A luta continua

É cada vez mais comum vermos mulheres liderando empresas ou em cargos de alto escalão. São inegáveis as conquistas femininas nesse campo e isso nem é mais tão notícia assim. Mas o que ainda surpreende é quão pouco as mulheres caminharam na divisão de tarefas. Todos os dados que leio relacionados à carga horária das mulheres dentro de casa apontam para a mesma direção: a mulher soube entrar nas empresas mas não soube delegar a casa ao marido. Cabe ainda às mulheres, com exceção das muitos ricas (que pagam para alguém cuidar disso), ter a dupla jornada, trabalhando muito dentro e fora de casa. Hoje, lendo ao jornal Estado de São Paulo, o sociólogo pesquisador da Universidade de Brasilia, Marcelo Medeiros, aborda muito bem esse ponto, fazendo-me refletir sobre uma ideia: ainda há muito o que mudar no que se refere à igualdade entre homens e mulheres. Aceita-se muito bem mulheres presidindo empresas mas poucos homens são corajosos o suficientes para serem “apenas” donos de casa. Ainda prevalece sobre eles o estereótipo do provedor. Ele pode até  “dar uma mão” nas tarefas da casa mas essa gestão ainda é feminina.

Não sou defensora da igualdade absoluta entre gêneros mas sim a favor da liberdade de escolha. Nesse quesito acho que tanto homens como mulheres ainda vivem numa encruzilhada. Mulheres porque não se libertaram das tarefas da casa, apesar do excelente desempenho no mundo corporativo. Homens porque sentem-se pressionados para produzir “fora de casa” e sentem-se impedidos de fazer uma outra opção, que não essa.

Pois é, para quem acha que muitas mudanças rolaram, sem dúvidas, isso é inequívoco. Mas a luta ainda continua. Para elas e para eles.

Trabalhar ou não? Depende…

Tenho certeza de que muitas mães já se colocaram, em algum momento de suas vidas, essa questão: vou ou não trabalhar fora? E muito poucos pais sequer trouxeram para seus “radares” esse questionamento. Ainda há espaço para as mulheres se colocarem essa dúvida. No entanto, a resposta não é nada simples. Aliás, tenho certeza de que não há uma única resposta. Para ser mais honesta, a melhor resposta que eu daria para alguém que me pedisse algum conselho a partir dessa pergunta é: depende.

E acredito mesmo nisso, depende de muitas coisas. Por conta disso, resolvi relacionar o que, na minha opinião, deve ser considerado para que a decisão seja o mais madura possível. Aí vão  6 questionamentos que acho que valem a pena ser considerados:

  1. Sua família depende ou será bastante favorecida economicamente com sua atividade profissional?
  2. Independentemente de outras questões, você sente falta de trabalhar fora ou se sente 100% abastecida com suas atuais atividades?
  3. Seu marido é alguém que te apoia nessa empreitada de trabalhar fora e estaria disposto a dividir as responsabilidades da casa e da família com você, agora que ambos estarão trabalhando fora?
  4. Você já tem um esquema organizado para seus filhos ou consegue montá-lo para que você consiga delegar algumas atividades relacionadas a eles?
  5. Você se sente segura para ficar mais distante da casa e dos filhos, nas horas em que estiver trabalhando?
  6. Você sente que seu potencial profissional está sub-utilizado se não exercer alguma atividade profissional?

Certamente, cada uma dessas perguntas nos faz pensar um bocado. Responder sim ou não para cada uma delas não é e acho que nem deveria ser tão simples. Claro, para quem responde sim ou não para todas as questões, a decisão é fácil: sair correndo para trabalhar no primeiro caso ou optar por deixar a carreira de lado no segundo. Mas nem sempre as respostas são pretas ou brancas. O mais comum é respondermos sim para umas e não para outras…E aí, o que devemos fazer? Depende…

Ou seja, não acredito que essa seja uma decisão fácil, especialmente para as mães de filhos menores. Com essas perguntas acho que quis mesmo é propor uma reflexão. Mostrar que vale mesmo a pena parar e pensar. Não agir apenas porque “é bacana trabalhar fora” ou porque “meus filhos ficarão muito mal sem mim”.  A decisão de trabalhar ou não trabalhar fora, se não for algo compulsório para um lado ou outro, merece nossa total atenção. Afinal, de um jeito ou de outro ela mexe conosco e com toda a família.

