Jogo de equilíbrio

[Maggi Krause]

Em dez anos, o índice de casamentos no Brasil que envolvem pelo menos um divorciado cresceu de 7% para 12%.

Isso sem falar nas uniões informais e considerar que o número de divórcios no país quadruplicou nas últimas duas décadas (dados do IBGE).  Diante dos números, fica evidente que a família moderna é outra. “Família muda de acordo com a época. Não existe mais família tradicional, é um mito que a família dê segurança absoluta”, repara a psicopedagoga Maria Irene Maluf. “Mas a estrutura de família você recria. O importante é que os papéis fiquem bem claros. Não interessa se vai casar 4 ou 5 vezes, o pai e a mãe biológicos são os responsáveis. O filho precisa respeitar o padrasto, mas quem deve cobrar mais é o pai.” Segundo ela, na cabeça das crianças não existe meio-irmão: um irmão, quando chega, é irmão e pronto. Se houver harmonia e cuidados incondicionais de pai e mãe, quem passa por muitos cuidadores (padrastos, madrastas, avós) também não se estressa. “Tenho o caso de um menino que veio ao consultório e dei uma folha para ele completar e presentear ao pai no dia dos pais… Ele foi pedindo mais uma e mais uma, saiu daqui com 5 desenhos, para cada uma das ‘figuras paternas’ da sua vida. Achei bonito, pois ele quis prestar tributo a todos, mas deixou claro que o número 1 era o pai biológico.” 

Na família, conflitos sempre existirão, ou será que não presenciamos brigas entre irmãos, ciúme dos pais, brigas de casal? No caso das novas famílias, parece que a coisa se amplifica mais pelo número de envolvidos e pelos sentimentos ambíguos que se instalam… “Sou filho de meu pai, mas convivo com o marido da mamãe e preciso seguir as regras novas da casa, o caçula (fruto da nova união) recebe mais atenção que eu…”  “Não fui a primeira a dar filhos para ele… Por que a ex sempre vai sempre atrapalhar a nossa vida? Minha enteada que está morando conosco tira minha privacidade.” Esses são só alguns exemplos da intrigas da mente humana. Mas, enfim, são tempos modernos, as pessoas buscam a felicidade em novos relacionamentos, casamentos se desfazem mais de uma vez até, mas os filhos são para sempre! Talvez eles sofram com as mudanças (nem sempre, leia a história da família da Márcia, no post Imenso coração de mãe), mas precisam se adaptar.

Existem crianças bem resolvidas que vivem entre a casa do pai e a da mãe e outras cheias de problemas em famílias ditas ‘estruturadas’. Generalizar é seria um ato criminoso. A terapeuta de família Lídia Aratangy costuma dizer que as saídas para a resolução dos problemas na nova família passam pelas mesmas da família tradicional, embora haja conflitos de naturezas diferentes. “É preciso tolerância para lidar com as diferenças, bom humor para enfrentar as dificuldades e controle das próprias fantasias e inseguranças.*” Com harmonia, as novas famílias podem esquecer dos problemas e vivenciar a lado bom que é viver em um grande clã.

*frase pinçada da reportagem da revista Época.

Imenso coração de mãe

[Mães equilibristas]

Márcia queria preencher a casa com uma grande família. Conseguiu ao se unir a Roberto, que conheceu pela internet.

Pedro (7), filho de Márcia e Marcelo (o ex-marido), Juliana (18), filha de criação de Márcia, Roberta (17) e Wagner (14), filhos de Roberto, e Enzo (45 dias), filho de Márcia e Roberto, são todos irmãos nesta nova família. Duas bicamas no quarto dos meninos e um triliche no das meninas abrigam inclusive os outros dois filhos de Roberto, quando eles vêm visitar.

