Não basta ser mãe brasileira nos USA, tem que fazer feijoada!

Estou vivendo a vida de uma mãe equilibrista americana, mantendo o jeitinho de mãe brasileira, claro. Já há 8 meses vivendo em Atlanta, a cada dia sou surpreendida por mais um desafio dessa convivência latino+americana.  Meu último desafio foi preparar uma feijoada para o “International Lunch” da escola do meu filho. Fiquei sabendo há pouco mais de 3 dias que ele escolheu, voluntariamente, levar feijoada como o prato típico brasileiro, claro, já sabendo que quem ficaria com o “mico” seria a mãe. Na hora em que ele me comunicou perguntei: “mas por que você não escolheu brigadeiro? Beijinho?”. Tarde demais, a escolha já estava feita e marcada no cardápio do dia. Feijoada será então. Ainda bem que americano e ainda mais garotos de High School não tem muita noção do que é uma feijoada boa, aliás acho que nem sabem direito o que é. Sorte minha (e deles) porque sou uma brasileira que NUNCA fez feijoada na vida!!!

Mas, como não basta ser mãe nos USA, tem que fazer feijoada, vamos lá, mão à obra. 

Aproveitando-me do jeito prático de viver das donas de casa americanas, usei e abusei dos produtos pré-prontos. Afinal, o “American way of life” existe para ser usado, certo? Feijão preto em lata seria meu ponto de partida. E os pertences da feijoada? Onde iria achar carne seca, paio? A loja brasileira mais próxima fica distante da minha casa e nem teria tempo de ir até lá, com todas as outras demandas que tenho com mestrado e trabalho. O jeito criativo que encontrei foi de comprar linguiça (beef sausage) e smoked ham (tipo um tender). E o mais importante, comprar um belo caldeirão. Fora isso, o básico: cebola, alho e ervas. Por sorte, os supermercados daqui são super abastecidos e no Kroger (nosso Pão de Açúcar) encontrei tudo o que precisava. Ah, me esqueci de dizer, a feijoada seria uma “semi-feijoada” porque não estaria acompanhada de farofa nem de couve. O mais parecido que vi com couve por aqui se chama “kale” mas o sabor é bem diferente. Achei que tudo bem ser uma feijoada com arroz branco e laranja apenas. Para quem nunca tinha feito uma feijoada na vida, estaria de bom tamanho para o evento da escola. O arroz, claro, também optei por um que não me faria passar vergonha. Caso contrário, meu arroz seria o do tipo “unidos venceremos”. Mas o arroz que escolhi basta ferver a água já com os temperos e depois jogar sobre o arroz cru, tapar e esperar, fica pronto em 5 minutos. E pasmem, soltinho!!

Para incrementar o feijão, dei uma bela refogada na linguiça e no presunto, depois joguei o feijão com um pouco de caldo de carne (bem que procurei mas não achei aqui aquele caldo de feijão tipo Knorr que temos no Brasil). O apartamento já começou a cheirar com gostinho de Brasil (não são todos os gostos de Brasil que atualmente me apetecem mas nossa comida tem seus méritos!) e vejo meu filho salivando no sofá da sala. Ufa, passei no primeiro teste, pelo menos minha feijoada está cheirando à feijoada, já é algum sinal positivo.

Encurtando a história, a feijoada ficou pronta, o arroz e as laranjas picadas. Tudo pronto para ser levado na escola, às 10 da manhã. Teria que ser às 10 mesmo porque aqui, quando falam que é para chegar às 10, eles querem dizer 10 mesmo, não 10:05. Mãe equilibrista aqui tem que ser pontual, além de saber cozinhar. Toda orgulhosa levei a feijoada e os acompanhamentos. Até concha e talheres para servir inclui na entrega.

Escrevo esse texto e nesse momento é pouco depois do meio dia. À essa altura eles devem estar comendo a feijoada. Meu Deus, como será que está? Sobreviverão aos meus dotes culinários ou mancharei a reputação da “marca” Brasil no exterior pelo uso indevido de seu ativo típico mais famoso, a feijoada? Será que perderei a cidadania brasileira? Estou ansiosa para meu filho chegar no fim do dia e contar qual é meu veredicto.

