríade do tempo é uma trindade de conceitos composta por Importante, ou seja, as coisas de que eu gosto, que tenho tempo para fazer e que sempre me trarão resultados, Urgente, coisas feitas com pressão, estresse, correria, mas que trazem resultado, e Circunstancial,  coisas que não agregam valor, que fazemos sem querer ou por excesso, ou melhor, tempo jogado no lixo. Na pesquisa, constatei que nas mulheres o uso do tempo acontece na seguinte proporção: 30% importante, 40% urgente e 24% circunstancial. Nos homens essa divisão é 27%, 36% e 35%. O ideal é que o importante ocupe mais de 60% da sua agenda e os outros, bem menos.

VDE: O que esta proporção indica, no lado feminino?

CB: Fica claro que a mulher não tem tempo para o circunstancial, mas sempre corre com as coisas urgentes. Isso é causado pelo volume de papéis que ela desempenha. A decorrência disso são problemas de saúde… já se comprovaram aumento do infarto, além de gastrites, úlceras e dores de cabeça. Na pesquisa fui também a salão de beleza, reunião de escola etc. e perguntei às mulheres se elas estavam estressadas. Todas responderam que sim. Além disso, na pesquisa em geral, 61% disse que não consegue equilibrar vida pessoal e profissional. 17% das mulheres gostariam de ter mais tempo para si mesmas e 66% das mulheres admitem a dificuldade de dizer não. Esta é outra característica marcante, para aumentar o tempo com os filhos, família ou trabalho, ela tira tempo de si (o salão, a academia, um curso). O homem não se anula, é mais egoísta no uso do tempo, mas é um egoísmo saudável… o futebol com os amigos é sagrado. Quanto mais tempo gasta consigo, mais energia ele recupera. 

VDE: A maneira como a mulher administra o tempo tem vantagens e desvantagens, você poderia falar sobre isso?

CB: Acho que a única vantagem é que ela é mais multitarefa. Consegue fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo. Homem é monotarefa, homem gripado não trabalha… faz uma coisa por vez. Como na urgência elas cumprem aquilo que está gritando mais, isso se reflete em menos tempo para os filhos e o marido. Elas não têm método para administrar o tempo.

VDE: Existem formas de administrar melhor o tempo específicas para as mulheres?

CB: Claro que existem dicas específicas. Se ela precisa ter mais tempo para os filhos e o marido, deve ter uma conversa em família para criar uma rotina, um planejamento. Também precisa entrar em acordo com seu biorritmo, que é mais flutuante. Tem momentos de extrema produtividade e na TPM, quando está menos produtiva, deve programar só 50% de suas atividades, assim consegue cumpri-las.

VDE: Você acredita que é possível a mulher moderna encontrar  o equilíbrio?

CB: A gestão de tempo é uma ciência, ela funciona. Se não funcionar, é porque ela está aplicando as técnicas de forma errada. O resultado é muito positivo, mas não é para todas. Existem 4 tipos de perfis na gestão de tempo entre mulheres: a Mulher maravilha,  que está sempre correndo para dar conta e gosta disso, a Supernanny, que delega tudo o que for possível para terceiros, a Perfeccionista, que se adequa melhor às técnicas de gestão de tempo e a Espontânea, que detesta regras e acaba sendo mal sucedida na administração do tempo. 

VDE: Na pesquisa realizada, qual a maior queixa das mulheres?

CB: Da falta de tempo para elas. “Não tenho tempo para fazer tudo o que quero, não tenho tempo pra mim.” Só 42% das mulheres acham que estão evoluindo, o restante está apenas agindo e isso é muito ruim. Dessa forma ela anula seus sonhos e objetivos, e ainda admite que se fosse reduzir algo, seria trabalho e carreira.

VDE: Você administra o tempo em família?

