Não basta ser mãe brasileira nos USA, tem que fazer feijoada!

Estou vivendo a vida de uma mãe equilibrista americana, mantendo o jeitinho de mãe brasileira, claro. Já há 8 meses vivendo em Atlanta, a cada dia sou surpreendida por mais um desafio dessa convivência latino+americana.  Meu último desafio foi preparar uma feijoada para o “International Lunch” da escola do meu filho. Fiquei sabendo há pouco mais de 3 dias que ele escolheu, voluntariamente, levar feijoada como o prato típico brasileiro, claro, já sabendo que quem ficaria com o “mico” seria a mãe. Na hora em que ele me comunicou perguntei: “mas por que você não escolheu brigadeiro? Beijinho?”. Tarde demais, a escolha já estava feita e marcada no cardápio do dia. Feijoada será então. Ainda bem que americano e ainda mais garotos de High School não tem muita noção do que é uma feijoada boa, aliás acho que nem sabem direito o que é. Sorte minha (e deles) porque sou uma brasileira que NUNCA fez feijoada na vida!!!

Mas, como não basta ser mãe nos USA, tem que fazer feijoada, vamos lá, mão à obra. 

Aproveitando-me do jeito prático de viver das donas de casa americanas, usei e abusei dos produtos pré-prontos. Afinal, o “American way of life” existe para ser usado, certo? Feijão preto em lata seria meu ponto de partida. E os pertences da feijoada? Onde iria achar carne seca, paio? A loja brasileira mais próxima fica distante da minha casa e nem teria tempo de ir até lá, com todas as outras demandas que tenho com mestrado e trabalho. O jeito criativo que encontrei foi de comprar linguiça (beef sausage) e smoked ham (tipo um tender). E o mais importante, comprar um belo caldeirão. Fora isso, o básico: cebola, alho e ervas. Por sorte, os supermercados daqui são super abastecidos e no Kroger (nosso Pão de Açúcar) encontrei tudo o que precisava. Ah, me esqueci de dizer, a feijoada seria uma “semi-feijoada” porque não estaria acompanhada de farofa nem de couve. O mais parecido que vi com couve por aqui se chama “kale” mas o sabor é bem diferente. Achei que tudo bem ser uma feijoada com arroz branco e laranja apenas. Para quem nunca tinha feito uma feijoada na vida, estaria de bom tamanho para o evento da escola. O arroz, claro, também optei por um que não me faria passar vergonha. Caso contrário, meu arroz seria o do tipo “unidos venceremos”. Mas o arroz que escolhi basta ferver a água já com os temperos e depois jogar sobre o arroz cru, tapar e esperar, fica pronto em 5 minutos. E pasmem, soltinho!!

Para incrementar o feijão, dei uma bela refogada na linguiça e no presunto, depois joguei o feijão com um pouco de caldo de carne (bem que procurei mas não achei aqui aquele caldo de feijão tipo Knorr que temos no Brasil). O apartamento já começou a cheirar com gostinho de Brasil (não são todos os gostos de Brasil que atualmente me apetecem mas nossa comida tem seus méritos!) e vejo meu filho salivando no sofá da sala. Ufa, passei no primeiro teste, pelo menos minha feijoada está cheirando à feijoada, já é algum sinal positivo.

Encurtando a história, a feijoada ficou pronta, o arroz e as laranjas picadas. Tudo pronto para ser levado na escola, às 10 da manhã. Teria que ser às 10 mesmo porque aqui, quando falam que é para chegar às 10, eles querem dizer 10 mesmo, não 10:05. Mãe equilibrista aqui tem que ser pontual, além de saber cozinhar. Toda orgulhosa levei a feijoada e os acompanhamentos. Até concha e talheres para servir inclui na entrega.

Escrevo esse texto e nesse momento é pouco depois do meio dia. À essa altura eles devem estar comendo a feijoada. Meu Deus, como será que está? Sobreviverão aos meus dotes culinários ou mancharei a reputação da “marca” Brasil no exterior pelo uso indevido de seu ativo típico mais famoso, a feijoada? Será que perderei a cidadania brasileira? Estou ansiosa para meu filho chegar no fim do dia e contar qual é meu veredicto.

