Um basta para a culpa

[Cecília Troiano]

De um jeito ou de outro, nós mulheres sempre nos sentimos culpadas. Temos culpa por trabalhar e deixar os filhos. Temos culpa se não trabalhamos porque nos sentimos inúteis e ainda deixamos o companheiro, quando o temos, como único provedor da casa. Temos culpa de voltar mais cedo para casa na véspera de uma apresentação importante na empresa. Temos culpa se damos aquela esticada para terminar um job importantíssimo e chegamos tarde em casa. Temos culpa se não fazemos ginástica e o nosso corpo fica devendo no teste da praia. Temos culpa se malhamos quando deveríamos estar usando essas horas para estar com o marido, curtindo a vida a dois.

É culpa demais!!! Precisamos dar um basta nessa culpa antes que ela nos engula. Será que conseguimos? Esse sentimento onipresente da culpa se espalha como água, é difícil de conter. Na pesquisa que fiz para ilustrar meu livro, “Vida de Equilibrista: dores e delícias da mãe que trabalha”, perguntei para as mães qual era a intensidade da culpa de cada uma das 850 brasileiras que entrevistei. Construí um “termômetro da culpa” usando uma escala de 0 a 10. E qual foi a média da culpa das mães que trabalham? Sete! Não chega a ser uma culpa insuportável, mas é bem marcante. E mais do que isso, incomoda demais a todas nós.

O problema da culpa é como se lida com ela. Querer compensar o tempo perdido, além de não ser possível, gera uma frustração generalizada, em nós e entre os que nos cercam.

Não sou muito boa para dar conselhos, mas para lidar com a culpa, especialmente das mães que trabalham, gosto de me lembrar da frase do pediatra dos meus filhos: “A falta de mãe é perigosa e o excesso intoxica”. Tão importante quanto estar com nossos filhos é também não estar com eles o tempo todo. Tanto a valorização do tempo passado junto quanto o querer um ao outro se intensificam. Você sente o desejo de estar com o filho – porque não está naquele momento – e ele vai continuar querendo que você volte! Essa constatação, aparentemente simples, já pode ser suficiente para deixar muitas mães aliviadas.

E para terminar por cima, tenho uma boa notícia. Se no termômetro da culpa o nível atingiu a casa dos 7, construí também um “termômetro da felicidade”. Queria saber como as equilibristas enxergavam suas vidas e quão satisfeitas estavam com elas. Acreditem, a nota da felicidade é 9. A felicidade das mães que trabalham fora é maior do que a culpa! Exatamente por isso, creio eu, as mães conseguem achar energia e determinação para seguir adiante. Se a culpa fosse superior à felicidade, dificilmente as mães conseguiriam levar em frente seus projetos profissionais. Ufa, ainda bem!

Um basta para a culpa e vamos em frente! Boa sorte!

Livre, leve e bem feliz!

[Ana Dini]

O número de mães que se sentem culpadas cresce a cada dia. Como o meu trabalho se relaciona com a formação e o desenvolvimento de crianças, escuto e dou atenção especial à culpa das mulheres no que se refere aos seus filhos, mas sei que a nossa culpa não começa nem termina aí.

Essa não é apenas uma tendência do mundo pós-moderno em que vivemos. Nossa culpa não é de hoje, temos carregado a maldita por séculos, talvez tenhamos sido geradas com ela, ou, quem sabe, conquistado-a quando oferecemos o Adão o tal do fruto proibido. Fomos vítimas de uma história mal contada, a “queda” da humanidade não se deu por nossa causa. Acreditar nisso é ver só um lado de uma longa história.

E é aí que reside todo o perigo, quando nos culpamos, passamos a ver tudo a nossa volta com uma perspectiva única: a nossa.

A criança desde muito cedo precisa se sentir amada, querida, segura. Ela não tem mecanismos para se sentir assim sozinha, é preciso que nós a autorizemos. Essa autorização valida seu desenvolvimento emocional, social, físico e também intelectual.  A mãe, em geral, representa para a criança a ligação com o mundo. A criança estabelece por meio dessa relação o contato com o mundo exterior e o exercício para o contato com seu mundo interior.