Ah, último detalhe – para dar um toque de Brasil, imprimi uma bandeira do Brasil e colei na face externa do caldeirão, identificando o prato (confiram na foto desse post). Além disso, para ser bem “correta”, inclui os ingredientes usados. Vai que algum americano tem alergia a cebola e eu sou processada! E para ser ainda mais “americana”, coloquei uma informação adicional: gluten free and dairy free! Nunca tinha olhado para uma feijoada desse jeito, sendo “free” de alguma coisa e me diverti muito com isso.

Bom, já devem ter percebido que não sou nada de cozinha, tenho poucos conhecimentos nesse espaço doméstico mas minha estada nos USA, além de me aprimorar nos meus estudos, está me fazendo praticar a culinária.


Não custa repetir: Não basta ser mãe brasileira nos USA, tem que fazer feijoada!

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O retorno

O choro no meio da madrugada, os gastos com fraldas e a pilha de papinhas dentro do armário da cozinha. Os pais de primeira viagem, não acostumados à rotina de um bebê e que, até o presente momento, estavam “apenas” focados na carreira, podem ficar um pouco desnorteados no início.

Com esse parágrafo, o portal www.Administradores.com.br inicia uma reflexão sobre o retorno da mãe à vida profissional. Realmente esse período da volta é um ponto crítico de nossas vidas. Por um lado, queremos desesperadamente encontrar outras pessoas, sair da rotina peito-fralda-Hipoglós. Por outro lado, nossa alma está pregada em casa, juntinho do bebê. É animador pensar que participaremos de reuniões, encontraremos os colegas de trabalho e as divertidas conversas nos corredores. Mas como é desesperador deixar aquele ser tão pequenino sem estarmos pertinho deles. Ou será ao contrário, sem nós tendo-os por perto?

Esse sentimento ambíguo é muito verdadeiro e presente em todas nós. Na pesquisa que fiz para meu livro, mapeei os principais sentimentos desse retorno ao trabalho:

Ansiedade                 33%                                    

Alegria                        30%

Insegurança              25%

Conflito                       24%

Culpa                           22%

Angústia                      20%

Felicidade                   19%

Confiança                    13%

Esperança                   11%

Dúvida                         11%

É uma combinação de coisas boas com elementos bem doloridos. Só nos resta saber que, com o tempo, tudo entra nos eixos. Vale toda nossa atenção para escolher bem com quem o bebê ficará e acompanhar como nós e ele lidamos com esse momento de separação.

Mas, acreditem, no fim tudo dá certo!

Mães blogueiras na mira

Parece que papo de mãe virou coisa séria e mais do que isso, interessante! Por muito tempo, as conversas entre mães eram vistas como úteis apenas para as próprias. Fora isso, todos achavam uma perda de tempo ficar trocando ideias sobre fraldas, lugares para levar os filhos ou dificuldades para retomar a carreira após o nascimento do bebê.

Parece que agora somos valorizadas justamente pelo nosso papo de mãe! Quem diria, hein? Nos EUA, os publicitários perceberam que nesses espaços de trocas que ocorrem em dezenas de blogs escritos pelas mães há um território fértil para a divulgação de marcas. Eles acreditam que o ambiente é construído com base na troca de experiências e dicas e que há uma enorme credibilidade dessas mensagens trocadas. Mãe confia em mãe. O que eles querem é pegar uma “carona” na esteira dessa credibilidade já instalada nesses blogs e inserir marcas no meio dos papos. Assim, por exemplo, quando uma mãe relatar a festa de 1 ano da filha, ela pode dar detalhes da marca de pratinhos que comprou, da empresa que fez a animação e da loja onde comprou o vestido da criança. Claro, em troca, por exemplo, essa mãe pode ter a festa inteira patrocinada pela empresa “parceira”. São verdadeiros posts pagos, a autora rasgando elogios ao produto.

Acredito que isso é um enorme risco à credibilidade desses blogs. Eles perdendo sua vocação espontânea de troca e assumindo um caráter meramente comercial. Sem dúvida, toda a graça de um bom papo entre mães ficará comprometida em nome de vantagens ecônomicas. Espero que essa moda não pegue por aqui.

Desejos e reflexões

[Mães equilibristas]

Na sua opinião, o que a equilibrista ainda precisa conquistar?

“Precisamos vencer a discriminação profissional. Nós equilibristas, como trabalhadoras, recebemos menos do que os homens para desempenhar a mesma função.” Heleni Fantini, advogada, São Paulo, SP, filha de 12 anos.

