Férias em quatro tempos

[Maggi Krause]

Me parece contraditório falar de férias neste período em que as crianças estão de férias e eu não (ainda). Tudo se complica quando você trabalha em casa… elas solicitam você o tempo todo ou resolvem se rebelar porque não querem ir para a casa dos avós e lá se vingam passando grande parte do dia em frente à TV. Resultado: fora alguns bons momentos como levar os meninos à piscina ou ao parquinho, ou receber as primas para brincar em casa, muitos outros acabam em estresse – seja por conta do game, do desenho, daquele brinquedo complicado de montar ou que só pode ser usado na varanda (e está ventando por lá…).  Enquanto você está com eles, não esquece que ainda têm trabalho para entregar. E a produção acaba se transferindo para a noite. Não tem jeito, férias mesmo, só se liberando e fugindo de São Paulo. Amanhã vamos pegar a estrada e, pelo menos, passar o feriado em família.

Fui privilegiada este ano que passou por ter mudado de rumo (vim trabalhar em casa). A falta de holerite me rendeu um janeiro passado em parte na fazenda com os meninos e meus sogros e parte na praia lá no Sul com eles e meus pais (isso vai se repetir agora em 2009). Passar dias e dias de férias com as crianças com certeza é uma delícia, estreita bastante os laços (e cansa bem fisicamente, já que os meus tinham 3 e 5 anos). Janeiro de 2008 também ostentou uma semana memorável da família toda (meu marido, eu e os meninos) em Bombinhas, litoral de Santa Catarina. Como estes momentos são raros, ficam pra sempre na memória!

Mas as férias imbatíveis do ano – meus filhos que me desculpem – foram a dois apenas. Comemoramos nossos 11 anos de casados no norte da Itália e na Provence (foto). Foram quase 20 dias entre maio e junho de pura curtição. Como é bom viajar, conhecer novos lugares (lindos e históricos), e como é bom poder conversar, namorar, caminhar, fotografar… fazer tudo a dois. Como fomos um casal por muito tempo antes de ter filhos, essa saudade do só nós é muito real! E como não somos agarrados, também não sofremos demais por deixar os meninos aos cuidados dos avós (eles ficaram muito, muito bem). 

Bom, 2009 promete mais férias – com as crianças – e essa é a maior vantagem de se trabalhar em casa: poder aproveitar para tirar algumas folgas junto com eles. No final de janeiro, retomo o equilibrismo e em fevereiro já estaremos atualizando o site. Se o seu início de ano estiver mais tranqüilo, não deixe de ler os textos anteriores. Abordamos 16 temas desde abril de 2008! Veja qual combina mais com você e boa leitura.*

Feliz 2009!

*obs, o antigo site Vida de Equilibrista tinha organização por temas. Agora, neste prático blog, vc pode procurar pelas categorias ou pelas tags, de acordo com seu interesse.

Foco no office para curtir o home

[Alessandra Okazaki]

Seja para ter um filho ou para trabalhar em casa, ou ambos,há um fator importantíssimo a ser administrado: o tempo. Quando fui convidada a escrever aqui, por exemplo, não aceitei de imediato, precisava de um prazo já que havia uma “fila” de afazeres. Mas, não pude recusar, pois se tem uma coisa que eu gosto é escrever e poder ajudar os outros. Enfim, é exatamente isso o que acontece quando nos tornamos mães, sem querer abrir mão de outras funções como mulher, profissional, esposa, filha, etc… Nossa vontade é mesmo de querer abraçar o mundo, de não querer perder oportunidades, de aproveitar o… tempo. Aí que entra outro ponto tão importante na medida de em que o tempo se esvai: foco. Você deve saber realmente o que você quer, fazer escolhas e rezar para que elas sejam as certas. Caso contrário, você enlouquece e não curte nada, nem o trabalho, nem o crescimento de seu filho.

Sou jornalista free lancer, trabalho há três anos em casa. Tomei a decisão de montar meu home office pouco antes de engravidar. Queria liberdade e flexibilidade, pois nunca gostei de ser monitorada o tempo todo e da rotina com horário e local fixos. No começo, me bati um pouco para aprender a me concentrar e não misturar afazeres domésticos com os profissionais. Com o tempo, fui me organizando. Hoje, com a Maria Luisa com um ano e sete meses, posso dizer que estou bem familiarizada com o assunto. Foco, organização e disciplina são as três palavrinhas de ordem.