À medida que nos sentimos culpadas e conseqüentemente inseguras por não estarmos fazendo tudo da forma como gostaríamos – às vezes até porque nem sempre sabemos o que exatamente queremos -, passamos aos nossos filhos a mensagem de que as coisas não vão bem, e pra eles é impossível ficar bem.

Para ilustrar o que estou dizendo vai aí uma história. A mãe  de um menino de quatro anos, acostumada a trabalhar meio período, de repente, se viu em uma situação que a “obrigava” a trabalhar em período integral. Completamente insatisfeita com a situação, a mãe tinha certeza de que seu filho não poderia ficar bem a tarde toda em companhia da empregada, ou com quem quer que fosse. Não demorou muito para o menino, autorizado (ainda que de modo inconsciente) pela mãe, ter crises de bronquite, coisa que nunca havia acontecido antes. Foram noites viradas em pronto socorro, sofrimento por parte dos pais e da criança.

Todos os remédios, tratamentos homeopáticos e alopáticos foram em vão; a criança não melhorava e a mãe tinha certeza: “Ele está assim porque eu estou ausente, a vida dele mudou completamente. Coitadinho!!!” (e  que perigo para auto-estima ser visto como coitado!).

 A situação era grave e, por isso, fácil de ser detectada. Quero alertá-las: nem sempre é assim, às vezes a culpa aparece sorrateiramente e vai nos tomando pouco a pouco. Quando vemos, nossos filhos também já estão contaminados e nem sabemos como tudo começou.

Foi necessário um grande esforço dessa mãe para conseguir separar o seu descontentamento com a situação, foi difícil para ela compreender o que o filho pudesse realmente estar sentindo com a sua ausência.Ela precisou pensar e planejar alternativas possíveis para um menino de quatro anos que talvez nem mais precisasse da sua companhia diária para brincar (e aqui foi necessário que ela aceitasse o seu crescimento). A situação exigiu que essa mãe deixasse de se sentir “obrigada” a trabalhar o dia todo e sim, pensar em alternativas que lhe possibilitassem uma mudança na sua vida que lhe trouxessem satisfação, mesmo vivenciando uma situação adversa. Parece impossível?  Mas não é, eu garanto, porque essa história é minha.

Hoje me sinto livre, leve e feliz, superei a minha culpa, aprendi a devolver à Eva o que é de Eva… pelo menos, em relação ao meu filho.

Quando sentir uma pontinha de culpa, pare e pense em quais as alternativas que você tem para não se sentir assim e busque colocá-las em prática. Nada é melhor do que viver sem culpa, apenas com responsabilidade. Esse sentimento, ao contrário da culpa, não nos paralisa, ele nos transforma – e aos nossos filhos – em seres humanos melhores.

Ana Dini é educadora, formada pela USP-SP, especialista em Educação Infantil. Há 18 anos atende crianças e pais em escolas de grande porte. Ministra o workshop “Como falar para o seu filho ouvir”. Contato: anapdini@hotmail.com

Passeios rurais e culturais

Seja nas férias ou nos finais de semana, vale a pena levar seus filhos para entrar em contato com a natureza e com os animais. Bichos de fazenda bem-cuidados são as vedetes destes locais, preparados para receber crianças de todas as idades.

BICHOMANIA

www.bichomanianet.com.br

tel. (11) 4242-1116, Caucaia do Alto, Cotia, SP.

Em visita monitorada, as crianças entram em contato com animais da fazenda como porco, vaca, cavalo, ovelha, galinha, coelho e pato. Espécies silvestres também são visitadas no mini-zoo com arara, papaguaio, quati, sagüi, jabuti, macaco prego e outros. É o suficiente para os pequenos se encantarem com a fauna e receberem dezenas de explicações, além de ainda poderem segurar filhotes e alimentar outros animais.

Brincar em um playground com brinquedos de madeira e escorregador de 15 metros, poder andar a cavalo e de charrete e praticar tirolesa completam o passeio. O almoço típico, servido em fogão de lenha, é delicioso.

Aberto aos sábados, domingos e feriados.

