Confiança é tudo

[Maggi Krause]

Mesmo depois do segundo filho, minha vida profissional continuou cada vez mais animada, pois não sou do tipo que desiste de investir na carreira ou de adquirir novos conhecimentos – é isso, afinal, que dá molho à vida de uma jornalista.

Por isso, não recuei nem por um instante quando soube que pintara um convite para cobrir uma feira de tecidos em Frankfurt, na Alemanha (em janeiro de 2006). Além da chance ótima para exercitar a língua alemã, coisa rara na minha trajetória de editora, ainda aproveitaria para rever alguns amigos.

Minha última viagem internacional a trabalho tinha acontecido em 2000, bem antes de o Tiago nascer. Agora ele tinha quase 4 anos e o André, apenas 1 aninho. E o pior, a feira aconteceria no início de janeiro, quando meus pais – e principais apoios – costumam estar de férias no Sul. Bem, o que fazer? Os meninos estavam na mesma escola em período integral, meu marido sabia de todas as rotinas, mas precisaria de uma mãozinha feminina. Pensamos logo em requisitar a ajuda da minha sogra, que dormiria lá em casa por uma semana.

Mãe de quatro filhos homens, Marieta tem bem mais experiência do que eu. E, o mais importante: confio nela cegamente. Acho que confiança é o ingrediente essencial para sair em viagem sem se desesperar. Confiar nos outros, confiar em Deus, confiar que tudo vai dar certo…

Deixei uma providencial lista detalhando a rotina do pequeno e todos os telefones úteis (escola, pediatra). Pregada no interior da porta do armário dele, outra lista explicava tudo o que deveria ir na mala da escola. Minha sogra dormiu na minha cama com meu marido (filho dela, claro) e a gente se falava todas as noites. Ela, muito animada e curtindo a valer, sempre disposta a nos ajudar.

Rezei dobrado durante a viagem, pois a distância sempre deixa a gente mais apreensiva; levei um CD recheado de fotos dos filhos para mostrar e curti o máximo que pude. Reencontrei uma velha amiga, tomei muitas caipirinhas na casa de meus anfitriões alemães e dormi até as 9h da manhã, coisas que os meninos nunca permitiam! Mas na primeira noite de feira, depois de uns copos de vinho do jantar de abertura para imprensa, eu já despejava a saudade sobre o colega Marcelo Lima, um renomado jornalista da área de design e decoração. Contava em detalhes a personalidade de um e de outro filho e ele, além de ouvir atentamente, arriscou uma análise psicológica sobre o perfil dos dois!

Naquela noite, depois de me certificar por telefone de que estava tudo bem lá em casa, tentei pregar o olho no quarto de hotel em Frankfurt. Finalmente, com olhar agora distanciado da rotina diária, caiu a última ficha: minha capacidade profissional era a mesma, mas ter filhos adicionava todo um universo de sentimentos(naquela madrugada, a saudade apertava o coração). Ali, do outro lado do mundo, me dei conta de que ter uma família deixa a vida muito mais intensa do que eu esperava!