“Me separei quando o Pedro tinha 2 anos e meio. Depois de algum tempo, comecei a me sentir deprimida dentro dessa casa grande.  Como não sou de sair, resolvi entrar em um site de romance, sem grandes expectativas.   Conheci o Roberto, trocamos telefone e nos falamos bastante. Um mês depois, nos vimos. Foi amor à primeira vista! Não entramos em detalhes sobre as nossas vidas, pois não sabíamos no que iria dar. Mas chegou uma hora que ele disse: ‘Agora ou vai ou racha, preciso te contar uma coisa!’ Ele revelou que tinha quatro filhos, de dois relacionamentos anteriores. Dois moravam com ele e os outros dois, com a mãe. Mas eu não me intimidei… Assim que os conheci,  Roberta e Wagner tiveram empatia comigo e, uma semana depois,  estavam passando uma semana de férias na minha casa. Depois, passaram a vir todos os finais de semana para cá. Toda sexta-feira eu ia até a Penha (no zona Leste) buscar os filhos dele e trazer aqui para Interlagos (extremo sul da capital paulista), onde moro.  Nosso relacionamento já dura dois anos e quando engravidei, todos se mudaram para cá.

Somos sete! É um barato. Todos ficam em cima do Enzo, cuidam dele. Claro que mudou a rotina da casa, que antes era um silêncio. Agora à tarde é uma agitação, e como eu gosto disso, estou realizada.

De manhã levo as crianças na escola, amamento na volta, depois saio para pegar os cachorros para o banho e tosa. Volto às 10h com os animais e vou trabalhar. Mas às 12h e pouco já vou buscar na escola. À tarde fico administrando lição, pegando no pé, tendo que dizer não e sim para todos.  E as crianças se tratam como irmãos. Tenho que virar um polvo para dar conta. Eles me chamam de Márcia, mas na escola, se perguntam, dizem que eu sou a mãe. A Roberta e o Wagner não têm contato com a mãe biológica e foram criados pela avó. Foi uma novidade grande para eles o fato de vir morar comigo, mas eles logo curtiram. E agora são criados pelo pai. Antes, o Roberto ficava fora alguns dias e às vezes uma semana inteira, organizando eventos grandes como lançamentos de carros ou de produtos para Natura ou Nestlé. Agora trabalha fixo em uma empresa de eventos aqui perto de casa, então consegue ver as crianças quase todos os dias e ficar mais tempo com eles.

No início, fiquei com medo de o Pedro sentir ciúmes, mas ele queria que eles viessem morar conosco. Se dá muito bem com o Wagner. Queria sempre ir buscar a Roberta e o Wagner na Penha, e eu voltava com o carro lotado de crianças, roupas e brinquedos.

Meu ex-marido, o Marcelo, que também já está casado, é um pai muito presente. Minha relação com ele é superboa, tanto que ele me deu um carrinho e um bebê-conforto para o Enzo.  Marcelo entra em casa quando quer e fica jogando videogame com o Pedro. Ele também pega o Pedro e o Wagner para passar o final de semana na casa dele. Vão juntos ao jogo do Palmeiras: graças a Deus, são todos Palmeirenses!

A esposa do Marcelo se dá bem comigo, eles têm um bebê de 1 ano. Minha cunhada, irmã dele, me deu o berço. Tenho duas sogras e um ótimo relacionamento com ambas. Por conta das crianças, elas até se conhecem.

Estava na dúvida quanto a ter mais um filho, mas vivemos com tanta harmonia que deu vontade. Mas não foi programado, esqueci de tomar a pílula e entramos naquele ‘Seja o que Deus quiser’. Fiquei muito feliz! Estou satisfeita com a minha família, queria mesmo ter bastante gente em volta de mim. É uma delícia, no final de semana as crianças escolhem filmes para alugar e fazemos uma sessão cinema em casa, com muita pipoca e bagunça. Quando saímos todos para andar de bicicleta na praça aqui perto também é uma festa.

A paulista Márcia Cardoso mora com o marido, as 5 crianças da família, e mais 11 cachorros e um gato. É microempresária, pilota um banho e tosa com serviço de leva e traz.

Nova dinâmica da família

[Cecília Troiano]

Basta um olhar mais atento à nossa volta, dentro ou fora de casa, para vermos que as famílias estão diferentes. Pais e filhos já não são mais os mesmos e tudo o que gira em torno da família também ganhou novos ares, em especial o relacionamento entre pais e filhos. Nós, equilibristas, vivemos tentando equilibrar todos os pratinhos e um deles, aliás, bem importante, é o da família. Em tempos de tantas mudanças, vale refletir um pouco sobre como anda a nossa família.