CB: Sou casado e tenho dois filhos, de 9 e 2 anos.  Consigo ter um bom equilíbrio familiar, pois aplico tudo o que eu estudei. Não acredito em atores, que falam e não fazem. Se eu não tiver tempo para mim, paro de dar consultoria na área. Minha mulher é psicóloga e às vezes me pede para ajudá-la a planejar a semana. Nós também fazemos planejamento junto com as crianças. Ano passado estabelecemos a meta de ir para a Disney em 2008, que foi cumprida este ano.

VDE: Tem alguma dica para aumentar o tempo de convívio com os filhos?

CB: Não acredito naquele mote de que qualidade é melhor do que quantidade, quando você se importa com alguém, sempre vai querer quantidade. Mas eu defendo a periodicidade. Isso significa constantemente reservar um tempo para momentos de qualidade, independentemente da quantidade. Por exemplo, estipule que todo dia, ao chegar do trabalho, após jantar tirará 20 minutos para ficar com seus filhos de verdade, isso significa desligar a TV, tirar as preocupações da cabeça e se focar em ouvir, brincar, ler, desenhar, ajudar na lição de casa. Descubra algo que você gosta de fazer em conjunto com eles, isso tornará esse tempo ainda mais agradável. Nos sábados e domingos, aumente a dedicação. Mas mantenha a constância, senão um dia vai perceber que se formou um buraco entre você e seus filhos! E isso vale para pai e mãe!

VDE: A tecnologia ajuda ou atrapalha na administração do tempo?

CB: Costumo dizer que ela veio para resolver problemas que você não tinha. Mas depende. Para a mulher tradicional, a tecnologia atrapalha. Para a mista (que lida com papel e tecnologia) vai ajudar e para a high tech… é a praia dela. Defendo no livro que o mais importante não é a ferramenta, e sim o método.

VDE: Como o conceito de Tríade do tempo pode ser útil para as mulheres?

CB: A melhor forma é descobrir sua tríade primeiro. Se você acessar o site   www.triadedotempo.com.br e responder algumas perguntas, vai descobrir qual a sua.

VDE: Fale sobre o personagem “o Equilibrista” que você cita no livro A Tríade do Tempo.

CB: São três composições diferentes nesse livro, o Equilibrista é aquele que se equilibra entre muitas coisas urgentes e circunstanciais, ou seja, é aquela pessoa se sente sugada no final do dia, pois investiu muito tempo em coisas erradas, que não dão resultado.

VDE: Qual sua mensagem para as “Equilibristas”, as mães que trabalham?

CB: Temos que viver nosso tempo com sabedoria, o equilíbrio na verdade está dentro da gente. Vale a pena descobrir o que é importante para você e tentar dedicar mais tempo para isso.

Se você quiser ler mais sobre as idéias de Christian Barbosa, acesse o site www.triadedotempo.com.br e o blog www.maistempo.com.br.

Tempo precioso

[Mães equilibristas]

Ele parece elástico nos depoimentos.  Devido à sobrecarga de tarefas, a mulher se obriga a administrar os minutos para se sentir em controle da agenda. E a atenção que ela dá aos filhos, tira dela mesma… com algumas exceções.

1. Faço “to do lists” no celular: o que comprar na farmácia, o que perguntar para a pediatra (que não é urgente e pode esperar a próxima consulta), que livros quero ler (para lembrar quando passar em uma livraria) etc. 2. Delego as compras básicas de supermercado para minha “secretária”: ela faz a lista, vai no supermercado do bairro, escolhe as coisas, eles entregam e ela guarda tudo. Pra mim, só sobram as compras menores e mais gostosinhas de fazer. 3. Hora do almoço (durante a semana): sempre aproveito para comprar alguma coisa, resolver problemas, etc. 4. Tenho uma “linha direta” com a babá, via torpedo. Se precisa comprar alguma coisa, se acontece alguma coisa durante o dia, fico sabendo rapidamente. 5. Checo meus emails à noite, depois que a Luísa dorme. 6. Não falo no telefone quando estou com a Luísa em casa. E mesmo com “tudo isso” ainda está faltando tempo para mim! Renata, 1 filha, gerente de branding em São Paulo, SP.

