Ser madrasta despertou meu lado mãe

[Patricia De Luca Pereira Lima]

Durante os feriados de Carnaval, Patricia De Luca Pereira Lima ficou ocupada com os programas das quatro crianças da família: as filhas, o filho do marido e a meia-irmã. Em dias normais, ela é vice-presidente de uma agência de publicidade.

“Minha vida em comum com o Flávio começou com o filho dele incluído – comendo papinha, usando fralda, e o meu marido aprendendo a ser pai. Quando nos casamos, o André tinha 2 anos e morava com a mãe, claro, mas passava conosco um final de semana sim, outro não, e todas as quartas à noite. Nessa época, eu era muito voltada para a carreira e a convivência com o bebê me despertou a vontade de ser mãe. Aprendi a ser maternal com ele, já que se passaram 3 anos antes de a Laura nascer. Acho que sou mãe melhor para as meninas em função das experiências vividas com ele. O bacana é que, como único homem, ele continua com status de reizinho e não tem tanto ciúme das meninas. 

Nós temos bastante contato com a mãe dele, nos encontramos em todas as atividades dele como jogos de futebol, apresentações de escola. Ajuda o fato de a separação ter sido tranqüila, ele são um ex-casal que se dá muito bem. Fico pensando que para ela, no início, não deve ter sido fácil deixar o bebê com uma desconhecida.

Acho que o maior desafio que se enfrenta é com relação a diferenças de costumes e regras entre as duas casas. É mais um desafio para ele, de convivência. Sinto a rotina de equilibrista se complicar 20 X nas novas famílias. São três crianças em duas casas diferentes, elas estudando de manhã, ele à tarde… Para se ter uma ideia, montamos uma tabela de locais e horários no Excel para o motorista que acabamos de contratar. Aumenta a complexidade e, como sempre, quem coordena e divide tudo são as mães. Rola um acerto entre a mãe do André e eu. Optamos por manter todas as atividades perto e o mesmo clube para todos. 

O interessante nessa questão de novas famílias, é que meu pai também é casado pela segunda vez e eu tenho madastra. Ou seja, tenho experiência no assunto, e isso até me aproxima do André. (Tenho uma irmãzinha de 7 anos, que é mais nova que o enteado, e regula com minhas filhas. Quando saio com os quatro, rola aquela confusão. O André e a Paola se adoram. Meu marido até brinca: só falta meu filho ter o mesmo sogro que eu!)

E apesar de minha madrasta ter entrado bem mais tarde na minha vida, uma coisa que sempre ajudou no relacionamento dela com os quatro filhos do meu pai, foi ela sempre ter respeitado o nosso “espaço exclusivo” com ele. Ou seja, mesmo que fôssemos almoçar juntos, depois do almoço ela dava uma sumida para podermos conversar sobre assuntos entre pai e filhos. Isso ajudou muito na construção da relação. E esse espaço eu procuro incentivar entre o André e o Flávio, seja nas caminhadas a dois com a cadela, uma ida ao clube sozinhos ou sair pra ir ao barbeiro.

O que eu nunca tive com a minha madrasta foi intimidade, talvez porque eu já tinha 15 anos na época. E é exatamente essa a minha prioridade com o André: desenvolver uma relação de intimidade, confiança e cumplicidade. Ele tem pai e mãe ótimos e muito presentes na sua vida, então eu quero ser uma amiga, aquela com quem dá pra falar coisas que a gente tem vergonha de falar para os pais.”

Patrícia De Luca Pereira Lima é administradora de empresas, mãe de Laura (5 anos) e Carolina (2 anos) e madrasta de André (10 anos). Veja os três na foto com Paola, de 7 anos, meia-irmã de Patrícia.