Ah, último detalhe – para dar um toque de Brasil, imprimi uma bandeira do Brasil e colei na face externa do caldeirão, identificando o prato (confiram na foto desse post). Além disso, para ser bem “correta”, inclui os ingredientes usados. Vai que algum americano tem alergia a cebola e eu sou processada! E para ser ainda mais “americana”, coloquei uma informação adicional: gluten free and dairy free! Nunca tinha olhado para uma feijoada desse jeito, sendo “free” de alguma coisa e me diverti muito com isso.

Bom, já devem ter percebido que não sou nada de cozinha, tenho poucos conhecimentos nesse espaço doméstico mas minha estada nos USA, além de me aprimorar nos meus estudos, está me fazendo praticar a culinária.


Não custa repetir: Não basta ser mãe brasileira nos USA, tem que fazer feijoada!

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Mulheres e felicidade

Lembro-me de ter visto, em arquivos antigos na Editora Abril, um lindo anúncio dos “Lençóis Santista”, veiculado na primeira edição de Claudia, em outubro de 1961. Divido essa pérola aqui com vocês:

 

Quando vi essa propaganda, chamou-me muito a atenção a simplicidade da cena e da mensagem: “ela é uma dona-de-casa feliz”. Era isso mesmo, essa mulher, fazendo a cama e brincando de roda com a filha, estava em estado pleno de felicidade. Não era uma propaganda enganosa.

Agora giremos o ponteiro e voltemos novamente para o início de 2011. Será que somos felizes? Será que conseguiríamos ser felizes com “tão pouco”, como essa mãe da propaganda? Tenho minhas dúvidas. De lá para cá, 50 anos se passaram e nesse período ocorreu uma enxurrada de mudanças, tanto na vida das mulheres como na sociedade como um todo. Somos bombardeadas hoje com cobranças que vem de todos os lados, sabiamente expressas nessa fala da psicóloga  Magdalena Ramos:

A mulher de hoje carrega essa angústia permanente porque quer ser boa mãe, boa dona de casa, boa esposa, boa amante, muito competente no trabalho, tem que estudar e se atualizar. E ainda precisa ser magra, fazer ginástica e cuidar da alimentação”.

Ufa, quanta coisa, haja equilibrismo! Culpas, cobranças, falta de tempo, patrulhamentos sociais, “pratinhos” que têm que ser equilibrados, será que as mulheres estão conseguindo ser felizes? Certamente estamos bem mais ocupadas e mais preparadas para lidar com a vida multi-tarefas, mas será que felizes?

Por outro lado, essa nova realidade das mulheres é uma viagem sem passagem de volta. Não queremos mais ser como a mãe da propaganda dos Lençóis Santista, tampouco creio que encontramos nosso ponto de equilíbrio perfeito. Acredito que vivemos um momento de transição: sabemos o que não queremos mais, mas ainda estamos buscando saber o que de fato queremos para nossas vidas. Só arrumar a cama não nos satisfaz mais. Também não queremos abrir mão da carreira e nem da família. Cotidianamente, umas mais outras menos, pensamos sobre o que queremos de nossas vidas. Será que caso ou compro uma bicicleta, será que retorno ao trabalho ou adio um pouco mais esse plano, será que assumo que gosto de ser dona de casa ou sigo trabalhando fora? Muitos “serás” e poucas certezas. De mãe como a dos Lencóis Santista para uma presidente mundial de uma multinacional, hoje, tudo é possível para as mulheres. As possibilidades são imensas e as dúvidas seguem a mesma proporção.

Mas acho que é assim mesmo, fases de transição provocam instabilidade e dúvidas. Isso não precisa significar infelicidade, muito pelo contrário. Somos felizes porque temos oportunidades, horizontes pela frente. Difícil é o trabalho dos publicitários que hoje precisam nos retratar em múltiplos papéis e nem sabem se nos apresentam em casa, no escritório, na porta da escola ou numa viagem de negócios!

Cecília R. T.

 

 

Um feliz 2011 equilibrado

Ufa!!  Estamos há poucos dias do fim do ano e fico com um uma sensação mista de dever cumprido e de dívidas. Olhando para trás, acho que fiz muita coisa. Mas também sinto que há tantas outras que eu gostaria de ter feito e não fiz. Mas acho que tenho um saldo médio positivo em 2010 que me permite ir adiante e encarar 2011.

Todo ano costumo fazer aquela lista de resoluções de ano novo, infinitos desejos e demonstrações de boa vontade de minha parte. Esse ano farei diferente. Vou ser mais econômica.