“Respirar fundo, fechar os olhos e contemplar tudo que já foi conquistado.” Luciana Gonçales, Bióloga, Barueri, SP, mãe de Maria Eduarda (2 anos) e Fernando (10 meses).

“Sabedoria suficiente para entender que tudo pode dar certo, independente de você estar sempre no controle. Delegar, acalmar-se e não querer que tudo fique ‘perfeito’ como você faria. Como nos dizem nossas avós:  no fim tudo dá certo. Elas sabem o que falam. Têm experiência.” Patricia Pessoa, publicitária, Belo Horizonte, MG, mãe de Ana Luiza (2 meses e meio).

“O autoconhecimento! Para ter consciência de que somos humanas e por isso temos defeitos e qualidades, erros e acertos, conquistas e fracassos, sonhos e realidades, traumas e potenciais… Enfim, somos más e boas mães e excelentes e péssimas profissionais (tudo ao mesmo tempo) o que importa é nos olharmos de frente , entender os nossos pontos negativos, nos auto desculparmos (culpa só atrapalha e muiiiiiiiito!) e batalhar para o melhor. Reconhecer e nos fortalecer nos pontos positivos e sempre, sempre cultivar a nossa grande capacidade de amar.” Alice Andrioli Pinheiro, veterinária e pesquisadora da Embrapa, Sobral, CE, mãe de Mariana (15), Gabriel (13) e Caio (7).

“Em minha opinião ainda precisamos conquistar o direito de poder equilibrar melhor a vida profissional X pessoal X doméstica. É extremamente complicado ter que trabalhar horas e horas após o expediente (sem esquecer as inúmeras viagens muitas vezes desnecessárias), ter que cuidar dos afazeres domésticos e ainda ter tempo para ajudar os filhos na lição de casa, dar atenção ao marido, parentes e amigos, divertir-se e descansar.” Adriana Ruta Real, assistente Executiva na PepsiCo do Brasil, mãe de Marcos Alexandre (8 ) e Giulia (2).

“Uma equilibrista é movida pelo coração. Amor incondicional pelos filhos, pela família que  constituiu  e pela suas conquistas profissionais. Nós mulheres ainda precisamos ter mais segurança e maturidade diante de nossas escolhas e decisões, entender que não somos perfeitas, mas temos sempre a  intenção de que tudo dê muito certo e, por este motivo, vamos  deixar de nos cobrar  e assumir com a competência que nos cabe o  maravilhoso papel de equilibristas.” Cacy Ferraz, relações públicas, Salvador, BA, mãe de Júlia (11).

“Dentro de tantas atribuições, precisamos de mais objetividade para conquistar a confiança dos homens no ambiente de trabalho.” Milena Seixas, administradora, Salvador, BA, mãe de Malu (quase 3).

“A equilibrista precisa ser mais zen, pelo menos eu sinto que falta um pouco de paz interior às vezes!!” Adriana Jamal Contiero, assistente executiva, São Paulo, SP, filha de 4 anos.

“A equilibrista precisa conquistar equilíbrio para organizar seus horários de forma mais serena apesar da correria. Sinto que quanto mais apressada fico, menos atenção ofereço ao meu filho. Mais carente, a criança começa a fazer manha e birra e consequentemente, ficamos mais estressadas. É necessário buscar a serenidade ao olhar para nossos filhos e responder aquelas perguntas cujas respostas eles já sabem, mas ao solicitar a mãe tem um pouquinho mais de atenção. É preciso responder com meiguice ainda que no meio do turbilhão.” Gabriela Novaes, coordenadora pedagógica de escola municipal, São Paulo, SP, mãe de Érico (3). 

Equilíbrio de opiniões

[Mães equilibristas]

Na sua opinião, o que a equilibrista ainda precisa conquistar?

“Acho que toda equilibrista precisa se livrar de culpas, precisa encontrar paz e alegria e precisa se equilibrar entre as posições de educadora e de desfrutadora da vida familiar!!!” Natalia Zekhry, obstetra em São Paulo, SP, mãe de Ana (7),  Alice (6), e Alex (1).

“Jornada de trabalho reduzida sem que implique em conseqüências na sua carreira e imagem.” Dora, publicitária, São Paulo, SP, duas filhas (5 e 1 ano).

