A luta continua

É cada vez mais comum vermos mulheres liderando empresas ou em cargos de alto escalão. São inegáveis as conquistas femininas nesse campo e isso nem é mais tão notícia assim. Mas o que ainda surpreende é quão pouco as mulheres caminharam na divisão de tarefas. Todos os dados que leio relacionados à carga horária das mulheres dentro de casa apontam para a mesma direção: a mulher soube entrar nas empresas mas não soube delegar a casa ao marido. Cabe ainda às mulheres, com exceção das muitos ricas (que pagam para alguém cuidar disso), ter a dupla jornada, trabalhando muito dentro e fora de casa. Hoje, lendo ao jornal Estado de São Paulo, o sociólogo pesquisador da Universidade de Brasilia, Marcelo Medeiros, aborda muito bem esse ponto, fazendo-me refletir sobre uma ideia: ainda há muito o que mudar no que se refere à igualdade entre homens e mulheres. Aceita-se muito bem mulheres presidindo empresas mas poucos homens são corajosos o suficientes para serem “apenas” donos de casa. Ainda prevalece sobre eles o estereótipo do provedor. Ele pode até  “dar uma mão” nas tarefas da casa mas essa gestão ainda é feminina.

Não sou defensora da igualdade absoluta entre gêneros mas sim a favor da liberdade de escolha. Nesse quesito acho que tanto homens como mulheres ainda vivem numa encruzilhada. Mulheres porque não se libertaram das tarefas da casa, apesar do excelente desempenho no mundo corporativo. Homens porque sentem-se pressionados para produzir “fora de casa” e sentem-se impedidos de fazer uma outra opção, que não essa.

Pois é, para quem acha que muitas mudanças rolaram, sem dúvidas, isso é inequívoco. Mas a luta ainda continua. Para elas e para eles.

Novo livro! O olhar de nossos filhos sobre nossas vidas de equilibristas

Estudo inédito realizado com 500 crianças e jovens, de 6 a 22 anos, da classe AB, na cidade de São Paulo, mostra a realidade dos filhos diante da entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho.

As inquietações são sempre as mesmas quando as mulheres assumem a maternidade sem abrir mão da vida profissional. Elas se tornam “equilibristas” na tentativa de conciliar várias atividades. Mas surgem, inevitavelmente, vários questionamentos quando os filhos estão envolvidos nesse processo. Qual o impacto na vida do meu filho a partir do momento que optei por trabalhar fora e dedicar menos tempo a ele? Será que ele é ou será feliz?

Para obter uma leitura mais realista do que passa na cabeça e coração desses filhos diante do dilema das mulheres modernas, a psicóloga, escritora e mãe, Cecília Russo Troiano, ouviu 500 crianças e jovens, de 6 a 22 anos, sendo metade filhos de mães que trabalham e metade de mães que não trabalham fora, da classe AB, na cidade de São Paulo. A pesquisa combinou análises qualitativas e quantitativas. Também foram entrevistados diversos profissionais que se relacionam direta e indiretamente com esses jovens (pediatra, professoras, terapeutas, entre outros).

Esse estudo deu origem ao livro “Aprendiz de equilibrista: Como ensinar os filhos a conciliar família e carreira”, que a Editora Évora lançará dia 14 de abril, na Livraria da Vila – Rua Fradique Coutinho, 915, pelo selo Generale. É um projeto inovador, pois mostra pela primeira vez na literatura brasileira o olhar dos filhos sobre o fenômeno social da entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho. O livro discute o tema abordando duas óticas: uma relacionada à vivência do presente e outra ao projeto de futuro dos filhos. Cada uma dessas óticas constituirá uma parte do livro. Também é proposta da autora trazer as principais questões relacionadas a essas vivências e oferecer dicas concretas para pais e mães.

O livro apresenta pontos que identificam, longe dos rótulos de geração A, B, X, Y ou Z, os jovens que convivem com a realidade dos pais e que já aprenderam a se manter e a conciliar a rotina de atividades escolares e extracurriculares, mas com qualidade de vida. Mostra ainda que os pais estão conseguindo, por sua vez, atingir com êxito o maior dos desafios: formar cidadãos conscientes do papel na sociedade desde a mais tenra idade, se isso é bom ou ruim cada um vai ter que apostar para saber, mas certamente a geração que está sendo formada faz parte de uma elite que não desanima por qualquer coisa e que desafios serão sempre preconizadores do sucesso em qualquer empreitada.

Mas não há só o lado da mãe que trabalha em “Aprendiz de equilibrista”, em dado momento a autora exemplifica sua pesquisa com a postura masculina e traz como exemplo o comportamento de um pai equilibrista que pode ser bem enaltecedor – o de Barack Obama – onde explica que o presidente fecha a agenda na Casa Branca para marcar presença em ocasiões importantes como um recital de flauta de Malia ou um jogo de futebol de Sasha. “O presidente da nação mais poderosa do mundo serve como exemplo de uma geração de homens que estão cada vez mais envolvidos com a vida familiar”, destaca Cecilia.