Quero “só”  mais equilíbrio…

Equilíbrio para curtir minha família.

Equilíbrio para desenvolver bons projetos profissionais.

Equilíbrio para finalizar meus livros…serão 2 em 2011…aguardem!

Equilíbrio para aproveitar os amigos.

Equilíbrio para me dedicar aos esportes que adoro.

Equilíbrio para namorar.

Equilíbrio para sorrir, brincar e me divertir.

Equilíbrio para viver.

E, acima de tudo, equilíbrio para todas as equilibristas amigas.

Seja bem-vindo 2011 e traga consigo muito equilíbrio para todas nós.

‹Cecília Russo Troiano›

 

 

Mulheres falam, ouvem e compram!

Todo mundo diz que mulher fala muito. Nunca comparei nem vi estudos que comparam o número de palavras que disparamos diariamente comparativamente aos homens. Mas uma coisa é certa: as mulheres falam muito sobre marcas. Segundo estudos americanos, quando a mulher gosta de uma marca, 96% delas anima-se a dividir a boa nova com uma outra pessoa. E ao longo de uma semana, elas citam marcas em suas conversas, online ou offline, 92 vezes!

Considerando a indústria de consumo, essa informação é fundamental para a estratégia das marcas. Sabe-se também que a palavra feminina, como indicação de marcas, é bastante confiável. 62% das mulheres acreditam que as dicas de consumo transmitidas por outras mulheres têm credibilidade e 51% delas compra produtos com base nessa recomendação.

Mas quais são as marcas que estão “na ponta da língua” das mulheres ou na “ponta do clique”, no caso online? Infelizmente não tenho essa informação para o Brasil, mas nos USA,  o NBCU (Universal´s Women & Lifestyle Entertainment Networks) constrói mensalmente o Brand Power Index. Esse índice baseia-se em fontes online, como redes sociais e offline.

As 10 marcas mais faladas no mês de agosto foram:

1. Wal-Mart

2. Target

3. Verizon

4. EBay

5. AT&T

6. Coca-Cola

7. Bank of America

8. Ford

9. Amazon.com

10. Pepsi

Olhando para essa lista de marcas que  renderam conversas, consigo ver que há uma combinação de marcas tradicionalmente femininas, como Wal-Mart e Target, mescladas com marcas mais tradicionalmente masculinas, como Bank of America e Ford. Isso é mais um indício de que o mundo caminha muito mais para marcas  “unissex” do que para marcas que possuem feudos tão definidos.  Homens e mulheres poderão, cada vez mais, transitar em múltiplos espaços e em múltiplas marcas.

Quando penso nas equilibristas em particular, acho que esse efeito de boca-a-boca das marcas é ainda melhor. Somos ávidas por dicas que possa tornar nossa vida mais fácil, menos estressante e mais organizada. Acho que desenvolvemos um radar especial para captar as boas dicas.

Fica então o alerta para as empresas: as mulheres

falam, ouvem e compram!

Trabalhar ou não? Depende…

Tenho certeza de que muitas mães já se colocaram, em algum momento de suas vidas, essa questão: vou ou não trabalhar fora? E muito poucos pais sequer trouxeram para seus “radares” esse questionamento. Ainda há espaço para as mulheres se colocarem essa dúvida. No entanto, a resposta não é nada simples. Aliás, tenho certeza de que não há uma única resposta. Para ser mais honesta, a melhor resposta que eu daria para alguém que me pedisse algum conselho a partir dessa pergunta é: depende.

E acredito mesmo nisso, depende de muitas coisas. Por conta disso, resolvi relacionar o que, na minha opinião, deve ser considerado para que a decisão seja o mais madura possível. Aí vão  6 questionamentos que acho que valem a pena ser considerados:

  1. Sua família depende ou será bastante favorecida economicamente com sua atividade profissional?
  2. Independentemente de outras questões, você sente falta de trabalhar fora ou se sente 100% abastecida com suas atuais atividades?
  3. Seu marido é alguém que te apoia nessa empreitada de trabalhar fora e estaria disposto a dividir as responsabilidades da casa e da família com você, agora que ambos estarão trabalhando fora?
  4. Você já tem um esquema organizado para seus filhos ou consegue montá-lo para que você consiga delegar algumas atividades relacionadas a eles?
  5. Você se sente segura para ficar mais distante da casa e dos filhos, nas horas em que estiver trabalhando?
  6. Você sente que seu potencial profissional está sub-utilizado se não exercer alguma atividade profissional?