Uma sala ou quarto isolado com porta também é essencial. Afinal, é preciso se concentrar e falar ao telefone sem ter o som de criança como fundo. Outra dica é ensiná-la desde cedo que ali a mamãe também trabalha. Quando Maria Luisa começou a bater na porta do quarto me chamando aos berros, cheguei para ela e disse: “Meu amor, mamãe vai trabalhar agora, tá? Fica com a Fá (a babá) e depois a mamãe volta, tá bom?”. Ela nunca mais bateu. Outro desafio superado foi resistir à tentação de querer ficar com ela o tempo todo. Só saio do quarto em casos extremos (um choro mais forte, por exemplo) ou para almoçar e tomar um lanchinho, quando aproveito para “dar um cheiro”no meu bebê – ah, como é bom trabalhar em casa! Claro que nem tudo é tão rígido, aliás, essa palavra não combina com home office. Como sou eu que administro meu tempo, posso quebrar a rotina e ir passear na praça com ela pela manhã ou ir ao supermercado no meio da tarde. Já depois das 18h, sou exclusiva dela. Hora de jantar, tomar banho, brincar, mamar e dormir. Depois, se preciso, volto para o laptop.

Se vale a pena tudo isso? Não me vejo em outra situação, estou realizada com o meu home office. Com ele, consigo conciliar com menos estresse e angústia coisas importantes na minha vida: a realização como mãe e profissional.

Alessandra Okazaki é jornalista em Curitiba e mãe de Maria Luisa.

Meu chefe agora sou eu

[Maggi Krause]

E confesso a vocês, sou dura comigo. Estabeleço metas às vezes difíceis de cumprir, almejo a eficiência e me dedico bastante. Procuro palavras com zelo, me coloco no lugar do escritor, me imagino na cadeira do leitor… meu cérebro se exercita o tempo todo! Pena que eu não dê tanta atenção ao meu corpinho, que bem precisava de umas aulas de alongamento!

Mesmo transferindo o escritório para dentro de casa, continuo regida por agendas e de olho no relógio – que é para não perder o pé, nem o horário de buscar alguém na escola, levar para o ortodontista ou à aula de natação… A idéia, afinal, era ficar mais com os meninos ou seguir carreira solo? As duas alternativas são válidas e, verdade seja dita, a vida de equilibrista assim ganha tempero: é dentro da mesma casa que preciso provar que sou boa profissional e ao mesmo tempo, que sou uma mãe melhor e mais dedicada. Uf, que cobrança digna de chefe!

O fato é que tem cada vez mais gente trabalhando em casa e, como tudo na vida, essa realidade tem “pros & cons”, como diriam os americanos. Uma das grandes vantagens é deixar de enfrentar pelo menos 1h30 de trânsito caótico em Sampa para ir e voltar da empresa. Esse tempo pode ser aproveitado para uma caminhada matinal, um pulo no supermercado ou para horas extras na edição de textos. Aliás, trabalho mais horas em casa por um motivo simples motivo: não perco tempo em reuniões, em cafezinhos, em burocracia ou conversas telefônicas. Tudo é mais focado, mais trabalhoso, exige concentração e faz muito mais sentido (uf! que alívio tirar essa conclusão).

Mas, pelo menos no meu caso, não posso deixar os apelos normais da casa (armários por arrumar, coisas a consertar, problemas da empregada) invadirem o horário de trabalho, senão fica difícil entregar reportagens ou textos no prazo.Esses apelos eu ainda consigo controlar, ao contrário de meus filhos, pois são eles que ainda me controlam ao chegarem em casa. Largo tudo em função das demandas infantis, seja banho, lição, jantar, brincadeira, televisão ou histórias para dormir. Sou deles das 17h às 21h, quase todos os dias de semana; em outros a função começa até mais cedo. Pode parecer pouco – como não tenho babá, continuo mantendo a escola em período quase integral -, mas é bem mais do que antes, quando só pegava o finalzinho do dia deles, das 19h às 21h, se não capotavam antes!

Depois de meio ano nessa nova rotina, garanto que não penso em dar um passo pra trás. Mesmo faturando só metade do meu salário anterior, adoro poder escolher para quem trabalho e me dedicar a projetos variados e que fazem sentido para mim. Sinto que o ganho em convivência e cumplicidade com os meninos ultrapassou minhas expectativas, e que nada é por acaso. Eles estão menos carentes de atenção e mais tranqüilos e espero continuar a acompanhá-los de perto na infância (que mal começou) e na adolescência.