“Acho que o que ainda falta é o compartilhamento verdadeiro das responsabilidades da casa e dos filhos com o parceiro. A divisão de tarefas já é um bom avanço, mas acredito que a evolução máxima será quando o marido “espontaneamente” abrir a agenda dos filhos para ver os recados do colégio, ou lembrar-se de que é época de visita ao pediatra!” Andrea Alvares, diretora da Pepsico, São Paulo, SP, mãe de Júlia (9), Rafael (5) e Manuela (1 1/2).

“A equilibrista ainda precisa conquistar a independência econômica, para que o equilíbrio não fique ameaçado diante de eventuais contratempos profissionais e/ou pessoais.” Fernanda, autônoma de São Paulo, SP, mãe de Matheus (7).

“Eu acho que a equilibrista precisa de reconhecimento do marido/parceiro/pai porque são pouquíssimos os que conheço que reconhecem que nós somos equilibristas, que nós estamos cansadas sim e que seria de imenso prazer dividir os trabalhos no fim de semana, que seria maravilhoso ouvir na sexta ou sábado à noite “amanhã você dorme até mais tarde que eu acordo cedo com o bebê”, enfim… um pouquinho mais de ajuda não seria nada mal.” Karin, secretária,  Angra dos Reis, RJ, filho (10 meses) e filha (4 anos).

“Nós equilibristas temos que conquistar o controle sobre nossos próprios “hormônios”  que nos fazem questionar e oscilar muito e acabamos tomando decisões e atitudes às vezes precipitadas. Precisamos domar nossos ímpetos, pois temos tudo sob controle !!!” Viviane P. Lopes, Rio de Janeiro, RJ

“Nós equilibristas precisamos conquistar a PAZ, o tão sonhado tempo para dedicar a nós mesmas… e não estou falando de ginástica e estética ( que isso nós já “tentamos” conseguir), e sim algo nosso (interior), respirar sem nenhuma preocupação…sem horários malucos…sem rotina enlouquecedora….enfim apenas você com VOCÊ!!!!” Gi Millan, assessora de eventos, São Paulo, SP, mãe de Gabriela (7).

“Em minha opinião, a equilibrista precisa conquistar equilíbrio e autoconfiança. Precisa segurar os pratinhos segura de si.  Segura de que está fazendo o melhor, segura de que é a melhor pessoa que se pode ser, e segura de que vai dar tudo certo. E ainda, ser detentora daquele olhar confiante, de tranquilidade. Em outras palavras: Precisa se conquistar.  Ser segura de si. Pois quando a mulher é feliz consigo, segura melhor os pratinhos.” Vivian B Teixeira Torolho, advogada, Barueri, SP, mãe de Vitória (3 anos)e Isabela (1 ano).

Tempo precioso

[Mães equilibristas]

Ele parece elástico nos depoimentos.  Devido à sobrecarga de tarefas, a mulher se obriga a administrar os minutos para se sentir em controle da agenda. E a atenção que ela dá aos filhos, tira dela mesma… com algumas exceções.

1. Faço “to do lists” no celular: o que comprar na farmácia, o que perguntar para a pediatra (que não é urgente e pode esperar a próxima consulta), que livros quero ler (para lembrar quando passar em uma livraria) etc. 2. Delego as compras básicas de supermercado para minha “secretária”: ela faz a lista, vai no supermercado do bairro, escolhe as coisas, eles entregam e ela guarda tudo. Pra mim, só sobram as compras menores e mais gostosinhas de fazer. 3. Hora do almoço (durante a semana): sempre aproveito para comprar alguma coisa, resolver problemas, etc. 4. Tenho uma “linha direta” com a babá, via torpedo. Se precisa comprar alguma coisa, se acontece alguma coisa durante o dia, fico sabendo rapidamente. 5. Checo meus emails à noite, depois que a Luísa dorme. 6. Não falo no telefone quando estou com a Luísa em casa. E mesmo com “tudo isso” ainda está faltando tempo para mim! Renata, 1 filha, gerente de branding em São Paulo, SP.

“Sou psicóloga clínica, tenho 3 filhos, sou professora e escritora. Tenho, portanto, muitas funções. Além disso, toco em uma banda e faço dança. É sem dúvida o perfil de uma verdadeira equilibrista. Mas o que tenho aprendido nesses anos todos, é que administrar o tempo é, na verdade, mais que isso; é administrar a vida. E não dá para pensar que a vida é um item que cabe numa agenda. É preciso estar constantemente atento e refletindo o “como” se está usando o tempo e onde se está na lista de prioridades da vida. Trabalho e desempenho sem Eros são apenas tarefas. E depois de todas cumpridas, o que sobra? A estratégia é, antes, olhar para o que está sendo equilibrado e para quê.” Sylvia, 3 filhos, psicóloga, professora e escritora. 

