Vovó virou empresária

[Laura Bierrenbach]

Cansada de encontrar só roupas caras ou sem charme para a netinha nas lojas, Laura abriu o negócio próprio e bolou um serviço para mães sem tempo…

VDE: Como tornar-se avó mudou a sua vida?

Laura: Netos são um presente. É alegria, é um amor que nasce em nós que não se consegue explicar. Quando penso neles, a minha vida se ilumina.

VDE: O fato de ser avó influenciou na escolha pelo tipo de empreendimento? Quando resolveu montar a loja?

Laura: Sim, influenciou na medida que comecei a ter dificuldade de achar roupinhas bonitas e com  bom preço  para as meninas.  Tudo aconteceu de supetão. Eu tinha uma sala vaga num prédio comercial muito legal onde trabalham meus filhos e amigos. O investimento não seria muito alto. Era junho, mês das feiras de logistas, voltei das feiras com várias encomendas fechadas. Meu marido disse que eu era louca, que precisava planejar mais. Atualmente produzo quase tudo o que vendo e assim posso ter ótima qualidade e preço bom.

VDE: Como se sente como uma avó moderna, ativa, dinâmica e antenada? Comente sobre avós que vêm comprar na sua loja porque as filhas estão no trabalho.

Laura: Acho muito bom ter meu próprio negócio. Na minha geração ainda tem muitas avós que não trabalham e ficam com o papel de mãe dos netos, o que, na minha opinião, é muito complicado. Não podem curtir ser avós. Tenho amigas que ficam com os netos literalmente o dia todo.

VDE: Qual a maior alegria de ser avó?

Laura: É não ter as responsabilidades, as dúvidas e compromissos que os pais têm. É só alegria, brincadeira, poder curtir cada gracinha, cada aprendizado da criança. É ouvir vovóoooooo…

VDE: Qual a maior dificuldade?

Laura: Acho que é a limitação física. Chega uma hora que cansa.

VDE: Como é a sensação de ter o filho e as netas longe?

Laura: É a sensação de você ganhar um presente maravilhoso, mas não poder curti-lo. É difícil não participar do crescimento delas, que há um ano moram nos Estados Unidos. Agora vou ganhar um neto no Brasil, o que é maravilhoso, mas acho que um não substitui o outro.

VDE: Como você imagina as avós do futuro?

Laura: Falando da idade para ser avó, não sei como será num futuro próximo. Minha mãe foi avó com 43 anos (eu tive filho com 21 anos),  eu, avó com 51, minha filha está tendo filho com 31 e provavelmente será avó mais tarde que eu. O perfil das avós está mudando rapidamente. A profissão tem peso grande na hora de decidir quando ser mãe.

VDE: Como enxerga as equilibristas que compram na sua loja?

Laura: O que percebo na loja é a grande falta de tempo das mães e também a quantidade de mães que ficam de repouso hoje em dia, por conta de gravidez de gêmeos (pelas inseminações) e outros problemas. Todas gostariam de ter mais tempo para seus bebês e poder trabalhar menos.

VDE: Você até criou um serviço para atender as mães.

Laura: Mandamos muitos enxovais em casa, presentes e também roupas para reposição. As mães não têm tempo de passar na loja e vejo que esse serviço é essencial para elas hoje em dia.

Laura Bierrenbach é proprietária da Bebeleta, loja de roupas para crianças de 0 a 3 anos em São Paulo, e avó de Luísa, 5 e Beatriz, 2. (www.bebeleta.com.br)