Certamente, cada uma dessas perguntas nos faz pensar um bocado. Responder sim ou não para cada uma delas não é e acho que nem deveria ser tão simples. Claro, para quem responde sim ou não para todas as questões, a decisão é fácil: sair correndo para trabalhar no primeiro caso ou optar por deixar a carreira de lado no segundo. Mas nem sempre as respostas são pretas ou brancas. O mais comum é respondermos sim para umas e não para outras…E aí, o que devemos fazer? Depende…

Ou seja, não acredito que essa seja uma decisão fácil, especialmente para as mães de filhos menores. Com essas perguntas acho que quis mesmo é propor uma reflexão. Mostrar que vale mesmo a pena parar e pensar. Não agir apenas porque “é bacana trabalhar fora” ou porque “meus filhos ficarão muito mal sem mim”.  A decisão de trabalhar ou não trabalhar fora, se não for algo compulsório para um lado ou outro, merece nossa total atenção. Afinal, de um jeito ou de outro ela mexe conosco e com toda a família.

Também é importante considerar que essa decisão pode ser temporária e refazer esses questionamentos de tempos em tempos pode ser bem proveitoso. Afinal, o que era bom um dia pode não ser mais . Depende, certo?

Corredor das equilibristas em 120 minutos

[por Cecília Troiano]

Nunca imaginei que o paraíso das equilibristas pudesse estar no subsolo de um shopping  center!

Pois é, descobri isso na tarde de ontem quando, para renovar meu passaporte, tive duas horas livres. Ter tempo é um luxo para qualquer equilibrista nos dias de hoje, certo?

Nessas duas preciosas horas encontrei tudo  –  para não exagerar, quase tudo –, que uma equilibrista precisa. Especialmente se ela trabalha, tem filhos, marido e uma casa para cuidar. Nesse espaço um pouco escuro do shopping aproveitei cada um dos meus 120 minutos disponíveis.

Comecei deixando 2 raquetes dos meus filhos para encordoar. Depois, a poucos passos dali, fiz algumas cópias numa gráfica rápida. Mais alguns metros depois, deixei uma pulseira da minha filha para soldar. A pulseira já estava fazendo aniversário de 1 ano em minha bolsa! Caminhando com calma pelo corredor (notem que eu estava andando com calma, outra raridade), vejo um quiosque que vendia cartuchos para impressora. Em casa estou sem poder imprimir há mais de 2 meses por falta de tinta! Em 5 minutos saio feliz da vida com os cartuchos, preto e branco e colorido,  dentro da bolsa.

Já são mais de 4 da tarde e sinto um pouco de fome. Nada melhor que um lanche saudável. Desço a escada rolante, agora estou no segundo subsolo. Paro numa loja de produtos naturais e como uma deliciosa e revigorante salada de fruta. Ter tempo para comer já é um privilégio e, se for uma coisa que faz bem então, é um luxo. Lembro-me de que as raquetes devem estar prontas e volto à loja para retirá-las. Pronto, raquetes na mão. Ops, estava me esquecendo da pulseira que ficou para soldar. Passo lá e pego a pulseira. Que bom, chegarei em casa com a pulseira consertada.

Olho para o relógio e já estava na hora de ir à Polícia Federal para a renovação do meu passaporte. Entrego meus documentos e em 5 minutos sou atendida. Mais 10 minutinhos, tudo resolvido. Nem acredito, burocracia zero.

2 horas e 6  tarefas da lista “to do” ticadas: raquetes, ok, cópias na gráfica, ok, solda da pulseira, ok, compra de cartuchos, ok, lanche, ok, passaporte, ok. Saio do shopping com uma sensação de dever cumprido, de tempo bem gasto, de alívio. Penso um pouco sobre porque sinto tanta satisfação em fazer coisas tão pequenas… De repente descubro que minha felicidade faz muito sentido. Riscar tarefas da nossa lista de tarefas é como ir descarregando uma mochila cheia de pedras, bem pesada, que se carrega nas costas. A cada pedra que tiramos, o alívio vai aumentando. Se saem todas, alívio total. Foi assim que me senti, aliviada e, mais do que tudo, vitoriosa.

Saio de lá com vontade de ter outras 2 horas para usar outros serviços do mesmo andar: consertar meu liquidificador, fazer uma massagem, fazer as unhas e trocar as baterias dos 3 relógios que estão “mortos” dentro do meu armário.