Também é importante considerar que essa decisão pode ser temporária e refazer esses questionamentos de tempos em tempos pode ser bem proveitoso. Afinal, o que era bom um dia pode não ser mais . Depende, certo?

Mulheres mais educadas, homens mais assustados

Será que homens aguentam ter mulheres parceiras que sejam mais poderosas do que eles? Será que os tempos estão mudando e isso já não abala tantos os homens? Será?

Uma análise do censo americano, publicada em 19 de janeiro deste ano no jornal The New York Times, mostra que mulheres que ganham mais que seus companheiros e têm papéis invertidos nas funções tradicionais do casal, encontram mais dificuldades em estabelecer uma relação afetiva duradoura.  O censo americano analisou mulheres entre 30 e 44 anos e constatou que muitos homens estão ficando atrás das mulheres em termos de formação educacional. Ou seja, as mais bem educadas conseguem posições de maior destaque nas empresas. Em contrapartida, aumentam suas dificuldades de encontrar parceiros que lidem bem com essa diferença.

Os números comprovam esse crescente descompasso. Em 1970, nos EUA, 28% das esposas tinham maridos que possuíam nível escolar mais elevado que elas e 20% eram casadas com homens menos educados.  Além disso, 4% dos maridos tinham mulheres que ganhavam mais do que eles.  Em 2007, os dados comparáveis mudam para 19% , 28% e 22%, respectivamente.

O que se vê então, pelo menos nos EUA: uma inversão bem clara apontando para mulheres ganhando mais do que homens, fruto de uma formação escolar superior.

Aterrissando no Brasil, hoje, nas universidades brasileiras a proporção de mulheres x homens é de aproximadamente 60% x 40%.  Ainda lutamos pela paridade salarial entre gêneros mas esse contingente maior de mulheres brasileiras educadas, fatalmente, pressionará cada vez mais nessa direção.

Não são poucos os exemplos de mulheres que conheço, superinteressantes e bem sucedidas, que encontram dificuldades para encontrar homens que “aguentem” conviver com elas.

Precisamos, urgentemente, discutir esse tema e buscar alternativas para que esse mal estar contemporâneo encontre uma solução adequada.

Um brinde à parceria

[Maggi Krause e Mauricio Vilhena]

A tarefa era a seguinte: as equilibristas editoras deste site bolaram um questionário que deveria ser respondido em separado e em sigilo por cada um dos parceiros dessa jornada diária entre trabalho, filhos, casa e relacionamento. Cada um cumpriu sua missão e enviou ao outro as respostas por e-mail, para só depois discutir o assunto. Seria uma oportunidade para Maggi e Mauricio perceberem alguma divergência ou colocarem a limpo os pratinhos. Não precisou: as respostas falaram por si mesmas.

1 – Como é sua rotina (de trabalho, em relação à organização da casa, à agenda dos filhos, às atividades conjuntas de casal)?

Maggi: De manhã, nos dividimos para levar as crianças à escola, mas como o Mauricio está em Curitiba 3 vezes por semana, está sobrando mais pra mim.  A nova vida de home office permite me envolver mais quando eles chegam em casa, vão à natação ou, de vez em quando, recebem amigos na sexta-feira à tarde. Nossas atividades conjuntas acontecem principalmente nos finais de semana, e as do casal sozinho dependem de deixarmos os meninos com os avós, o que é bem tranqüilo. Acho que a rotina está bem balanceada e um ajuda o outro no que pode.

Mauricio: Quando estou em São Paulo levo os meninos para a escola, ajudo com banho e comida… Nos finais de semana sou eu quem levanto cedo para ajudar-los com comida e diversão, faço as compras de supermercado e padaria uma vez que acho isto mais interessante do que ela (para mim é trabalho mas diversão ao mesmo tempo, desde que seja agendado… tipo tem que fazer até o final da semana, odeio quando ligam pedindo para fazer naquele momento…). O peso ainda é maior para a minha mulher, considero que ajudo em 45% com os filhos e uns 35% na casa…

2 – Como é feita a divisão de tarefas? Levou tempo para chegar a esse arranjo ou acordo? Entre os dois, a combinação foi fácil, difícil, discutida, planejada?