Ingresso: R$12,00 (menores de 3 anos e acima de 65 anos não pagam)

Almoço: R$16,00 (crianças até 7 anos – R$ 8,00, e menores 2 anos não pagam)

FAZENDINHA ESTAÇÃO NATUREZA

www.estacaonatureza.com.br

tels. (11) 5034-2728/0937, São Paulo, SP.

tels. (21) 2428 3288 / 3290, Rio de Janeiro, RJ.

Encravado na metrópole, em pleno bairro do Brooklin, um sítio com pomar, horta e diversos animais da fazenda dá às crianças urbanas uma idéias das delícias do mundo rural. Passear de charrete e a cavalo, plantar sementes, alimentar os bichos e acompanhar uma ordenha são algumas das atividades. A preocupação com a educação ambiental norteia a proposta da Fazendinha, que também possui uma vasta sede na cidade do Rio de Janeiro. Agende a visita por telefone.

Aberto aos sábados, domingos e feriados. Ingresso: de 2 a 12 anos, R$ 24,00; adultos, R$19,00; idosos acima de 65 anos não pagam.

PET ZOO

www.petzoo.com.br

tels. (11) 4158-1664 e 4158-4473, Caucaia do Alto, Cotia, SP.

Crianças pequenas se divertem aprendendo a ordenhar uma vaca, visitando o berçário com pintinhos, coelhinhos e outros animais e dando comida para alguns bichos crescidos. O passeio, monitorado, se completa com uma volta a cavalo ou com uma aventura mais radical na tirolesa.

Em julho, abre de terça a domingo, com atividades e oficinas de férias.Ingresso: R$ 18,00 por adulto e R$ 20,00 por criança (de 2 a 12 anos). Menores de 2 anos e maiores de 60 anos não pagam.

TRÊS SUGESTÕES de programas culturais para ocupar e divertir as crianças em julho (SP e RIO).

Lugar de Arte

Em espaço próprio para acolher crianças de 1 a 7 anos, esse ateliê em Alphaville (próximo a São Paulo) oferece uma programação gostosa que junta diversão com aprendizado! Durante uma semana, nos períodos da manhã (09h00 às 12h00) ou tarde (14h00 às 17h00) as crianças experimentam atividades diárias como brincadeiras “antigas”, rodas de música, massinha, desenho em diversos suportes, lanche especial para as férias, contação de histórias e cantos de faz de conta. Há atividades especiais para cada dia da semana: aula de marcenaria, de circo e de culinária são só alguns exemplos. Cada semana custa R$ 170,00 (por período, com lanche e material incluídos). Mais informações no www.lugardearte.com.br ou no tel. (11) 4191-5647.

Gato Mia

www.gatomia.com

tels. (21) 2239-9459 e 8111-9833, Rio de Janeiro, RJ.

Durante as férias, Andrea Bacellar transfere as divertidas oficinas do Gato Mia para o espaço do Tabladinho, com uma sala enorme e palco, além de terraço para brincadeiras. São duas semanas de atividades (de 21 a 25 de julho e de 28 de julho a 1 de agosto). É possível cursar uma semana completa ou escolher apenas as atividades preferidas. Veja alguns exemplos: na Oficina de Artes as crianças aprendem a fabricação de tinta, fazem pintura com areia colorida, lidam com argila, pintura e colagem. Na Hora do Banho do Gato Mia acontece a produção de xampu, condicionador e sabonetes. Culinária, bijuteria, moda e zen são os temas de outros encontros. Informe-se sobre a agenda das oficinas e preços no site http://www.gatomia.com. Quando acabarem as férias, as oficinas – próprias para crianças de 5 a 11 anos – também podem ser encomendadas para animar uma festa de aniversário em casa ou um encontro de família.

Férias na Vila

Em sua 9ª edição, o evento acontece durante a tarde, geralmente de 16h00 às 17h00, nas três unidades da Livraria da Vila (r. Fradique Coutinho, al. Lorena e Casa do Saber), na cidade de São Paulo. As atividades diárias, oferecidas gratuitamente, variam entre contação de histórias de infantis, música, teatrinho, oficinas de artes e até de coreografia. Confira a programação completa, que indica para qual idade é adequada cada atividade, no www.livrariadavila.com.br.

Acampamentos diferentes

Dormir em barracas, praticar arborismo, ioga e meditação ou treinar futebol com especialistas. Confira estas opções.