Curiosas para saber onde era esse paraíso? Nem é o shopping que mais gosto, mas a área de serviços é imbatível e poderia ser renomeada de “corredor das equilibristas”: é o subsolo do Shopping Eldorado. Vale conferir a dica!

Mulheres se perdem nas urgências!

[Christian Barbosa]

Ele é jovem, tem apenas 28 anos, mas abriu sua primeira empresa aos 14, na área de tecnologia! Formado em ciência da computação com ênfase em matemática, mudou sua vida por conta de um problema de saúde. Aos 19 anos, trabalhando de segunda a sexta-feira, caiu gravemente doente e foi aconselhado pelo médico a fazer yoga ou um curso de gestão do tempo. Foi matriculado pela secretária, assistiu ao primeiro curso de um consultor americano e se apaixonou pelo assunto. Estudou em profundidade, se tornou um especialista em gestão do tempo e produtividade pessoal e empresarial e de uma extensa pesquisa lançou o livro A Tríade do Tempo (já vendeu mais de 1 milhão de exemplares!). Ano passado, mais de 5000 mulheres no Brasil todo responderam à pesquisa Mulheres, Problemas e Necessidades de Gestão de Tempo, que dá base ao livro Você, Dona de Seu Tempo (veja em dicas). No final de outubro, Christian falou com o site Vida de Equilibrista (importante: ele também leu o livro da Cecília!!). 

Christian Barbosa: O problema da falta de tempo no universo feminino é realmente assustador, eu nunca tive a intenção de fazer um livro específico para mulheres, mas três editoras fizeram uma pesquisa de mercado e sentiram que era um tema de interesse. Acabamos comprovando na pesquisa com mais de 15 mil pessoas a diferença no uso do tempo entre homens e mulheres. E o livro realmente mudou minha vida e minha percepção sobre o tema.

Vida de Equilibrista: Entre homens e mulheres, quais as diferenças mais salientes no uso do tempo?

CB: Em primeiro lugar, a mulher tem uso do tempo mais focado nas urgências do que os homens. A tríade do tempo é uma trindade de conceitos composta por Importante, ou seja, as coisas de que eu gosto, que tenho tempo para fazer e que sempre me trarão resultados, Urgente, coisas feitas com pressão, estresse, correria, mas que trazem resultado, e Circunstancial,  coisas que não agregam valor, que fazemos sem querer ou por excesso, ou melhor, tempo jogado no lixo. Na pesquisa, constatei que nas mulheres o uso do tempo acontece na seguinte proporção: 30% importante, 40% urgente e 24% circunstancial. Nos homens essa divisão é 27%, 36% e 35%. O ideal é que o importante ocupe mais de 60% da sua agenda e os outros, bem menos.

VDE: O que esta proporção indica, no lado feminino?

CB: Fica claro que a mulher não tem tempo para o circunstancial, mas sempre corre com as coisas urgentes. Isso é causado pelo volume de papéis que ela desempenha. A decorrência disso são problemas de saúde… já se comprovaram aumento do infarto, além de gastrites, úlceras e dores de cabeça. Na pesquisa fui também a salão de beleza, reunião de escola etc. e perguntei às mulheres se elas estavam estressadas. Todas responderam que sim. Além disso, na pesquisa em geral, 61% disse que não consegue equilibrar vida pessoal e profissional. 17% das mulheres gostariam de ter mais tempo para si mesmas e 66% das mulheres admitem a dificuldade de dizer não. Esta é outra característica marcante, para aumentar o tempo com os filhos, família ou trabalho, ela tira tempo de si (o salão, a academia, um curso). O homem não se anula, é mais egoísta no uso do tempo, mas é um egoísmo saudável… o futebol com os amigos é sagrado. Quanto mais tempo gasta consigo, mais energia ele recupera. 

VDE: A maneira como a mulher administra o tempo tem vantagens e desvantagens, você poderia falar sobre isso?

CB: Acho que a única vantagem é que ela é mais multitarefa. Consegue fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo. Homem é monotarefa, homem gripado não trabalha… faz uma coisa por vez. Como na urgência elas cumprem aquilo que está gritando mais, isso se reflete em menos tempo para os filhos e o marido. Elas não têm método para administrar o tempo.

VDE: Existem formas de administrar melhor o tempo específicas para as mulheres?