Maggi: A divisão agora mudou um pouco em função do trabalho dele em Curitiba, mas acontece quase naturalmente. Quando preciso fazer uma entrevista no final da tarde, ele busca as crianças, dá banho, jantar, enfim, resolve tudo. Nos dias em que não está em Curitiba consegue ajudar mais por não ter horário fechado e também trabalhar em casa.  Em contrapartida, estou mais disponível para as crianças e com salário menor que o anterior, o que acaba sobrecarregando o Mauricio nesta parte financeira do casal… 

Mauricio: Em consenso… acho que foi rápido e natural. Sempre que achamos que a divisão está ruim para alguma das partes, renegociamos, reclamamos e nos entendemos.

3 – Quem é o mais equilibrista? Se você também perguntasse isso a seus filhos, quem acha que eles apontariam?

Maggi: Acho que eles ficariam perdidos com a pergunta, até por serem muito pequenos. Ambos passamos a imagem de que os dois se ajudam e podem fazer todas as tarefas, o Mauricio sempre se envolveu em todas as rotinas (fralda, comida, banho, brincadeira, bronca…)

Mauricio: Acho que os dois, mas com certeza ela é mais e eles deveriam apontá-la.

4 – Quais as vantagens e desvantagens de um casal equilibrista? Vale a pena a divisa de tarefas e a cooperação? Por quê?

Maggi: Acho que vale muito a pena principalmente pela imagem de pais que queremos passar para os nossos filhos. Eles são meninos e acho que o desafio é criar a nova geração para aceitar como natural esse balanceamento das funções. Quero que eles cresçam já com o objetivo de oferecer ajuda e dividindo igualmente e não que esperem alguém pedir. A palavra ajuda, no meu ver, deve ser substituída por “divisão igualitária de responsabilidades e de tarefas”.

Mauricio: A vantagem é a cumplicidade com a mulher e com a família. Isso  aproxima, gera mais alegrias e também momentos de estresse. Mas não imagino fazer de outra maneira. Sou de uma família de 4 filhos homens onde à noite, quando não tínhamos empregada, o meu pai lavava a louça… Fomos criados para meter a mão na massa em tudo. Não gosto que façam o meu prato de comida e muito menos que arrumem meu armário ou minha mala de viagem.

5 – Dê sua dica para outros casais equilibristas.

Maggi: Sinto que fica menos pesado se cada um se dedica ao que mais gosta… Se ele curte fazer compras, deixe fazer. Percebo em muitos casais que a mulher não quer perder a posição de poder na casa, ela é centralizadora e gosta de cuidar de tudo. Não ter talento para dona-de-casa (como no meu caso) às vezes ajuda, faz com que o marido assuma responsabilidades de que elas não costumam abrir mão. É preciso mais flexibilidade e menos perfeccionismo – mas acho que isso vale para tudo na vida, né?

Mauricio: Conversar e setar as expectativas é fundamental. Mulheres e homens não reagem da mesma maneira em praticamente tudo! Se você não deixar claro qual a expectativa, ambos vão se frustar. As mulheres devem deixar mais claro o querem. E os homens devem prestar mais atenção nos sinais indiretos que elas dão quando não estão satisfeitas… 

Maggi Krause é jornalista free-lancer e Mauricio de Vilhena, gerente de marketing. Ambos se alternam nos cuidados com Tiago (6 anos) e André (3 anos).

Nada de “Job description”

[Cecília e Jaime Troiano]

A tarefa era a seguinte: as equilibristas editoras deste site bolaram um questionário que deveria ser respondido em separado e em sigilo por cada um dos parceiros da jornada diária entre trabalho, filhos, casa e relacionamento. Cumprida a missão, surpresa: ao serem colocadas lado a lado, as respostas de Cecília e Jaime Troiano não diferem tanto assim e levam às mesmas conclusões. Prova de que os dois, além de equilibristas, são afinados! 

1 – Como é sua rotina (de trabalho, em relação à organização da casa, à agenda dos filhos, às atividades conjuntas de casal)?