Uma rica pesquisa realizada pela VIACOM (distribuidora de marcas como Nickelodeon, Vh1 e MTV Hits no País) desvendou os mistérios que rondam essa nova dinâmica familiar. O estudo foi encomendado pela VIACOM à Research International e ouviu mais de 600 pessoas das classes AB, combinando várias metodologias de investigação.

Beatriz Mello, responsável pelo departamento de pesquisa da VIACOM, dividiu conosco algumas idéias da pesquisa entitulada “A Nova Dinâmica Familiar”. As idéias apontam mudanças nos três eixos da família: nas mães, nos pais e nos filhos. Confira e veja se sua família também se encaixa nessas mudanças.

1 – Mudanças na atuação das mães: a pesquisa revela que a essência das funções materna e paterna permanece a mesma, mas as maneiras de atuar nestes papéis têm sofrido mudanças relevantes. O papel da mãe já passou por uma primeira transformação: apesar de estar cada vez mais atuante no mercado de trabalho, ela continua sendo a responsável pela organização e administração da casa (cuidados cotidianos) e pelo bem-estar emocional, afetivo e  proteção dos filhos. Quem leu o livro “Vida de Equilibrista: dores e delícias da mãe que trabalha”, irá lembrar que esse é um dos temas que abordo também. A mãe, mesmo com todas as jornadas, é a maior responsável por tudo o que tem a ver com a casa e a família.

2. Mudanças na atuação dos pais: a forma de atuação dos pais está em plena transformação, em busca de maior proximidade com os filhos. Eles ainda conservam a responsabilidade pela transmissão de valores éticos e morais, autoridade e exemplo de conduta. Os dados revelados apontam que esta mudança de papéis, porém, não tem sido fácil: muitos deles têm dificuldade em equilibrar autoridade com afeto e acabam confundindo amizade com falta de limites.

3. Mudanças nos filhos: Hoje, com maior acesso às informações, eles têm maior poder de verbalização e argumentação, influenciando diretamente as decisões familiares. Com relação aos pais, as crianças encontram-se em momentos diferentes, conforme a faixa etária. Os menores são bem mais próximos e dependentes dos pais, buscam aprovação constante, carinho e atenção. Já as crianças maiores, consideram os pais importantes, mas procuram se afastar e ir atrás da própria personalidade, em busca de independência dos pais.

Quem acompanha nosso site ou leu o livro “Vida de Equilibrista:dores e delícias da mãe que trabalha” , deve se lembrar de que tocamos em vários pontos que são muito bem retratados pela pesquisa, tais como a onipresença da mãe nas atividades que envolvem a família ou a casa, na maior participação dos pais (aliás, temos textos bem bacanas de pais em nossa seção Conversa de Pai) e como nossos filhos são diferentes.

Enfim, vejo a pesquisa como mais uma contribuição para nossa reflexão sobre esse tema tão importante que são as nossas famílias.

A vida muda, mas a responsabilidade continua

[Ana Dini]

Um dos momentos mais difíceis do dia de uma professora de Ed. Infantil é a hora da saída, principalmente se você tem uma turma com 30 alunos.

É claro que a atenção deve ser intensa, mas em alguns casos, entregar a criança certa à pessoa certa exige mais do que atenção, exige também boa dose de jogo de cintura.

Primeiro dia de aula, eu recebo uma carta da direção da escola alertando-me sobre a saída de uma de minhas alunas. Os pais estão em litígio e enquanto a situação não se resolve o pai está terminantemente proibido de retirar a menina da escola, em compensação, a avó paterna pode fazê-lo. Instrução simples de ser seguida, principalmente depois de conhecer quem é mãe e quem é avó, é só reconhecê-las na porta e entregar a criança.  Não fosse o fato, de a menina ODIAR a avó e entrar em completo desespero, desde a entrada à escola, nos dias em que ela vem buscá-la. A mãe chora, dizendo à filha que não pode fazer nada. E não pode mesmo!