CB: Claro que existem dicas específicas. Se ela precisa ter mais tempo para os filhos e o marido, deve ter uma conversa em família para criar uma rotina, um planejamento. Também precisa entrar em acordo com seu biorritmo, que é mais flutuante. Tem momentos de extrema produtividade e na TPM, quando está menos produtiva, deve programar só 50% de suas atividades, assim consegue cumpri-las.

VDE: Você acredita que é possível a mulher moderna encontrar  o equilíbrio?

CB: A gestão de tempo é uma ciência, ela funciona. Se não funcionar, é porque ela está aplicando as técnicas de forma errada. O resultado é muito positivo, mas não é para todas. Existem 4 tipos de perfis na gestão de tempo entre mulheres: a Mulher maravilha,  que está sempre correndo para dar conta e gosta disso, a Supernanny, que delega tudo o que for possível para terceiros, a Perfeccionista, que se adequa melhor às técnicas de gestão de tempo e a Espontânea, que detesta regras e acaba sendo mal sucedida na administração do tempo. 

VDE: Na pesquisa realizada, qual a maior queixa das mulheres?

CB: Da falta de tempo para elas. “Não tenho tempo para fazer tudo o que quero, não tenho tempo pra mim.” Só 42% das mulheres acham que estão evoluindo, o restante está apenas agindo e isso é muito ruim. Dessa forma ela anula seus sonhos e objetivos, e ainda admite que se fosse reduzir algo, seria trabalho e carreira.

VDE: Você administra o tempo em família?

CB: Sou casado e tenho dois filhos, de 9 e 2 anos.  Consigo ter um bom equilíbrio familiar, pois aplico tudo o que eu estudei. Não acredito em atores, que falam e não fazem. Se eu não tiver tempo para mim, paro de dar consultoria na área. Minha mulher é psicóloga e às vezes me pede para ajudá-la a planejar a semana. Nós também fazemos planejamento junto com as crianças. Ano passado estabelecemos a meta de ir para a Disney em 2008, que foi cumprida este ano.

VDE: Tem alguma dica para aumentar o tempo de convívio com os filhos?

CB: Não acredito naquele mote de que qualidade é melhor do que quantidade, quando você se importa com alguém, sempre vai querer quantidade. Mas eu defendo a periodicidade. Isso significa constantemente reservar um tempo para momentos de qualidade, independentemente da quantidade. Por exemplo, estipule que todo dia, ao chegar do trabalho, após jantar tirará 20 minutos para ficar com seus filhos de verdade, isso significa desligar a TV, tirar as preocupações da cabeça e se focar em ouvir, brincar, ler, desenhar, ajudar na lição de casa. Descubra algo que você gosta de fazer em conjunto com eles, isso tornará esse tempo ainda mais agradável. Nos sábados e domingos, aumente a dedicação. Mas mantenha a constância, senão um dia vai perceber que se formou um buraco entre você e seus filhos! E isso vale para pai e mãe!

VDE: A tecnologia ajuda ou atrapalha na administração do tempo?

CB: Costumo dizer que ela veio para resolver problemas que você não tinha. Mas depende. Para a mulher tradicional, a tecnologia atrapalha. Para a mista (que lida com papel e tecnologia) vai ajudar e para a high tech… é a praia dela. Defendo no livro que o mais importante não é a ferramenta, e sim o método.

VDE: Como o conceito de Tríade do tempo pode ser útil para as mulheres?

CB: A melhor forma é descobrir sua tríade primeiro. Se você acessar o site   www.triadedotempo.com.br e responder algumas perguntas, vai descobrir qual a sua.

VDE: Fale sobre o personagem “o Equilibrista” que você cita no livro A Tríade do Tempo.

CB: São três composições diferentes nesse livro, o Equilibrista é aquele que se equilibra entre muitas coisas urgentes e circunstanciais, ou seja, é aquela pessoa se sente sugada no final do dia, pois investiu muito tempo em coisas erradas, que não dão resultado.

VDE: Qual sua mensagem para as “Equilibristas”, as mães que trabalham?

CB: Temos que viver nosso tempo com sabedoria, o equilíbrio na verdade está dentro da gente. Vale a pena descobrir o que é importante para você e tentar dedicar mais tempo para isso.

Se você quiser ler mais sobre as idéias de Christian Barbosa, acesse o site www.triadedotempo.com.br e o blog www.maistempo.com.br.