Cecília: Levantamos bem cedo, todos os dias às 5:30h. Cada um leva um dos filhos à escola (eles estudam em escolas diferentes). Depois, em alguns dias pela manhã faço musculação, em outros corro e em outros vou mais cedo para o escritório. Nos dias em que posso, pego os filhos na escola. Invariavelmente, umas ou duas vezes por semana dou aquela passada básica no supermercado. Normalmente chego em casa à noite, para ajudar em alguma lição pendente. Jantamos sempre os 4 juntos, por volta das 20hs. É a hora de conversarmos um pouco. Dormimos todos bem cedo. Isso é o básico, mas na verdade tem mais exceções do que regras rígidas.

Jaime: Complexa e cansativa. Acordo às 5:30 hs de segunda a sexta. Sábados e domingos ao redor das 7:30 hs. Gosto de algumas coisas na arrumação da casa: em especial, arrumar a cozinha e lavar louça. Embora a Cecília seja a gerente plena da casa e da agenda dos filhos, eu não sou um encostado. Levo minha filha à escola duas vezes por semana, o meu filho uma ou duas também, ajudo nas dúvidas de algumas matérias. O tempo que sobra é para o casal. Não tem sobrado muito não. Mas quando sobra é muito bom.

2 – Como é feita a divisão de tarefas? Levou tempo para chegar a esse arranjo ou acordo? Entre os dois, a combinação foi fácil, difícil, discutida, planejada?

Cecília: A divisão é feita quase todo dia. Não é tão rígida. Vemos qual dos dois pode ajudar mais naquele dia e aí definimos quem faz o quê. Acho que gostamos de estar com os filhos e fazemos o máximo possível para estar com eles mais vezes. Aliás, tem dia que sai até “briga” para ver quem leva, pois os dois querem ficar perto dos filhos. Uma tarefa é certa: meu marido adora lavar louça e arrumar a cozinha. Nos fins de semana ou se não temos empregada, ele é quem opera essa área. Outra divisão certa: lições de matemática, química e física são com o Jaime!

Jaime: Acho que já dei um pitaco na resposta anterior. Esse acordo/arranjo foi se estruturando gradualmente. Sinto que faço muito mais hoje do que fazia quando os filhos eram menores. Pelo menos, é o que sinto. Não houve um planejamento formal para que as coisas acontecessem assim.

3 – Quem é o mais equilibrista? Se você também perguntasse isso a seus filhos, quem acha que eles apontariam?

Cecília: Acho que sou eu e creio que as crianças também diriam isso. Como cuido mais da casa deve dar essa impressão para eles.

Jaime: Perguntinha desnecessária! É lógico que é a Cecília. Digamos que ela consegue equilibrar 10 pratinhos. Usando esse número 10  como referência, eu diria que sou 3, no máximo. Quando ela viaja, fica claro como sou pouco hábil nessa arte do equilíbrio. Se eu perguntasse aos garotos, eles não dariam esse placar: 10 X 3. É mais provável que dessem algo como 10 X 1. Não me sinto mal com isso. Acho que já fui muito pior como equilibrista.

4 – Quais as vantagens e desvantagens de um casal equilibrista? Vale a pena a divisão de tarefas e a cooperação? Por quê?

Cecília: Sem dúvida, a combinação de esforços do marido e esposa é muito benéfica para todos. Só vejo vantagens de ambos serem equilibristas, para nossas vidas e também para as de nossos filhos. Não imagino uma vida diferente para nós e nem acho que nossos filhos gostariam.

Jaime: É lógico que vale a pena. Principalmente, quando essa armação é fruto de um encontro ou de um entendimento natural. Nada de traçar “job descriptions” para cada um. A coisa precisa fluir naturalmente. Mesmo em residências onde só há um equilibrista, normalmente a mulher, muitas vezes as coisas funcionam harmonicamente. Não se sei a tendência a ter dois equilibristas é a receita da felicidade geral. Talvez sim para alguns casais. Mas não pra todos.

5 – Dê sua dica para outros casais equilibristas. 

Cecília: Conversar bastante e dividir tarefas. Não dá para fazer tudo sozinha, uma hora estoura.

Jaime: A dica é a seguinte: não jogue pra torcida. Equilibre somente os pratinhos de que você realmente gosta e sabe manter. E para homens, a mensagem é: trate sua equilibrista como sua namorada!