“Sou psicóloga clínica, tenho 3 filhos, sou professora e escritora. Tenho, portanto, muitas funções. Além disso, toco em uma banda e faço dança. É sem dúvida o perfil de uma verdadeira equilibrista. Mas o que tenho aprendido nesses anos todos, é que administrar o tempo é, na verdade, mais que isso; é administrar a vida. E não dá para pensar que a vida é um item que cabe numa agenda. É preciso estar constantemente atento e refletindo o “como” se está usando o tempo e onde se está na lista de prioridades da vida. Trabalho e desempenho sem Eros são apenas tarefas. E depois de todas cumpridas, o que sobra? A estratégia é, antes, olhar para o que está sendo equilibrado e para quê.” Sylvia, 3 filhos, psicóloga, professora e escritora. 

“Costumo dizer que não uso relógio. Uso cronômetro!” Secretária do McDonald´s que assistiu a uma palestra da Cecília Troiano!

“Tenho a sorte de ter um trabalho de horários fixos, como professora, que me tomam 24 horas por semana e mais 6 adicionais flexíveis. Deixei em segundo plano a pesquisa científica de forma a ter mais tempo para me dedicar a meus filhos. Tenho muito trabalho a fazer em casa, entretanto. Procuro manter uma rotina fixa, chegando nos mesmos horários em casa e primeiro me preocupando com meus filhos. Quando meus filhos vão dormir às 19/ 19:30 tenho tempo para me dedicar ao meu trabalho propriamente dito. Meu marido ajuda bastante principalmente de manhã e no fim de semana, já que os horários dele não são tão flexíveis quanto os meus. Mesmo assim fico muitas vezes com a sensação de não estar fazendo o melhor possível tanto em termos de dedicação a eles quanto do meu trabalho (pesquisa). É necessário tentar equilibrar o melhor possível a tarefa materna e de trabalho. Isto implica na minha opinião em escolhas por um lado e perdas por outro lado. “Perder tempo” com as crianças é fundamental. Esta fase da vida é maravilhosa e exige amor, carinho e dedicação de fato (isto não significa que é necessário ficar com eles 24 horas por dia, pelo contrário é importante que haja também satisfação pessoal / no trabalho). Não é possível ser exemplar em tudo, mas sim tentar fazer o melhor possível com relação à tarefa materna e de trabalho.” Sonia , 2 filhos, professora universitária  em São Paulo, SP. 

“Minha vida de equilibrista começa às 6:30h da manhã quando reúno a turma (Rafael 3,5 anos e os gêmeos Gabriel e Henrique 7 meses) para levá-los à escola. Como passam o dia todo por lá, levo com eles uma “mudança” (roupas, papinha, leite, etc… pacote completo). Obviamente são várias “viagens” para descarregar o carro. Após deixá-los vou para a academia. Faço um programa de exercícios que não excede 40min, sendo bastante intenso, porém, curto. Vou para o trabalho, também com minha “mudança”, pois levo minhas refeições uma vez que tento não descuidar da minha alimentação. Trabalho contra o relógio o dia todo, minha agenda é bastante pesada. No final da tarde vou buscar meus filhos na escola. Quando chego em casa geralmente ainda tenho que finalizar algumas obrigações do trabalho preparando aulas, palestras ou mesmo trabalhando na minha tese de doutorado. Entre uma atividade e outra brinco com meus filhos. Depois que os coloco para dormir tenho algum (bem pouco) tempo para mim. Após o nascimento dos meus filhos  aprendi o quão precioso é o tempo, não desperdiço sequer 5 minutos com atividades improdutivas. Não assisto a programas que não sejam educativos e qualquer minuto livre eu aproveito para ler um livro. Para otimizar o tempo no trânsito fico escutando meu i-pod que contem alguns audiobooks (e-books) com o objetivo de treinar meu inglês e ao mesmo tempo aprender algo. Posso dizer que certamente a vida de equilibrista me trouxe importantes ganhos, dois em especial são a produtividade e a habilidade de amar incondicionalmente o próximo. Isso eu devo às crianças maravilhosas que são meus filhos.” Ana Paula, 3 filhos, médica de Ribeirão Preto, SP.

