O apoio chega de elevador

[Monica H. Rodrigues]

“Comecei a minha carreira cedo, com 18 anos já era secretária trilíngue em uma multinacional alemã e fazia faculdade de administração à noite. Hoje sou gerente administrativo-financeira em uma empresa química em Cajamar, a 55 km de São Paulo.

Muito por conta da carreira, demorei para casar e depois, para ter filhos. Achava que teria filho e pararia de viver… ou seja, tinha oito anos de casada quando o mais velho nasceu.  Mas não quis largar o trabalho, sempre fui muito independente, nunca quis depender de marido. Depois tive mais um, que era planejado. Os outros dois vieram de brinde!!

Eu saio muito cedo por conta da distância do trabalho e as crianças vão e voltam de transporte para as duas escolas que frequentam.  Tenho duas empregadas que dão conta da casa pela manhã e, à tarde, das crianças. Elas fazem todas as atividades extra curriculares no condomínio, balé, judô, natação… Minha mãe mora no mesmo prédio, eu trabalho muito mais tranquila quando ela está por lá. Não que ela tenha obrigação ou passe o dia todo com elas, mas está sempre por perto. (leia o depoimento de Rosemarie no Papo de Equilibrista)

Outro dia minha filha perdeu o dente com raiz e tudo e quando eu soube, ela já estava na cadeira do dentista. Minha mãe costuma levar as crianças ao médico, ao ortodontista, a festinhas de aniversário. No horário comercial, com certeza, meus pais são meu grande apoio. Eles não mimam muito, pois com quatro é impossível, tudo é bem dividido. Acabam participando da educação, pois a lição de casa é feita na casa deles. Como meu marido não mora aqui durante a semana, pois trabalha em Catanduva, é bom ter meu pai por perto, pois ele é uma figura masculina e um avô muito presente.

Atualmente eu chego em casa por volta de 19h30, então dá para ficar mais um pouco com as crianças. Antes eu trabalhava em uma empresa em que o cedo era 20h30 e eu costumava chegar às 23h, quando já estavam dormindo há tempo. Isso marca as crianças, que até hoje me perguntam: Mami, você vai chegar cedo? Por isso, jamais marco compromissos à noite e meu final de semana é todo das crianças: não tenho empregada e dou sossego para os meus pais. 

Não me arrependo de ter demorado para ter meus filhos, pois já viajei para diversos lugares interessantes, já fui muito a festas. Não pulei nenhuma etapa. Vivi bem todas, não sinto falta de nada. Nunca pensei em largar a profissão, ela é uma conquista minha. Sempre gostei de trabalhar e de ser independente. Antes trabalhava para poder viajar, para comprar roupas… agora é tudo para eles, as prioridades mudam… Mas não tem problema, também me sinto realizada como mãe.

Monica H. Rodrigues é gerente administrativo-financeira em indústria química e mãe de Rafael, 6, Juliane, 5, Mariane, 4, e Victor, 2.

Obrigada aos avós

[Cecília Troiano]

Sempre digo para as pessoas que hoje sou privilegiada: meus pais moram, literalmente, atrás da minha casa. Com direito a uma portinha que dá acesso às duas casas. Muitas mães que trabalham fora provavelmente sonhariam com essa vantagem da proximidade. Especialmente se pensarmos numa cidade grande. Também sei que estar próxima pode trazer outros problemas, mas olhando para o lado bom da coisa, que no meu caso, é bastante grande, considero-me abençoada.

Nem sempre foi assim. Quando meus filhos nasceram, meus pais moravam em um bairro e nós em outro, não tão próximo. Sei bem o que é não ter os pais à mão quando se precisa. Mas há uns 7 anos tenho a felicidade de ter meus pais por perto. Meu marido foi um grande incentivador dessa proximidade com os sogros!

Mas, apesar de estarmos próximos, no dia-a-dia, meu marido e eu optamos por não “dividir” tarefas relacionadas às crianças com meus pais. No nosso caso, todos os dias meu marido e eu negociamos quem fará o quê relacionado a nossos filhos. Quem de nós dois levará ou pegará na escola, quem buscará no clube, se a condução precisará ser acionada. Enfim, todo dia checamos nossas agendas profissionais e negociamos quem faz o quê. Hoje, nossa atividade profissional permite isso e procuramos usufruir de mais essa abertura que nossas carreiras permitem. Eu, como mãe, gerencio essa distribuição de tarefas, mas conto integralmente com a participação do meu marido.

Voltando aos avós, também meus pais são pessoas bastante ativas, com atividades profissionais e pessoais próprias. Eles não tem nenhuma obrigação diária ou semanal fixa, como ir buscar na escola, levar ao clube ou ficar com nossos filhos até chegarmos em casa à noite. Por outro lado, só de saber que eles estão por perto é uma tranquilidade para nós que não tem preço. Nós sabemos que, se necessária, a retaguarda dos avós está garantida. Numa viagem do casal ou numa esticada noturna, meus filhos buscam imediatamente abrigo na casa dos avós. E adoram a folia e os mimos da casa dos meus pais!

Vale deixar registrado um agradecimento especial a todos os avós. Sem eles, sem dúvida, a vida das mães que trabalham fora, e dos pais, seria bem diferente. Principalmente bem mais complicada e com muito mais insegurança.