Acampamento Caeté

www.acampamentocaete.com.br

Um acampamento de verdade, com barracas equipadas com isolante térmico e um monitor por barraca, é montado em Área de Preservação Ambiental (APA) da Mata Atlântica, no município de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro. No meio da floresta, nascentes naturais e trilhas sinalizadas e mapeadas revelam grutas, árvores centenárias, rios e cachoeiras.

Os campistas são monitorados por uma equipe de instrutores preparada para, além de garantir sua integridade física, passar noções sobre a fauna e flora locais, ensinar primeiros socorros e técnicas de montanhismo. O arborismo costuma ser um dos pontos altos entre as atividades.

Temporadas: 12 a 15 de julho – 4 dias; 16 a 19 de julho – 4 dias; 12 a 19 de julho – 8 dias; 28 a 1 de agosto – 5 dias

Preço: R$ 440,00 (4 dias), R$ 550,00 (5 dias) e R$ 800,00 (8 dias)

Dica da jornalista carioca Simone Raitzik

 

Acampamento Franciscando

www.franciscando.com.br

Educação ambiental e atividades dirigidas para a saúde do corpo, da mente e do espírito são os diferenciais desse acampamento na Serra da Mantiqueira, a 70 km de São Paulo. Crianças de 6 a 17 anos se divertem praticando artesanato de bambu, tear, pintura, origami e atividades esportivas como arborismo.

Além da alimentação saudável – as quatro refeições diárias não incluem produtos industrializados -, os acampantes aprendem a fazer composto orgânico, plantar verduras, preparar uma salada colorida e vinagre de frutas. Oficinas de iniciação à yoga e meditação também fazem parte do programa.

Temporadas: 13 a 19 de julho e 20 a 26 de julho.

Preço: R$ 770,00

Dica da designer Carla Franco

 

Acampamento Iguanas

www.acampamentoiguanas.com.br

Uma equipe de professores comanda este acampamento, situado a 54 km do centro de São Paulo, na Serra dos Cristais, próximo de Atibaia. Divididas em recreativas, esportivas, artísticas, culturais e ecológicas, as atividades têm objetivo de divertir e educar, além de ressaltar a convivência harmoniosa em grupo.

O contato com a natureza é intenso. Pesca, caiaque e barco a remo, banho de cachoeira, trilhas, passeios a cavalo e um divertido lamacross fazem parte do cardápio de atividades. Indicado para crianças de 5 a 16 anos.

Temporadas: 13 a 19 de julho (7 dias); 13 a 24 de julho (12 dias)

Preço: R$ 598,00 (7 dias) e R$ 868,00 (12 dias)

Dica da pedagoga Ana Dini

 

Milan Junior Camp

www.milanjuniorcamp.com.br

O programa de férias temático de futebol, desenvolvido pelo clube italiano A.C Milan e praticado em todo o mundo, é voltado para meninos e meninas entre 8 e 13 anos. Treinadores das categorias de base do A.C Milan coordenam, pessoalmente, todos os passos e atividades do programa, juntamente com técnicos brasileiros selecionados segundo os critérios do clube.

O módulo de treinamento de 1 semana, em acomodações de alto-padrão, acontece em várias capitais brasileiras. Além dos treinos diários de seis horas, os acampantes têm recreação, arvorismo, festas, entrega de troféus e ainda participam do sorteio de uma viagem para a Itália.

Rio de Janeiro: 13 a 19 de julho

São Paulo: 20 a 26 de julho e 27 de julho a 02 de agosto

Florianópolis: 13 a 19 de julho

Porto Alegre: 20 a 26 de julho

Preço: R$ 1950,00

Dica das equilibristas

Oportunidade de reforçar laços

[Maria Irene Maluf]

Tanto quanto os adultos, as crianças precisam de alguns períodos de descanso que deixem para trás os horários rígidos da rotina, as obrigações com a escola, as lições de casa e as atividades extraclasse.

Muitos pais reclamam do fato das férias de seus filhos serem tão longas, especialmente aqueles que têm crianças cuja idade não permite que fiquem sozinhas em casa ou viagem desacompanhadas. Isso porque a realidade aponta para uma maioria de mães e pais que estão no mercado de trabalho e cujo período de férias (bem mais reduzidas do que as escolares) nem sempre coincide com a dos filhos. Esse tempo mais longo de descanso vira um problema familiar, pois os pais, muitas vezes, não têm como viajar e nem como oferecer aos filhos a sonhada diversão fora de casa.