Não reclamo de precisar, muitas vezes, abrir o computador depois que eles dormem. Meu maior desafio não é falta de disciplina, nem solidão… Trabalho bem sozinha e tenho e-mail, internet e skype para me manter conectada com amigos e clientes. Programo no mínimo um almoço com amigas e ex-colegas por semana e aproveito reuniões fora para arejar um pouco, nem que seja pesquisando em livrarias, passeando para ter idéias (o tal ócio criativo!) ou tomando um sorvete.Meu maior desafio aqui em casa é saber a hora de parar e não deixar que o trabalho tome conta (hoje por exemplo, são 23h40 e ainda estou animada escrevendo esse texto). E a meta final, como sempre, é chegar a uma vida equilibrada! Dizem que as librianas – como eu – vivem buscando o equilíbrio, mas nunca o alcançam. Que coisa!

Mas meu chefe, persistente, diz para eu continuar tentando…

Maggi Krause foi editora por mais de 10 anos na Editora Abril e gerenciava uma equipe; agora que virou chefe de si mesma, gerencia sua própria vontade de trabalhar. É mãe de Tiago (6 anos) e André (3 anos).

Entre a sedução e a realização

[Cecília Troiano]

Muitas de nós já consideraram a possibilidade de montar um escritório em casa e largar de vez a vida corporativa formal. Certo?

O que nos move nessa direção provavelmente tem muito a ver com nosso desejo de “estar com os pés” nos dois mundos: perto da família e também do mercado. Ou seja, vislumbramos o melhor dos dois mundos. A possibilidade de estarmos mais próximas da administração da casa e das crianças sem largar a vida profissional. Parece tentador emuuuuito atraente.

É aí que mora o perigo. Atraente e sedutor, sem dúvida. A questão é que a operacionalização disso não é nada fácil. Muitas mulheres, na busca desse equilíbrio perfeito, acabam se atrapalhando e não conseguindo nem uma coisa nem outra.

Algumas, na tentativa de montar um negócio em casa, acabam não definindo uma rotina clara e a vida pessoal e profissional se misturam. É a empregada que pede só “um minutinho” da sua atenção bem na hora de você fechar um plano de negócios ou uma ligação de um cliente no momento exato do banho do bebê.

Outras, dão um “ar amador” para a vida profissional e não aplicam a mesma energia se estivessem em uma empresa “fora de casa”. O resultado são ganhos financeiros que podem ficar decepcionantes e até desmotivadores.

Ou ainda algumas que sentem que estão perdendo contato com o mercado, se isolando no casulo da casa. E ainda outras que não se vêem reconhecidas pelos maridos como “trabalhadoras” de verdade, como se trabalhar em casa fosse “menos” do que trabalhar fora de casa, mesmo fazendo a mesma coisa.

Enfim, apesar de muuuuito atraente, a opção por trabalhar em casa nem sempre é só feita de alegrias. Ou seja, antes de tomarmos essa decisão, é preciso pensar muito em tudo isso. Pode ser uma excelente opção para você. Ou pode não ser…

Cecília Russo Troiano é pesquisadora, autora do livro Vida de Equilibrista, dores e delícias da mãe que trabalha e mãe de dois adolescentes.

Quarto de atividades

[Vanessa Giacometti Guerreiro]

Antes de meu primeiro filho nascer, trabalhei por quase cinco anos como designer gráfica na farmacêutica Merck Sharp & Dohme. Quinze dias depois que voltei da licença-maternidade, ainda me sentindo culpada e péssima, a empresa promoveu um grande corte e eu estava na lista.

Sempre fiz cartões especiais paralelamente ao meu emprego oficial e uma amiga me incentivou a fazer uma aula de scrapbooking (montagem de álbuns personalizados utilizando várias técnicas), dizendo que eu tinha jeito para a coisa. O Carlo tinha 6 meses quando eu fiz a primeira aula, depois montei os álbuns dele, comecei a presentear meu trabalho e dali para receber encomendas e ganhar dinheiro com isso foi um pulo.

Participei de um workshop de scrapbooking avançado em Utah, nos EUA, há alguns anos e hoje dou aulas em casa e a domicílio, já tenho clientes fixas e desenvolvo artigos de papelaria, além de montar álbuns sob encomenda.

Meu marido me apoiou desde o início, principalmente por causa do horário flexível. Ele viu que eu poderia estar presente na educação das crianças sem deixar de trazer dinheiro pra casa. No começo foi difícil, pois desenvolvia o trabalho na mesa de jantar, então a casa nunca ficava arrumada e isso incomodava a todos. Mas agora estamos em um novo apartamento e lá montei um quarto só para isso, que chamo de quarto de atividades. Ali tenho todo o material de trabalho à mão com estante própria para guardar os apetrechos e o computador, além de uma grande mesa, perfeita para as aulas.