“Faço listas, listas e muitas listas. Com margem para imprevistos e ordem de prioridades! E guardo momentos em que só me concentro nas minhas duas pequenas. De modo que tento não misturar duas atividades simultâneas (será possível?). Uma atividade de cada vez, de forma concentrada (nem sempre dá certo, mas a gente tenta). Assim, sou capaz de passar mais de um mês sem depilar as pernas, duas semanas sem fazer unhas e remarcar um exame médico (meu, não delas, claro) três vezes. Por outro lado, vira e mexe sobra uma sábado inteirinho para rolar no quintal com elas (com a unha por fazer e a perna peluda, beleza!). Ordem de prioridade é meu lema. Os últimos ítens da lista, em geral, ficam para amanhã, semana que vem ou nunca. Mas eram os menos importantes mesmo. ”  Juliana, jornalista, dois empregos, duas filhas na creche das 10h às 18h30, uma ajudante doméstica das 10h30 às 20h, um marido gente fina que faz tudo mas chega quase às 20h em casa e trabalha todo sábado. Ah, sim: uma casa em São Paulo com quintal. Fundamental. 

“Eu divido meus horários de almoço em 3 dias almoçando com o marido e dando atenção só pra ele e 2 dias em casa na hora do almoço, para levar a Sofia (4 anos) até a van que vai pra escola e fazer o Bernardo (6 meses) dormir depois disso. À noite, depois que as crianças dormem, cuido de mim e da casa.” Karin, 2 filhos, Angra dos Reis, RJ.

“Procuro ser objetiva nas tarefas e na definição de prioridades. São várias as tarefas: meninas, casa, marido, trabalho e a minha vida pessoal. Dentro dessas obrigações diárias, tenho claro que as meninas são a prioridade número 1, entretanto tenho o trabalho como uma parte importante também. Por isso, no dia anterior procura refazer a agenda na minha cabeça e muitas vezes abrir mão de compromissos ou tarefas para o meu dia não virar uma correria. Um outro ponto importante é fazer o roteiro do dia, uma vez que o trânsito é uma variável determinante nos dias de hoje. O que também me ajuda muito é ter o outlook atualizado com os compromissos, e deixar sempre uma hora entre um compromisso e outro. Para driblar alguns imprevistos conto muito com as minhas irmãs que me ajudam muito, e todos têm os meus telefones para emergências.” Luciana, duas filhas, São Paulo, SP.

“Acordo todos os dias às 6:15, levo uma das minhas filhas na escola e vou para o trabalho. Quando posso, volto mais cedo nos dias que as crianças dormem na minha casa, faço a feira nas quintas bem cedo e vou ao sacolão na sexta.No sábado às 6:00 faço a meditação em grupo que eu adoro e no domingo pela manhã, gosto de ir ao culto e ouvir música no museu.Procuro aproveitar os intervalos livres no consultório  para estudar, nadar 2x por semana,fazer algum trabalho artístico/manual e quando consigo toco violão.Participo de um coral quinzenalmente e mensalmente participo de um círculo de mulheres aos sábados pela manhã.Quando tudo vai bem essa é a minha rotina mas, quando algum dos filhos fica doente…aí o bicho pega e acabo suspendendo tudo até que a rotina possa ser restabelecida.” Ana, 4 filhos, terapeuta em São Paulo, SP.
“Estabelecer prioridades: ensinando minha filha de 4 anos a fazer escolhas logo cedo. Mostrando que estas escolhas poderão refletir no futuro.E tentar fazer tudo com alegria, sem stress por mais que o dia a dia não ajude!” Adriana, 1 filha, assistente executiva em São Paulo, SP.