Alguns pais apelam para familiares de outras cidades, outros inscrevem as crianças em cursinhos de férias, de esportes, de artes, em acampamentos, excursões, enquanto as próprias férias não chegam. Mas isso nem sempre é possível por diferentes razões e as crianças acabam em casa, não aproveitando as férias para correr e brincar ao ar livre, aprender novos jogos, fazer amizades, desenvolver novos interesses, divertirem-se também longe do computador e da televisão.

A experiência tem mostrado que inúmeros adultos citam como suas melhores férias não exatamente aquelas em que viajaram, conheceram lugares distantes, mas apontam aquelas onde houve mais ocasião de fazer o que toda criança adora: conviver com os pais e irmãos de uma forma mais descontraída e cheia de alegria. De recriar e reaquecer a intimidade, as trocas de confidências, conhecerem-se melhor e estabelecer uma reserva emocional, que vai ajudar a todos no corre-corre do restante do ano, nos meses de muitas atividades, por proporcionar um reforço afetivo às relações domésticas.

Férias em casa podem representar a época em que as pessoas da família se visitam mais, há tempo para o diálogo entre pais e filhos, para brincar com os irmãos, participarem da reforma da casa, da reorganização de espaços, de festividades, de preparar para receber os avós em casa, para aprender com eles novos jogos, cantigas, brincadeiras. Para assistirem filmes juntos, verem antigos álbuns de fotos, montarem novos álbuns, trocarem e-mails com amigos, praticarem esportes diversos, conhecerem a sua cidade (“turista por um dia”). Isso sem pensar no planejamento dessa atividade! É hora de expandir o meio social, reatar amizades, fortalecer o vínculo afetivo, a confiança e a auto-estima.

Tempo de usar a própria casa de uma forma mais liberada e divertida, com espaços criados pelo afastamento do mobiliário convencionalmente arrumado, pelo brincar de ser dona de casa, de aprender a cuidar dos bichinhos, do jardim, das plantas. De organizar tardes da pipoca ou do sorvete com os irmãos e seus amiguinhos, de fazer um “acampamento” na sala, de hospedar um colega, de visitar os vizinhos novos.

Para isso tudo, basta ter um adulto de plantão, de bom humor e dotado de paciência e vontade de deixar as crianças brincarem muito, enquanto seus pais não chegam do trabalho ou não tem suas próprias férias, quando então a opção por uma viagem pode até ser levada em conta, mas como se vê, não é indispensável. Imprescindível é tirar desses momentos o que pode haver de melhor em termos de troca afetiva, de companheirismo. O compromisso é apenas o de respeitar as pessoas e a realidade de cada um, compromisso esse que nunca pode entrar em férias!

Maria Irene Maluf é pedagoga, especialista em psicopedagogia e conselheira vitalícia da Associação Brasileira de Psicopedagogia e dá palestras nas áreas de pedagogia e educação.

Contato: irenemaluf@uol.com.br, tel. (11) 3258-5715.

Fique esperta na visita à escola

[Ana Dini]

A educadora observa o que se deve priorizar, caso a escolha seja colocar a criança na escola ou no berçário.

