Se ficar o bicho come…

se correr o bicho pega*

[Cecília Troiano]

“Estou escrevendo este e-mail para mostrar minha indignação com o preconceito que eu sofro por ser uma mãe que não trabalha fora. Eu posso não trabalhar fora, mas trabalho (e muito!) dentro. Sou motorista, empregada, administradora, professora particular e também não me envergonho de lavar, passar, cozinhar, limpar banheiro… Faço tudo o que for preciso pela minha família. Por que sou discriminada? Por que só a mulher que trabalha fora é valorizada?”

Recebi o recado desta mãe no primeiro semestre deste ano. Acho que a opinião dela expressa a de outras tantas mulheres que pensam da mesma forma e sentem essa mesma indignação.

É verdade, hoje as cobranças são inúmeras e pressionam a mulher para trabalhar fora. Quando me deparo com mulheres que não trabalham fora, sinto que elas quase me pedem desculpas por não terem uma atividade remunerada.Acredito que se essa é uma opção para essas mulheres, não cabe a ninguém julgá-las. Afinal, no mundo contemporâneo, pelo menos deveria ser assim: cada um faz o que quiser ou o que lhe parece mais acertado.

Agora, não pensem que não há cobrança junto às mulheres que são profissionais. Se ela for mãe então, a cobrança duplica. Quantas vezes já não ouvi que estava trabalhando demais e “abandonando” as crianças. As mães que trabalham muitas vezes são taxadas de “más mães”, pouco atentas aos filhos e coisas assim. Parece absurdo que falem isso, mas já ouvi muitos comentários nessa direção. Até sobre mim!

Em resumo, somos cobradas ou discriminadas muitas vezes, trabalhando fora ou não. Ou como diz o provérbio: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Faça o que você acha que tem que ser feito e esqueça a opinião dos outros!

*texto escrito originalmente para o blog do GNT em março de 2008.