“Pra mim, a agenda do outlook é fundamental. Tento colocar os compromissos (todos) na agenda: consulta médica, aula, reuniões, aniversários, pagamento de contas, alguma outra tarefa especial e etc. No dia-dia da empresa, ao ler os e-mails, os que já estão resolvidos, movo para uma pasta específica, os q não estão permanecem na caixa de entrada. Em seguida, vou despachando-os e resolvendo-os por prioridade.Ultimamente, tenho tentado fazer home-office pelo menos uma vez por semana. Isso me garante um pouco mais de foco e concentração. Tenho menos interrupções.” Claudia, coordenadora de empresa de tecnologia em São Paulo, SP.

“Fazer logo as tarefas chatas, porém indispensáveis. Delegar pra quem confio. Não perder tempo com coisas que não trarão resultados concretos seja no curto, médio ou longo prazos. Isso serve tanto pra trabalho como para lazer, descanso (que tem enorme retorno!) e coisas do dia a dia. Faço listas de “to do”s semanais. Me ajudam a priorizar e é ótimo qdo chega o fim da semana e vc vê o quanto conseguiu “riscar” da sua lista!” Andrea, São Paulo, SP.

“Como o tempo está cada vez mais valioso, antes de qualquer coisa, eu penso em quais são minhas prioridades. Não só com relação às atividades do dia-a-dia, mas com relação a minha vida. Percebi que seria incoerente dedicar a maior parte do meu tempo ao trabalho se ele não é a coisa mais importante pra mim. Não tanto quanto cuidar de mim, curtir a casa e ficar com a minha família. Não pense que com isso não me realizo profissionalmente. A vantagem é que trabalho em casa e posso eu mesma administrar o meu tempo. Também não ganho rios de dinheiro e nem é minha pretensão ficar rica. Sigo a máxima “ter menos e viver mais”. Para administrar o tempo no dia-a-dia, sempre coloco no papel os afazeres do dia. A luta é tentar riscar todos os itens da lista. Às vezes consigo, quando não me distraio com outras coisas. Pela manhã, trabalho em casa no computador e quando tenho algo para fazer fora, deixo para a parte da tarde. Meus horários são bem flexíveis (sou jornalista e fotógrafa free lancer), há dias em que não tenho muito trabalho aí aproveito para ficar com a Maria Luisa. Mas todo santo dia, depois das 18h, começa meu expediente integral com ela. Até a hora de ela dormir. Daí aproveito para conversar com o marido, namorar um pouquinho, assistir TV, ler uma revista ou livro da pilha que só se acumula, ler os últimos e-mails e depois, cama.”  Alessandra, 1 filha, jornalista e fotógrafa em Curitiba, PR.  

“Administrar o tempo, hoje em dia, é uma arte! Todos os dias levo o Matheus para a escola, pois acho importante pelo menos um contato por dia com a escola, o que é muito proveitoso. Geralmente é neste momento que escutamos sobre o que se passa na escola e, se for o caso, depois buscar mais informações a respeito e analisar o andamento da educação do meu filho. Uma estratégia que uso é de o Matheus voltar com o transporte escolar pra casa. Se algum dia fico mais enrolada, peço também para levá-lo para a escola. Outra maneira de conseguir driblar o tempo escasso, é deixá-lo na escola no extensivo – o que faz o tempo render – faço durante o dia tudo o que não dá pra fazer com o Matheus por perto e quando ele chega, me dedico a ele com mais qualidade.” Fernanda, 1 filho, autônoma em São Paulo, SP.

“Bem, minha administração nem sempre funciona como o planejado. Portanto, acho que a regra número um é não ser tão rígida com fórmulas e agendas, porque para uma “administração com bom senso” é preciso muito jogo de cintura para fazer adaptações de última hora. Como sou jornalista autônoma, posso muitas vezes organizar meus horários para estar com eles e compensar no trabalho à noite, se for necessário. Em geral, as manhãs, bem cedo, são para mim. Ginástica ou caminhadas, que fazem um bem danado para a cabeça. Depois começa o leva-e-traz de criança para todas as 1001 atividades, uma tarefa compartilhada com meu marido, justiça seja feita. Uma delícia, claro, mas obrigação também. Almoçamos juntos antes de eles irem para a escola e, na parte da tarde, trabalho. Muitas vezes o trabalho tem que começar cedo, a rotina muda, mas essa é a forma que a casa funciona, de um modo geral.” Simone, 2 filhos, jornalista no Rio de Janeiro, RJ.