  • O primeiro contato com a escola é o mais importante, observe o que você sente.
  • Leve a criança com você, assim poderá ver como as pessoas da escola se comportarão diante dela.
  • Fuja da escola que ficar muito em cima do seu filho, fazendo elogios ou muitas perguntas. Em um primeiro contato, é você que tem que conhecer a escola e não a escola conhecer você.
  • Escolha ambientes que tenham segurança adequada para a faixa etária do seu filho, não deixe de questionar sobre os espaços onde a criança poderá estar à vontade, em liberdade, mas com segurança.
  • Prefira visitar a escola em um dia frio e chuvoso, assim você terá a certeza das atividades que serão promovidas nesses dias mais difíceis.
  • Questione sobre a formação dos professores e número de alunos por sala.
  • Como é feita e de quem é a responsabilidades na alimentação das crianças e na higiene? É importante que essas atividades façam parte da rotina da criança e que não sejam delegadas a pessoas que não tenham vínculo com as crianças, as pessoas responsáveis por essas tarefas também precisam ser qualificadas.
  • Localização da escola: é importante que seja perto do seu trabalho ou da sua casa. No caso de emergência, é ótimo ter alguém por perto e que não tenha problemas com trânsito.
  • O ambiente precisa ser limpo, organizado, mas é indispensável que se possa notar a ação da criança nesse ambiente, não como cenário. Onde a criança brinca, por exemplo, está “brincado” ou está tudo no devido lugar e com aparência de que ninguém usa? As atividades artísticas são feitas pelas crianças ou pelas professoras?
  • Berços são um desestímulo a independência, embora a aparência gere conforto e bem estar aos nossos olhos brasileiros, tão acostumados a cuidar e dar conta de tudo.
  • Como é realizado o período de adaptação? A mãe ou alguém de confiança da criança deverá estar na escola durante o tempo que for necessário. A criança precisa formar o vínculo com a professora e a mãe ou outra pessoa da família pode ajudar nesse processo.

Você leva jeito para ser empresária?

[Cecília Troiano]

Ser uma empresária requer muito mais do que achar que pode ser uma boa idéia ou algo conveniente para equilibrar melhor os pratinhos.

Embora o número de mulheres que abrem seus próprios negócios seja crescente, isso não quer dizer que essas iniciativas sejam bem sucedidas.

Para ajudar nessa tomada de decisão ou verificar se você tem jeito para ser empresária, pegamos algumas características que definem um bom empreendedor (ou uma boa empreendedora), publicadas por Luiz Marins. Em cima delas fizemos um pequeno ajuste para a realidade das equilibristas. Aí vão:

  1. Boas idéias são comuns a muitas pessoas. A diferença está naqueles que conseguem fazer as idéias transformarem-se em realidade, isto é, implementar as idéias. A maioria das pessoas fica apenas na “boa idéia” e não passa para a ação. A empreendedora passa do pensamento à ação e faz as coisas acontecerem;
  2. Toda empreendedora tem uma verdadeira paixão por aquilo que faz. Paixão faz a diferença. Precisamos nos apaixonar pela nova empreitada.
  3. A empreendedora consegue escolher entre várias alternativas e não fica pensando no que deixou para trás. Sabe ter foco e fica focada no que quer;
  4. A empreendedora tem profundo conhecimento daquilo que quer e daquilo que faz e se esforça continuadamente para aumentar esse conhecimento de todas as formas possíveis;
  5. A empreendedora tem uma tenacidade incrível. Ela não desiste!
  6. A empreendedora acredita na sua própria capacidade. Tem alto grau de auto-confiança;
  7. A empreendedora não tem fracassos. Ela vê os “fracassos” como oportunidades de aprendizagem e segue em frente;
  8. A empreendedora faz uso de sua imaginação. Ela imagina-se sempre vencedora;
  9. A empreendedora tem sempre uma visão de vários cenários pela frente. Tem, na cabeça,  várias alternativas para vencer;
  10. A empreendedora nunca se acha uma “vítima”. Ela não fica parada, reclamando das coisas e dos acontecimentos. Ela age para modificar a realidade!

E aí? Você tem jeito para ser uma mãe empresária?

5 atitudes para manter o cargo na volta

[Maggi Krause]

O aumento do tempo de licença-maternidade de quatro para seis meses pode prejudicar a carreira? Sim, a ausência prolongada, em algumas áreas, pode ser um fator de risco para perder o emprego. Por isso, mantenha-se sempre atualizada sobre a empresa e sua área de atuação, lendo jornais e pesquisando na internet entre uma mamada e outra.

A consultora em carreira Cynthia Shapiro, em artigo publicado no Carrer Journal, dá cinco dicas para que as profissionais possam ter o emprego garantido de volta depois da licença.

1. Converse com o profissional de RH (Recursos Humanos) da empresa em que trabalha para saber tudo sobre os seus direitos. Quanto irá receber durante o período de licença-maternidade? Por quanto tempo poderá se ausentar?