Cecília e Jaime Troiano, além de dividir responsabilidades em casa, também fazem isso na empresa, a Troiano Consultoria de Marca.

Cooperação e harmonia

[Sandra e Pedro]

A tarefa era a seguinte: as equilibristas editoras deste site bolaram um questionário que deveria ser respondido em separado e em sigilo por cada um dos parceiros dessa jornada diária entre trabalho, filhos, casa e relacionamento. As respostas mostram que a rotina de Sandra e Pedro é de muito trabalho fora de casa, mas também de tarefas partilhadas, principalmente no final de semana.

1 – Como é sua rotina (de trabalho, em relação à organização da casa, à agenda dos filhos, às atividades conjuntas de casal)?

Sandra: Saio de casa às 07:15 hs, deixo as crianças na escola, vou direto para o trabalho, e retorno para casa às 21:00 hs. Toda a organização da casa e a agenda das crianças administro por telefone em conjunto com duas pessoas que trabalham em casa. Dividimos as reuniões de escola e algumas tarefas mais trabalhosas como supermercado bimestral. O acompanhamento de escola (lição de casa) das crianças fazemos juntos no final de semana.

Pedro: Trabalho em São Paulo (Vila Olímpia) e viajo diariamente para o escritório. São mais de 100 Km todos os dias, incluindo visitas a clientes. Saio de casa geralmente por volta das 7h20, duas vezes por semana levo meus filhos para o colégio. O trânsito me rouba umas 2h30 do tempo diariamente. Trabalho até as 20h e geralmente volto direto para casa quando não tenho algum jantar ou happy-hour. Geralmente às sextas-feiras vamos ao cinema (eu e esposa) e jantamos. Procuro participar de atividades das reuniões do colégio, mas poucas vezes consigo chegar a tempo. Nos finais de semana curtimos nossa casa com os filhos e apoiamos as agendas deles, levando-os aos aniversários e festas. Geralmente abrimos nossa casa para receber parentes e amigos para churrascos, encontros e festas.

2 – Como é feita a divisão de tarefas? Levou tempo para chegar a esse arranjo ou acordo? Entre os dois, a combinação foi fácil, difícil, discutida, planejada?

Sandra: As tarefas fora do trabalho são normalmente de minha responsabilidade para que não tenha maiores discussões, portanto acho que a combinação é difícil, normalmente tento planejar para encaixar da melhor maneira na agenda dos dois.

Pedro: A Sandra administra nossa casa. Responsável pelo RH dos colaboradores (rs) e compras do dia-a-dia, apesar de que eu ajudo na compra mensal, mais pesada. Ela acompanha as atividades das crianças  mais de perto. Eu sou responsável pela manutenção da casa. Muitas vezes me divirto aos finais de semana trocando lâmpadas, arrumando varal e coisas quebradas. Esse acordo de tarefas buscou acompanhar as afinidades de cada um. Não tivemos problemas para implantá-lo.

3 – Quem é o mais equilibrista? Se você também perguntasse isso a seus filhos, quem acha que eles apontariam?

Sandra: Eu acho que sou a mais equilibrista, mas não saberia dizer se os meus filhos teriam esta percepção.

Pedro: Certamente a Sandra.

4 – Quais as vantagens e desvantagens de um casal equilibrista? Vale a pena a divisão de tarefas e a cooperação? Por quê?

Sandra: Ter o casal trabalhando fora de casa aumenta a renda familiar, possibilita melhora no padrão de vida, desde necessidades pessoais até educação dos filhos. Porém, a mulher ainda é a maior responsável pelas tarefas de casa. Acho imprescindível a cooperação até para que possamos ter um “equilíbrio” na vida pessoal.

Pedro: A vida de casais modernos requer muita cooperação, uma vez que o casal trabalha, tem carreira profissional, tem que cuidar dos filhos e administrar a casa. Vejo somente vantagens, pois podemos dividir as experiências pessoais e profissionais e não concentrar a responsabilidade em somente uma pessoa.

5 – Dê sua dica para outros casais equilibristas. 

Sandra: A harmonia do casal tem que ser a prioridade. Com isso temos que entender um ao outro, respeitar a liberdade de cada um e compartilhar sempre os assuntos que estão incomodando.