“Algumas das minhas estratégias: ouvir noticiário na CBN enquanto estou no trânsito de manhã; fazer a unha e massagem na hora do almoço durante a semana; fazer compras de presentes, livros, lembrançinhas e outras coisas pela internet; usar serviço de leva e traz do lava-rápido; pagar todas as contas pela internet; contar com a empregada para fazer a lista do que falta em casa; planejar bem cada dia, principalmente os dias mais fora da rotina; deixar o banho da cachorra agendado com o pet shop de 15 em 15 dias, com serviço leva e traz. E, principalmente, ter pensamento positivo, sempre acho que vai dar tudo certo no final!!!” Elke, 1 filho, gerente de marketing em indústria farmacêutica em Barueri, SP. 

“É assim que eu me vejo, sempre correndo atrás da agenda que não cumpri, da atenção que não dei à minha família como gostaria, dos compromissos aos quais faltei, dos telefonemas que não respondi, da palavra amiga que deixei de dizer na hora certa…hoje, depois de outro hoje, depois de outro ainda mais urgente hoje. E para quê?” Márcia Neder, diretora de redação da revista Claudia, no editorial da edição de outubro.

Para onde vamos, mesmo?

[Ana Dini]

Para driblar o tempo não há muito segredo: primeiro há que se organizar tudo e depois aprender a priorizar. À medida que temos uma rotina, esquecemos que estamos correndo contra o tempo e tudo passa a se encaixar.

Desse modo a correria deixa de ser questionada e passa a ser necessária.

Se é tão simples, porque parece que nunca estamos dando conta? Porque temos mania de perfeição, porque não queremos priorizar, acreditamos que temos e podemos dar conta de mais um pratinho, vivemos tendo imprevistos que nos tiram da nossa rotina como: a falta da empregada, a tosse que não cessa do nosso filho, uma lição de casa em forma de pesquisa para ontem, o trânsito que, detalhe, é um  imprevisto previsto, a internet que caiu bem na hora que eu ia efetuar o pagamento, o caixa do super mercado que não encontra o código do produto, a criança que não termina nunca de se trocar, que enrola pra comer, tem o relatório que precisa ser feito, o curso que deve ser concluído em duas semanas, antes que se comece o outro que já foi agendado pela empresa… enfim, a lista é interminável. Porque tudo ou quase tudo, para quem faz tanto, é complicador.

Como temos muitas frentes é inevitável que uma delas tenha um ou outro probleminha, entre em colapso, e que o nosso tempo sempre esteja sendo reorganizado em função dos nossos compromissos, que de rotineiros só tem acordar cedo e dormir muito tarde.

Vivemos então mergulhadas em um encadeamento de ações que para quem vê de longe parecem bem sem sentido. Corremos o tempo todo. E para onde? Com esse questionamento paramos.

Definir o objetivo da corrida é de suma importância para que se tenha mais tempo. Porque quando estabelecemos as nossas metas, mesmo que a contra gosto, temos que priorizar. Mas hoje em dia… isso está cada vez mais difícil.

Vivemos em um momento histórico em que as oportunidades são muitas, mas a falta de constância, as incertezas e o medo de não dar conta nos toma por inteiras. Diante deles só mesmo correndo sem saber pra onde, se eu parar não dou conta.

O chato disso tudo é que acabamos apressando a vida. A nossa e a de nossos filhos. Queremos que eles cresçam e isso está implícito quando dizemos: “Quanto mais cedo melhor!”

Quanto mais cedo ele for para a escola e ficar livre de estar em casa com uma pessoa que não lhe acrescente nada, quando mais cedo ele entrar em contato com outras crianças, quanto mais cedo ele andar, quanto mais cedo falar, quanto mais cedo aprender inglês… melhor! Ele ganha tempo.