Quando elas acontecem ali, não posso ser interrompida por 4 horas inteiras. Por isso o Carlo vai para a escola e fica até as 15h30 e o Enrico fica a cargo da empregada ou da babá. Mas quando estou trabalhando sozinha, o pequeno pode ficar brincando ali em volta sem problemas. Como as clientes sabem que trabalho em casa, entendem quando eu atendo o telefone e tem um berrando e outro chorando atrás… é rotina em casa com criança.

É claro que como fazer scrapbooking, tratar fotos ou desenvolver layouts de papelaria exigem concentração, meu melhor horário para isso é das 23h às 2h ou 3h. Gosto de trabalhar à noite, é quando eu rendo mais.

Estou feliz por ter o reconhecimento das clientes e de revistas especializadas, mas principalmente porque estou junto das crianças e acompanho seu crescimento de perto. A maior desvantagem é que trazer as clientes para casa tira a privacidade e o meu lado profissional se mistura muito ao pessoal. Com bebê pequeno, luto para me manter atualizada e não perder mercado. Gostaria de viajar mais, fazer outro curso, mas ainda não é possível.

Me sinto realizada pessoalmente e profissionalmente, mas sempre estou correndo atrás de novidades, de algo mais, seja no trabalho ou na vida das crianças. Levo ao médico, pesquiso escolas, levo na natação. Quando preciso, minha mãe ou minha sogra dão uma ajuda extra nos cuidados ou no leva e traz. Lógico que quando eles ficam doentes eu me dedico mais aos meninos, eles são a prioridade e o trabalho sai prejudicado naquele momento, mas depois eu compenso de outra forma.

Para quem está começando, só tenho incentivos. Acho bom arriscar e trabalhar em casa, pois o malabarismo vale muito à pena. A gente rebola para encaixar tudo na agenda, mas poder dar comida, ver despontar o primeiro dente, presenciar os primeiros passos ou as primeiras palavras escritas, isso tudo não tem preço.

Vanessa Giacometti Guerreiro é designer gráfica e dá aulas de scrapbooking. É mãe de Carlo (5 anos) e Enrico (11 meses). Contato: cel. (11) 9636-1954; www.kards.com.br

Que dilema!

[Fernanda C. Massarotto]

Quando tinha por obrigação passar horas na redação ou escritório, pensava como seria fantástico usar as horas ociosas para resolver os problemas domésticos. Mas aí é que mora o problema!

Depois de me mudar para Milão, pensei: “Agora sim, vou trabalhar em casa”. Montei meu mini-escritório na sala do apartamento: telefone, computador e impressora. Fiz os primeiros contatos com os jornais e revistas no Brasil e aí vamos nós nessa nova fase profissional.

No começo achei que tivesse descoberto a América. Na parte da manhã, graças ao fuso horário, ia às compras, ajeitava a casa, lia os jornais e preparava o almoço. A rotina não me cansava. O problema é que depois de algum tempo fui ficando entediada. Se não tinha trabalho, lá ia eu limpar a geladeira, arrumar as gavetas da cozinha. Sem falar que me sentia sozinha. Minha companhia era a televisão. Sabia de cor e salteado o nome dos programas de cozinha e fofocas da tevê italiana (que são muito piores que os brasileiros). E quando a carga de trabalho aumentava, aí surgiam os mais bizarros acontecimentos do dia: ligações da sogra, da operadora de celular, a vizinha que vinha reclamar do barulho da reforma do andar acima – isso tudo porque resolvi acumular a função de dona de casa, jornalista e conselheira do condomínio.

Foi aí que resolvi separar casa e trabalho. “Grande idéia”, disse. Apesar de arcar com os custos de uma escrivaninha em uma associação para correspondentes estrangeiros, decidi que era hora de voltar ao mundo “das 9h às 17h”. Minhas horas ociosas continuaram sendo ociosas – quando não pintavam frilas. Mas preferia curtir essas horas tomando um café com os colegas jornalistas a realizar pequenas tarefas domésticas. Coisa que continuei a fazer, só que nas horas em que estava em casa.