Pedro: Se pudesse dar uma dica eu diria que sempre devemos lembrar de cuidar da saúde amorosa do casal, nunca esquecendo que a rotina e o dia-a-dia pode comprometer a estrutura do casal e desequilibrar os pratinhos, levando-os à queda.

Sandra, executiva em um banco, e Pedro,  empresário, são pais de um casal de filhos.

A diferença que soma

[Ana Dini]

Desde namorados, nós já fazíamos muitas coisas juntos, mas sempre cada um resolvendo um pedacinho.

Na preparação do casamento, por exemplo, enquanto eu me dispunha a cuidar dos preparativos da cerimônia, ele cuidava de colocar em ordem a casa onde íamos morar.

Ficamos quatro anos casados antes de eu engravidar. Quando o João chegou, sempre tive o sentimento de que precisava compartilhar o filho que não era só meu. Para o Dário também foi automático pegar para si algumas coisas, como agasalhar o menino, colocar um monte de babadores antes das papinhas. Ele é mais super protetor e eu sou um pouco aérea e aqui começa o nosso principal foco de equilibrismo.

Nossa rotina não é sempre igual, dois dias na semana acordo com ele e tomamos café juntos, nos outros três dias tomo café só com o João. No final de semana, ficamos os três juntos. Para as tarefas da casa temos a Sonia que nos ajuda, cuida da limpeza, do almoço e do jantar e das roupas. Nos finais de semana a Sonia não está, então dividimos as tarefas em três. Temos organizado uma listinha do que fazer e sorteado o que cada um fará, essa foi a forma que encontramos de o João participar da organização da casa e aprender a arrumar a sua cama, as suas coisas. Enfim, é divertido!

Em geral, fazemos juntos as compras de supermercado, mas muitas vezes um ou outro traz o que está faltando. Dividimos as despesas e os lucros, e embora já tenhamos passado por muitas situações financeiras complicadas, esse sempre foi um ponto que nos uniu.

O Dário trabalha o dia todo e viaja bastante, atualmente tem estado mais em São Paulo e isso facilita muito. Estamos juntos quase todas as noites, tenho compromisso em duas delas e por isso chego um pouco mais tarde. Nesses dias, o Dário janta com o João e o leva para a cama. Nos outros dias, jantamos juntos e eu levo o João para cama.

À noite o João gosta de brincar com o Dário, então acabo tendo um horário só para mim, quando estou em casa. Durante as manhãs, sou eu quem fico com o João, exceto duas vezes por semana (ele fica com a Sonia), quando tenho compromissos. Trabalho sistematicamente todas as tardes e o João também estuda à tarde. Vamos juntos para a escola e voltamos juntos.

Nos finais de semana ficamos sempre a três, procuramos priorizar o que é bom para o João e esse tem sido o nosso principal problema: como ele é filho único, tendemos a mantê-lo muito próximo de nós. E nós, enquanto casal, nos afastamos um pouco. Atualmente o João tem participado de festas de amigos e visitas em que a gente não precisa estar presente, temos aproveitado essas situações para retomarmos o nós.

Um casal que busca ser equilibrista junto tem como desvantagem o risco de misturar os papéis, invertê-los e se acostumar com isso, de tal maneira que nem se percebe onde começa o pai e onde termina a mãe. E então temos um problema, porque quando esses papéis não estão definidos, o filho fica sem saber que papel assumir.

Quando nos construímos conscientemente como mulheres ou homens (adultas e adultos) – mães, pais, profissionais – esse risco fica minimizado e aí só aparecem vantagens. Tudo é mais leve quando contamos verdadeiramente com alguém e poder ensinar como fazer isso aos nossos filhos é muito importante.

Descobrir o que cada um de nós tem de melhor, o quanto pode contribuir e que a diferença não subtrai, mas soma, isso é tudo de bom!

Ana Dini escreveu esse relato depois de discutir o assunto com Dário, seu marido. Ela é educadora, formada pela USP-SP, especialista em Educação Infantil. Há 18 anos atende crianças e pais em escolas de grande porte. Ministra o workshop “Como falar para o seu filho ouvir”. Contato: anapdini@hotmail.com