Dizemos: “Como essas crianças estão espertas, já nascem sabendo mexer no computador, fazem tudo antes do tempo…” ai, delas se não forem assim. Como poderiam lidar com mães e pais que correm tanto?

A culpa não é nossa, desde que saibamos para onde vamos e para onde levamos os nossos filhos.

Ana Dini é pedagoga e mãe, ministra o workshop “Como falar para o seu filho ouvir”, anapdini@hotmail.com

Viver é urgente!

[Maggi Krause]

Estou há dias matutando acerca desse texto sobre o tempo. O assunto me encanta tanto que acaba até atrapalhando minhas idéias. Meu trabalho de conclusão de faculdade teve este tema e – filosofias à parte como tempo cíclico, finitude e outros conceitos profundos – a parte prática consistia em andar de metrô e observar os ritmos da metrópole.

Concluí que a percepção do tempo era diferente dependendo do bairro,  da rotina e das demandas pessoais e profissionais de cada um. Parte importante: na apresentação final, deixei claro que uma música agradável aos ouvidos parece mais rápida do que outra monótona, chata mesmo, sendo que as duas tinham a mesma duração objetiva (em minutos).

Naquela época eu era solteira, trabalhava de dia, estudava à noite e namorava no final de semana. Bons tempos aqueles! (me perdoem o trocadilho). E olha que já era uma correria danada. Data de fechamento, prazo de entrega, entrevista marcada e agenda apertada já faziam parte do meu vocabulário de recém-jornalista. E isso tudo permeado de deslocamentos e trânsito e minutos escorrendo feito água de chuva na calçada. Nada que outras equilibristas não tenham experimentado.

Se antes o tempo já parecia escasso, quem dirá depois da maternidade, quando as demandas dos filhos invadem aquelas 24 horas já espremidas de tantos compromissos.

Quem não se lembra de 20 minutos em cada peito, intervalo entre as mamadas, hora do suco, da papinha, do soninho. Hoje já estou em outra fase: hora de levantar e vestir roupa, minutos para escovar os dentes, tomar o leite, ir para a escola… ufa, e tudo isso sem perder a esportiva para que eles já não cresçam estressados!

De volta ao trabalho e ao computador, a lista no caderno parece enorme, impraticável mesmo. Tudo que é mais urgente vai sendo realizado primeiro…  mas, reparem, não é o  que dá mais prazer. Adoro roubar duas horas do dia para almoçar com uma amiga, não existe tempo mais bem empregado! Me concedo uma pausa no trabalho para acompanhar a lição de casa do Tiago ou tomar um picolé com ele na varanda. 

Incrível como os momentos de prazer (lembra daquela história da música que citei antes?) parecem passar muito rápido! E olhando para meu calendário de mesa aqui quase todo preenchido com compromissos: do dentista à entrevista, da reunião ao almoço, tento fazer um exercício a cada final de dia ou de semana: penso em todas as amigas que encontrei, nos e-mails significativos enviados (pessoais, claro), na caminhada com os meninos à padaria, na saída estratégica com o marido para o cinema ou para um lanche apenas. Momentos preciosos que tecem com carinho a teia da minha modesta existência.

E chego à conclusão de sempre: o tempo foge mesmo, já desisti de ter controle sobre ele. A única estratégia que resta é viver o tempo presente com o máximo de intensidade e de presença, ou seja, apegada ao momento, sem ficar remoendo o passado ou sonhando demais com o futuro. Se abrirmos alguns minutinhos diários para incluir aquilo que realmente importa para nós, o tempo (dessa vida) não será em vão.

Pra terminar essa confusão de idéias (não digam que não avisei…) vai aí um trecho de uma de minhas músicas preferidas do Alan Parsons Project: “Time keeps flowing like a river to the sea… till it´s gone forever, gone forever…”

Maggi é uma das equilibristas que se dá ao luxo de doar um tempo para planejar e montar este site!