2. Avise para o chefe sobre quando pretende voltar. Um dos maiores enganos que as futuras mães cometem ao anunciar a gravidez é não determinar quando retomarão as atividades, o que dificulta o planejamento das empresas. Se você não quiser voltar, espere antes de anunciar e tomar a decisão. Caso tenha certeza de que quer retomar a vaga, deixe claro para a empresa.

3. Para que a licença-maternidade seja bem vista pelo empregador, antes de desfrutar de seu direito, deixe a área em que trabalha arrumada. Quem cuidará de suas atividades? Se for líder da equipe, como ela ficará organizada? Deixe tudo claro em um e-mail e, se preciso, imprima as novas regras para todos.

Esteja conectada e seja flexível. Muitas mães podem dizer para você que ter um bebê é muito mais trabalhoso do que um emprego de tempo integral. Mas se você quer manter sua vaga, mantenha-se ligada ao que está acontecendo no escritório.

5. Deixe claro que está feliz em ter retornado e preparada para reassumir suas atividades. Segundo Cynthia, se o empregador perceber que não está com a mesma performance depois da maternidade, provavelmente você não ficará por muito tempo na empresa.

Mãe prevenida vale por duas

[Maggi Krause]

PLANILHA DA MÃE PREVENIDA

Uma boa apresentação de negócios segue um roteiro, uma visita de executivo acompanha uma agenda, aquela reunião com o novo cliente tem uma recomendação… Pois é, quando se trata de garantir o bem-estar e a saúde dos filhos, nada mais prudente do que mostrar a mesma eficiência e organização antes de sair em viagem.

Dicas úteis:

1 – Planeje quem vai tomar conta da criança e deixe alguém de stand by (pregue telefones de contato do pai, do pediatra e dessa pessoa estepe na geladeira de casa).

2 – Organize uma planilha ou resumo com a rotina seguida pela criança, com horários, costumes e manias, tipos de comida e medidas. Exemplo:

  • 6:30 Acorda e toma mamadeira 270ml de leite com Sustagen (2 cl de chá) e Farinha Láctea (1 cl de chá). Costuma tomar café com a gente.
  • 9:30 Toma suco e às vezes dorme
  • 12:00 Almoço e sobremesa (fruta de preferência)
  • 13:00 Se ele não dormiu de manhã, banho e soneca depois do almoço.
  • 15:30 Lanche – Ades com bolacha ou bisnaguinha, danoninho Se ele dormiu de manhã, banho e soneca
  • 18:30 Jantar e sobremesa
  • 20:00 Banho com o papai, mamadeira 240ml e berço

3 – Anote os remedinhos, com horários e doses recomendadas. É uma boa escrever as medidas diretamente no rótulo do frasco, se for homeopatia. Deixe à mão também anti-térmico, anti-alérgico e pomadinhas úteis, como as que aliviam picadas de insetos. Deixe telefone e celular do médico sempre anotado em local visível.

DIVERSÃO NA SUA AUSÊNCIA

Vovôs, tios e o papai podem e devem levar as crianças para se divertir na ausência da mãe! Bons programas não faltam, principalmente em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. O site http://peprafora.uol.com.br/ indica peças de teatro, cinema, passeios, shows e exposições para crianças de todas as idades nestas duas capitais. Tudo com resenhas, endereços, horários, preços. Um prático calendário e até uma janelinha para conferir a previsão do tempo nos próximos dias ajuda a família a se programar.

CASA RECHEADA DE LIVRINHOS

Uma sala de leitura com estantes, cadeiras e poltronas na medida para a garotada é um dos trunfos da Casa de Livros, um lugar gostoso para levar os pequenos em dias de chuva (ou sol). A livraria de Denize Bianchi Carvalho e Maria Angela Prado organiza contação de histórias aos sábados, e tem uma programação intensa (e gratuita) que vale conferir pelo site. Escritoras famosas, como Ruth Rocha e Tatiana Belinky, já autografaram livros por lá durante o projeto Autor na Casa, que incentiva o contato de ilustradores e escritores com as crianças. R. Cap. Otávio Machado, 259, Chácara Santo Antônio, São Paulo, tel.: 5182-4227; de seg a sex, 8h/18h; sáb, 9h/13h www.casadelivros.com.br