“Costumo dizer que não uso relógio. Uso cronômetro!” Secretária do McDonald´s que assistiu a uma palestra da Cecília Troiano!

“Tenho a sorte de ter um trabalho de horários fixos, como professora, que me tomam 24 horas por semana e mais 6 adicionais flexíveis. Deixei em segundo plano a pesquisa científica de forma a ter mais tempo para me dedicar a meus filhos. Tenho muito trabalho a fazer em casa, entretanto. Procuro manter uma rotina fixa, chegando nos mesmos horários em casa e primeiro me preocupando com meus filhos. Quando meus filhos vão dormir às 19/ 19:30 tenho tempo para me dedicar ao meu trabalho propriamente dito. Meu marido ajuda bastante principalmente de manhã e no fim de semana, já que os horários dele não são tão flexíveis quanto os meus. Mesmo assim fico muitas vezes com a sensação de não estar fazendo o melhor possível tanto em termos de dedicação a eles quanto do meu trabalho (pesquisa). É necessário tentar equilibrar o melhor possível a tarefa materna e de trabalho. Isto implica na minha opinião em escolhas por um lado e perdas por outro lado. “Perder tempo” com as crianças é fundamental. Esta fase da vida é maravilhosa e exige amor, carinho e dedicação de fato (isto não significa que é necessário ficar com eles 24 horas por dia, pelo contrário é importante que haja também satisfação pessoal / no trabalho). Não é possível ser exemplar em tudo, mas sim tentar fazer o melhor possível com relação à tarefa materna e de trabalho.” Sonia , 2 filhos, professora universitária  em São Paulo, SP. 

“Minha vida de equilibrista começa às 6:30h da manhã quando reúno a turma (Rafael 3,5 anos e os gêmeos Gabriel e Henrique 7 meses) para levá-los à escola. Como passam o dia todo por lá, levo com eles uma “mudança” (roupas, papinha, leite, etc… pacote completo). Obviamente são várias “viagens” para descarregar o carro. Após deixá-los vou para a academia. Faço um programa de exercícios que não excede 40min, sendo bastante intenso, porém, curto. Vou para o trabalho, também com minha “mudança”, pois levo minhas refeições uma vez que tento não descuidar da minha alimentação. Trabalho contra o relógio o dia todo, minha agenda é bastante pesada. No final da tarde vou buscar meus filhos na escola. Quando chego em casa geralmente ainda tenho que finalizar algumas obrigações do trabalho preparando aulas, palestras ou mesmo trabalhando na minha tese de doutorado. Entre uma atividade e outra brinco com meus filhos. Depois que os coloco para dormir tenho algum (bem pouco) tempo para mim. Após o nascimento dos meus filhos  aprendi o quão precioso é o tempo, não desperdiço sequer 5 minutos com atividades improdutivas. Não assisto a programas que não sejam educativos e qualquer minuto livre eu aproveito para ler um livro. Para otimizar o tempo no trânsito fico escutando meu i-pod que contem alguns audiobooks (e-books) com o objetivo de treinar meu inglês e ao mesmo tempo aprender algo. Posso dizer que certamente a vida de equilibrista me trouxe importantes ganhos, dois em especial são a produtividade e a habilidade de amar incondicionalmente o próximo. Isso eu devo às crianças maravilhosas que são meus filhos.” Ana Paula, 3 filhos, médica de Ribeirão Preto, SP.

“Faço listas, listas e muitas listas. Com margem para imprevistos e ordem de prioridades! E guardo momentos em que só me concentro nas minhas duas pequenas. De modo que tento não misturar duas atividades simultâneas (será possível?). Uma atividade de cada vez, de forma concentrada (nem sempre dá certo, mas a gente tenta). Assim, sou capaz de passar mais de um mês sem depilar as pernas, duas semanas sem fazer unhas e remarcar um exame médico (meu, não delas, claro) três vezes. Por outro lado, vira e mexe sobra uma sábado inteirinho para rolar no quintal com elas (com a unha por fazer e a perna peluda, beleza!). Ordem de prioridade é meu lema. Os últimos ítens da lista, em geral, ficam para amanhã, semana que vem ou nunca. Mas eram os menos importantes mesmo. ”  Juliana, jornalista, dois empregos, duas filhas na creche das 10h às 18h30, uma ajudante doméstica das 10h30 às 20h, um marido gente fina que faz tudo mas chega quase às 20h em casa e trabalha todo sábado. Ah, sim: uma casa em São Paulo com quintal. Fundamental. 