O peso de toda a briga entre os pais, a pressão que essa avó fazia para ter a menina para si (ela, além do pai e da mãe, brigava por sua guarda), gerava na criança angústia, tensão, tristeza e imensa insegurança.

No decorrer do ano, as coisas foram se assentando: a menina já não fazia mais escândalo para sair com a avó, até porque nesses dias ela recebia uma recompensa especial. A avó comprou um cachorro e a menina, alucinada pelo animal, não resistia mais em sair com a avó.

Os traços de mimo e de superproteção eram notórios na criança. Algumas situações em sala de aula exigiam de mim uma dose extra de coragem. A menina não sabia e não podia se frustrar. Era uma criança de poucos amigos, exigia muito deles. Crianças em fase pré-escolar tendem a não ter muita paciência… então ela ficava sozinha ou buscando “implicar”com alguém.

Teria outras histórias para contar, sobre casais que se desfizeram, com filhos, e que encontraram novos parceiros, que também tinham filhos. A família nesses casos tende a crescer. Passados os primeiros momentos, quando nem adultos e nem crianças sabem muito bem o que está acontecendo, tudo tende a ficar bem.

Mas, prefiro contar uma outra história que poderia ser parecida com a que contei acima.

Início do ano, nada de recados ou alertas especiais. Hora da saída, um vovô vem retirar uma de minhas alunas. Não há nenhum tipo de autorização especial, as auxiliares da escola autorizam a saída de modo bem natural. As primeiras semanas de aula transcorrem e aquela aluna que saiu com seu avô se mostra dia-a-dia mais empenhada nas aulas, segura de si, confiante, feliz.

Para a minha surpresa seus pais estão separados, o pai, embora seja presente na vida da filha, mora em outro país e a visita uma única vez no ano, a menina mora com os avós maternos e com a mãe. Durante uma reunião, a mãe me questiona sobre o que vejo e sinto de diferente em sua filha com relação aos outros, que tem um padrão de família “normal”. Não vejo e nem sinto nada.

Ela sente que a filha é mimada e protegida pelos avós (que exercem logicamente o papel de avós) e que para ela é duro, em alguns momentos, colocar os limites em casa. Nada disso é percebido na escola, a menina não apresenta traços de criança mimada, nem mesmo superprotegida. Relaciona-se e é  bem quista por todos.

Duas histórias muito parecidas, mas que são diferentes de modo determinante pela atuação dos adultos que estão envolvidos.

Independentemente da estrutura familiar na qual a criança está inserida, é indispensável que os adultos conheçam o seu dever, saibam e se coloquem no seu papel de responsáveis pelas crianças. Ser responsável. O que isso de fato significa?

Podemos identificar o sofrimento da primeira criança e embora não tenha descrito todos os detalhes e acontecimentos dessa história, que em minha vida durou apenas um ano, garanto a vocês que a responsabilidade sentida e percebida por mãe, avó e pai sempre foi a de abafar qualquer sentimento negativo dessa menina. Eles se sentiam culpados e por isso se responsabilizavam pela felicidade imediata de sua menina. Todos os seus desejos eram concedidos e ninguém jamais terá tido oportunidade de conhecer as suas reais necessidades.

No segundo caso, os adultos continuam a ver a menina como uma criança em desenvolvimento, a mãe, atenta à atitude dos avós, teme perder a sua autoridade de mãe e busca olhar para isso. Sente-se responsável por sua filha a longo prazo, não a quer para si, fala sobre as dificuldades reais que ela e a filha encontram, mas sabe que é nessa história que a sua filha vai se desenvolver, crescer e ponto final.

Separações, mudanças, distâncias, o desconhecido, o ser diferente, tudo isso é difícil de ser enfrentado e é sem a menor sombra de dúvida, sofrimento para uma criança. Privá-la disso é impossível, porque esses acontecimentos fazem parte da vida. Temos que, como adultos que somos, acreditar que essas experiências amadurecem. Amadurecer significa romper limites, ultrapassar fronteiras, fortalecer-se como ser humano e então crescer. Que é tudo que almejamos na vida! E é essa é a nossa real responsabilidade: deixá-los crescer.