Quando meu filho nasceu, voltei a trabalhar em casa e aí percebi que naquele momento meu escritório-casa era essencial para que eu pudesse ser mãe e não deixar de lado minha profissão. Quando ele completou seis meses, arrumei uma babá em período integral (8 horas) e voltei ao meu escritório que fica a 10 minutos de casa. Admito que reduzi um pouco minha jornada de trabalho e é claro quando ele está doente ou a babá não vem, eu continuo trabalhando da sala de jantar de casa. O importante é não deixar que as duas coisas virem uma só. Casa é casa! Trabalho é trabalho! Embora algumas vezes elas possam coexistir em harmonia, basta se organizar e não deixar que um se sobreponha ao outro.

Fernanda C. Massarotto mora em Milão, é jornalista e mãe de Rodrigo (1 ano).

Tem um bebê no escritório

[Eduardo Zambelli]

Há pouco mais de um ano, decidi que o excesso de trabalho e o estresse como diretor de criação de uma agência de design não cabiam mais na minha vida. Queria mudar de vez e investir na carreira, e a idéia era montar um escritório em casa. Na mesma semana em que pedi demissão, minha mulher descobriu que estava grávida! Depois da alegria da notícia, claro, cheguei a pensar em voltar atrás na decisão, mas ela me deu a maior força para virar a mesa.

Saí da agência, continuei a prestar serviço para eles e para outras agências, além de conseguir clientes diretos depois de um tempo. No apartamento, transformei um dos quartos em escritório, comprei bons equipamentos e montei uma estrutura de trabalho virtual que funciona muito bem para esse meu trabalho de criação e design. Estou tranqüilo com minha escolha e com meus ganhos, pois estou envolvido em muitos projetos.

O Matheus começou a dominar a rotina dos meus dias há apenas três semanas, quando a Simone voltou ao trabalho no banco, após o final da licença-maternidade. A sorte é que ela está podendo sair mais cedo para amamentar (às 19h30) e foi transferida para uma central administrativa mais perto de casa. Bom, eu já dava banho todos os dias e trocava o bebê, além de brincar, mas não tinha ficado, digamos, totalmente responsável por ele. Sente só o meu dia:

De manhã, o Matheus mama no peito às 7h e volta a dormir até as 9h30, que é quando me acorda. Aí pego ele no berço, troco, dou remédio, levo para a sala e deixo ele brincar um pouco. Às 11h dou mamadeira e aí ele dorme meia hora. É durante as sonecas dele que eu corro para o computador. Às 12h30, a Simone chega e almoçamos juntos, e, fatalmente, depois que ela vai embora, o Matheus dá uma choradinha e dorme mais meia hora. Quando acorda, deixo ele no chão brincando atrás de mim e sigo trabalhando. Às 15h ele mama de novo e dorme outra meia hora. No final da tarde é que fica mais difícil, pois ele quer bastante atenção e o trabalho fica muito picado. Às 18h30 a Simone chega e dá de mamar, eu dou o banho e depois de jantar e relaxar, volto para o computador e trabalho das 21h às 2h, geralmente.

Nas primeiras duas semanas, ainda sofri um pouco para me acostumar com a mudança e a interferência no trabalho, mas agora estou sentindo que consigo trabalhar cada vez mais. O Matheus é bem bonzinho e parece que também vai se acostumando a essa rotina que estabelecemos. Sinto que a maior vantagem é vê-lo crescer, acompanhar o seu desenvolvimento e observar as suas conquistas de perto. Isso é ótimo e não tem preço.

O ponto mais difícil é conciliar a atenção que ele precisa e conseguir trabalhar bastante. Existem os momentos tranqüilos e os de crise, com choro, normais para uma criança. Às vezes fico ainda na dúvida se vou precisar de alguém para me auxiliar o tempo todo ou se eu vou entrar em sintonia e conseguir dar conta de tudo sozinho. Quando você está em casa, mesmo trabalhando, acham que você está mais disponível. Criam-se expectativas extras, ou seja, sobram tarefas tipo “passa na farmácia, passa no supermercado”. Às vezes bate um desespero, pois os outros não têm noção de quanto trabalho eu tenho para entregar.

Em relação à carreira, é engraçado… por estar em casa, estou muito mais antenado do que eu era na empresa, acho que me cobro mais. Assinei todas as revistas e faço cursos on-line específicos da minha área. Estabeleço minhas metas e corro atrás delas. Sei que no exterior existem profissionais liberais que trabalham com muito sucesso e em estruturas montadas em casa.

Daqui a dois anos, quando chegar o próximo filho que já está nos planos, pode ser que eu precise alugar outro espaço. Mas minha meta ideal seria continuar trabalhando em casa, pois por enquanto nem penso em trocar essa rotina profissional somada à delícia de poder cuidar do meu filho.

Eduardo Zambelli é designer e pai de Matheus (5 meses e meio).