“Eu divido meus horários de almoço em 3 dias almoçando com o marido e dando atenção só pra ele e 2 dias em casa na hora do almoço, para levar a Sofia (4 anos) até a van que vai pra escola e fazer o Bernardo (6 meses) dormir depois disso. À noite, depois que as crianças dormem, cuido de mim e da casa.” Karin, 2 filhos, Angra dos Reis, RJ.

“Procuro ser objetiva nas tarefas e na definição de prioridades. São várias as tarefas: meninas, casa, marido, trabalho e a minha vida pessoal. Dentro dessas obrigações diárias, tenho claro que as meninas são a prioridade número 1, entretanto tenho o trabalho como uma parte importante também. Por isso, no dia anterior procura refazer a agenda na minha cabeça e muitas vezes abrir mão de compromissos ou tarefas para o meu dia não virar uma correria. Um outro ponto importante é fazer o roteiro do dia, uma vez que o trânsito é uma variável determinante nos dias de hoje. O que também me ajuda muito é ter o outlook atualizado com os compromissos, e deixar sempre uma hora entre um compromisso e outro. Para driblar alguns imprevistos conto muito com as minhas irmãs que me ajudam muito, e todos têm os meus telefones para emergências.” Luciana, duas filhas, São Paulo, SP.

“Acordo todos os dias às 6:15, levo uma das minhas filhas na escola e vou para o trabalho. Quando posso, volto mais cedo nos dias que as crianças dormem na minha casa, faço a feira nas quintas bem cedo e vou ao sacolão na sexta.No sábado às 6:00 faço a meditação em grupo que eu adoro e no domingo pela manhã, gosto de ir ao culto e ouvir música no museu.Procuro aproveitar os intervalos livres no consultório  para estudar, nadar 2x por semana,fazer algum trabalho artístico/manual e quando consigo toco violão.Participo de um coral quinzenalmente e mensalmente participo de um círculo de mulheres aos sábados pela manhã.Quando tudo vai bem essa é a minha rotina mas, quando algum dos filhos fica doente…aí o bicho pega e acabo suspendendo tudo até que a rotina possa ser restabelecida.” Ana, 4 filhos, terapeuta em São Paulo, SP.
“Estabelecer prioridades: ensinando minha filha de 4 anos a fazer escolhas logo cedo. Mostrando que estas escolhas poderão refletir no futuro.E tentar fazer tudo com alegria, sem stress por mais que o dia a dia não ajude!” Adriana, 1 filha, assistente executiva em São Paulo, SP.

“Pra mim, a agenda do outlook é fundamental. Tento colocar os compromissos (todos) na agenda: consulta médica, aula, reuniões, aniversários, pagamento de contas, alguma outra tarefa especial e etc. No dia-dia da empresa, ao ler os e-mails, os que já estão resolvidos, movo para uma pasta específica, os q não estão permanecem na caixa de entrada. Em seguida, vou despachando-os e resolvendo-os por prioridade.Ultimamente, tenho tentado fazer home-office pelo menos uma vez por semana. Isso me garante um pouco mais de foco e concentração. Tenho menos interrupções.” Claudia, coordenadora de empresa de tecnologia em São Paulo, SP.

“Fazer logo as tarefas chatas, porém indispensáveis. Delegar pra quem confio. Não perder tempo com coisas que não trarão resultados concretos seja no curto, médio ou longo prazos. Isso serve tanto pra trabalho como para lazer, descanso (que tem enorme retorno!) e coisas do dia a dia. Faço listas de “to do”s semanais. Me ajudam a priorizar e é ótimo qdo chega o fim da semana e vc vê o quanto conseguiu “riscar” da sua lista!” Andrea, São Paulo, SP.