Ana Dini é educadora, formada pela USP-SP, especialista em Educação Infantil. Há 18 anos atende crianças e pais em escolas de grande porte. Ministra o workshop “Como falar para o seu filho ouvir”. Contato: anapdini@hotmail.com

Ser madrasta despertou meu lado mãe

[Patricia De Luca Pereira Lima]

Durante os feriados de Carnaval, Patricia De Luca Pereira Lima ficou ocupada com os programas das quatro crianças da família: as filhas, o filho do marido e a meia-irmã. Em dias normais, ela é vice-presidente de uma agência de publicidade.

“Minha vida em comum com o Flávio começou com o filho dele incluído – comendo papinha, usando fralda, e o meu marido aprendendo a ser pai. Quando nos casamos, o André tinha 2 anos e morava com a mãe, claro, mas passava conosco um final de semana sim, outro não, e todas as quartas à noite. Nessa época, eu era muito voltada para a carreira e a convivência com o bebê me despertou a vontade de ser mãe. Aprendi a ser maternal com ele, já que se passaram 3 anos antes de a Laura nascer. Acho que sou mãe melhor para as meninas em função das experiências vividas com ele. O bacana é que, como único homem, ele continua com status de reizinho e não tem tanto ciúme das meninas. 

Nós temos bastante contato com a mãe dele, nos encontramos em todas as atividades dele como jogos de futebol, apresentações de escola. Ajuda o fato de a separação ter sido tranqüila, ele são um ex-casal que se dá muito bem. Fico pensando que para ela, no início, não deve ter sido fácil deixar o bebê com uma desconhecida.

Acho que o maior desafio que se enfrenta é com relação a diferenças de costumes e regras entre as duas casas. É mais um desafio para ele, de convivência. Sinto a rotina de equilibrista se complicar 20 X nas novas famílias. São três crianças em duas casas diferentes, elas estudando de manhã, ele à tarde… Para se ter uma ideia, montamos uma tabela de locais e horários no Excel para o motorista que acabamos de contratar. Aumenta a complexidade e, como sempre, quem coordena e divide tudo são as mães. Rola um acerto entre a mãe do André e eu. Optamos por manter todas as atividades perto e o mesmo clube para todos. 

O interessante nessa questão de novas famílias, é que meu pai também é casado pela segunda vez e eu tenho madastra. Ou seja, tenho experiência no assunto, e isso até me aproxima do André. (Tenho uma irmãzinha de 7 anos, que é mais nova que o enteado, e regula com minhas filhas. Quando saio com os quatro, rola aquela confusão. O André e a Paola se adoram. Meu marido até brinca: só falta meu filho ter o mesmo sogro que eu!)

E apesar de minha madrasta ter entrado bem mais tarde na minha vida, uma coisa que sempre ajudou no relacionamento dela com os quatro filhos do meu pai, foi ela sempre ter respeitado o nosso “espaço exclusivo” com ele. Ou seja, mesmo que fôssemos almoçar juntos, depois do almoço ela dava uma sumida para podermos conversar sobre assuntos entre pai e filhos. Isso ajudou muito na construção da relação. E esse espaço eu procuro incentivar entre o André e o Flávio, seja nas caminhadas a dois com a cadela, uma ida ao clube sozinhos ou sair pra ir ao barbeiro.

O que eu nunca tive com a minha madrasta foi intimidade, talvez porque eu já tinha 15 anos na época. E é exatamente essa a minha prioridade com o André: desenvolver uma relação de intimidade, confiança e cumplicidade. Ele tem pai e mãe ótimos e muito presentes na sua vida, então eu quero ser uma amiga, aquela com quem dá pra falar coisas que a gente tem vergonha de falar para os pais.”

Patrícia De Luca Pereira Lima é administradora de empresas, mãe de Laura (5 anos) e Carolina (2 anos) e madrasta de André (10 anos). Veja os três na foto com Paola, de 7 anos, meia-irmã de Patrícia.