“Como o tempo está cada vez mais valioso, antes de qualquer coisa, eu penso em quais são minhas prioridades. Não só com relação às atividades do dia-a-dia, mas com relação a minha vida. Percebi que seria incoerente dedicar a maior parte do meu tempo ao trabalho se ele não é a coisa mais importante pra mim. Não tanto quanto cuidar de mim, curtir a casa e ficar com a minha família. Não pense que com isso não me realizo profissionalmente. A vantagem é que trabalho em casa e posso eu mesma administrar o meu tempo. Também não ganho rios de dinheiro e nem é minha pretensão ficar rica. Sigo a máxima “ter menos e viver mais”. Para administrar o tempo no dia-a-dia, sempre coloco no papel os afazeres do dia. A luta é tentar riscar todos os itens da lista. Às vezes consigo, quando não me distraio com outras coisas. Pela manhã, trabalho em casa no computador e quando tenho algo para fazer fora, deixo para a parte da tarde. Meus horários são bem flexíveis (sou jornalista e fotógrafa free lancer), há dias em que não tenho muito trabalho aí aproveito para ficar com a Maria Luisa. Mas todo santo dia, depois das 18h, começa meu expediente integral com ela. Até a hora de ela dormir. Daí aproveito para conversar com o marido, namorar um pouquinho, assistir TV, ler uma revista ou livro da pilha que só se acumula, ler os últimos e-mails e depois, cama.”  Alessandra, 1 filha, jornalista e fotógrafa em Curitiba, PR.  

“Administrar o tempo, hoje em dia, é uma arte! Todos os dias levo o Matheus para a escola, pois acho importante pelo menos um contato por dia com a escola, o que é muito proveitoso. Geralmente é neste momento que escutamos sobre o que se passa na escola e, se for o caso, depois buscar mais informações a respeito e analisar o andamento da educação do meu filho. Uma estratégia que uso é de o Matheus voltar com o transporte escolar pra casa. Se algum dia fico mais enrolada, peço também para levá-lo para a escola. Outra maneira de conseguir driblar o tempo escasso, é deixá-lo na escola no extensivo – o que faz o tempo render – faço durante o dia tudo o que não dá pra fazer com o Matheus por perto e quando ele chega, me dedico a ele com mais qualidade.” Fernanda, 1 filho, autônoma em São Paulo, SP.

“Bem, minha administração nem sempre funciona como o planejado. Portanto, acho que a regra número um é não ser tão rígida com fórmulas e agendas, porque para uma “administração com bom senso” é preciso muito jogo de cintura para fazer adaptações de última hora. Como sou jornalista autônoma, posso muitas vezes organizar meus horários para estar com eles e compensar no trabalho à noite, se for necessário. Em geral, as manhãs, bem cedo, são para mim. Ginástica ou caminhadas, que fazem um bem danado para a cabeça. Depois começa o leva-e-traz de criança para todas as 1001 atividades, uma tarefa compartilhada com meu marido, justiça seja feita. Uma delícia, claro, mas obrigação também. Almoçamos juntos antes de eles irem para a escola e, na parte da tarde, trabalho. Muitas vezes o trabalho tem que começar cedo, a rotina muda, mas essa é a forma que a casa funciona, de um modo geral.” Simone, 2 filhos, jornalista no Rio de Janeiro, RJ.

“Algumas das minhas estratégias: ouvir noticiário na CBN enquanto estou no trânsito de manhã; fazer a unha e massagem na hora do almoço durante a semana; fazer compras de presentes, livros, lembrançinhas e outras coisas pela internet; usar serviço de leva e traz do lava-rápido; pagar todas as contas pela internet; contar com a empregada para fazer a lista do que falta em casa; planejar bem cada dia, principalmente os dias mais fora da rotina; deixar o banho da cachorra agendado com o pet shop de 15 em 15 dias, com serviço leva e traz. E, principalmente, ter pensamento positivo, sempre acho que vai dar tudo certo no final!!!” Elke, 1 filho, gerente de marketing em indústria farmacêutica em Barueri, SP. 

“É assim que eu me vejo, sempre correndo atrás da agenda que não cumpri, da atenção que não dei à minha família como gostaria, dos compromissos aos quais faltei, dos telefonemas que não respondi, da palavra amiga que deixei de dizer na hora certa…hoje, depois de outro hoje, depois de outro ainda mais urgente hoje. E para quê?” Márcia Neder, diretora de redação da revista Claudia, no editorial da edição de outubro.