Desequilíbrio possível

[Ruben Zonenschein]

A equação simplesmente não fecha. Não tem como dar conta de tudo. Filhos, o casal, a casa e tudo que envolve, se forem levados muito a sério, desembocam numa vida de equilibrista, cheia de tropeços e falhas. Tem momentos que é no trabalho que ficamos devendo, outras vezes é em casa, com um dos filhos ou entre o casal. O melhor, então, é simplesmente relaxar. Não se cobrar tanto, tentar preecher com bom humor e carinho o que as horas do dia não dão conta.

Eu e a Simone nunca estabelecemos uma divisão definida de tarefas. Sempre tentamos nos ajudar quando o outro está mais atarefado no trabalho. Às vezes, claro, um acaba se queixando que a semana está meio desequilibrada… Mas esse acerto de contas nunca foi zerado. Se bem que… acho que meu saldo está positivo. Tenho que repensar sobre isso.

A mágica está em não deixar a situação chegar ao ponto de me sentir um equilibrista. Já tentei fazer natação no mesmo horário deles (não deu certo, mas vai dar), ou vou na ioga no intervalo de pegar e levar um para as inúmeras aulas. O teatro do Tom, à noite, ficou encaixado no meio do meu grupo de coral (e ele fica pacientemente me esperando ouvindo os desafinados).

Mas posso repartir aqui as minhas idéias para recompor a equação:colocar um anúncio de vaga para motorista para o período da manhã e deixar claro para qualquer engraçadinho que oferecer um cachorro para meus filhos que a resposta é NÃO. Afinal, adivinha quem vai ter que passear com ele?

Ruben  Zonenschein é economista, pai de Tom e Paulo e marido de Simone, que escreve no blog esta semana.

Convivência para sempre

[Simone Raitzik]

Acho que fora o momento da gravidez e da amamentação, quando a sobrevivência dos meus dois pequenos rebentos – Tom tem 10 e Paulo, 6 – dependiam exclusivamente de mim, todo o resto dessa nossa intensa jornada enquanto família foi compartilhada com o Ruben, meu companheiro há mais de 20 anos e pai da prole.

E quando digo tudo, é tudo mesmo. Lembro que naquelas inúmeras noites insones, quando eu dava de mamar de 3 em 3h, era ele quem depois deixava o Tom na posição vertical, no colo, por 20 min (ele tinha muito refluxo) e trocava a fralda encharcada com o maior cuidado. Sem reclamar, meio cambaleante, quase como que me dizendo que nós fazíamos uma dupla, em todos os sentidos.

Ambos trabalhávamos direto “fora de casa também”: eu, jornalista em redação, ele, economista, em fase de doutorado. Horários malucos, correria e muito estresse. Mas essa rotina de compartilhar todos os momentos – os bons, os cansativos, os difíceis… – das crianças viraram uma forma de convivência associada a prazer, uma pausa em meio ao turbilhão. A escolha da primeira escola veio depois de muitas visitas espremidas na hora do almoço do trabalho. As idas ao pediatra, para acompanhar o crescimento, dar vacinas, nunca foram uma obrigação. Sempre um dos dois dava um jeitinho de incluir a consulta na agenda. Aos poucos, fomos reorganizando nossas vidas para ter escritórios próximos de casa, viramos profissionais autônomos, cada um na sua área. Boa ou ruim, essa opção nos deu mais liberdade para estar com os filhos.

Hoje, eles são daquelas crianças ocupadas: natação, inglês, futebol, tênis, uma loucura diferente a cada manhã. Nem sempre é fácil decidir quem leva, traz… O Ruben é mais disponível, porque seu dia é mais flexível. Mas quando eu não faço parte dessa ritual de idas e vindas, sinto que estou perdendo. Sim, porque é no trajeto da aula de inglês, na volta da escola, na caminhada para o tênis, que tecemos, com essas criaturinhas tão incríveis e ricas, laços que vão além de obrigações. A gente passa a se conhecer, conversar sobre um livro, lembrar de uma viagem, repartir uma piada, ouvir uma música no carro.

Enfim, deixamos de ser apenas pais para virar amigos. E isso fica para sempre, independentemente da idade, dia, mês e ano de nossas existências.

Simone Raitzik é jornalista carioca. Veja o texto do Ruben, seu marido, em um dos próximos posts.

Um brinde à parceria

[Maggi Krause e Mauricio Vilhena]

A tarefa era a seguinte: as equilibristas editoras deste site bolaram um questionário que deveria ser respondido em separado e em sigilo por cada um dos parceiros dessa jornada diária entre trabalho, filhos, casa e relacionamento. Cada um cumpriu sua missão e enviou ao outro as respostas por e-mail, para só depois discutir o assunto. Seria uma oportunidade para Maggi e Mauricio perceberem alguma divergência ou colocarem a limpo os pratinhos. Não precisou: as respostas falaram por si mesmas.

1 – Como é sua rotina (de trabalho, em relação à organização da casa, à agenda dos filhos, às atividades conjuntas de casal)?

Maggi: De manhã, nos dividimos para levar as crianças à escola, mas como o Mauricio está em Curitiba 3 vezes por semana, está sobrando mais pra mim.  A nova vida de home office permite me envolver mais quando eles chegam em casa, vão à natação ou, de vez em quando, recebem amigos na sexta-feira à tarde. Nossas atividades conjuntas acontecem principalmente nos finais de semana, e as do casal sozinho dependem de deixarmos os meninos com os avós, o que é bem tranqüilo. Acho que a rotina está bem balanceada e um ajuda o outro no que pode.

Mauricio: Quando estou em São Paulo levo os meninos para a escola, ajudo com banho e comida… Nos finais de semana sou eu quem levanto cedo para ajudar-los com comida e diversão, faço as compras de supermercado e padaria uma vez que acho isto mais interessante do que ela (para mim é trabalho mas diversão ao mesmo tempo, desde que seja agendado… tipo tem que fazer até o final da semana, odeio quando ligam pedindo para fazer naquele momento…). O peso ainda é maior para a minha mulher, considero que ajudo em 45% com os filhos e uns 35% na casa…

2 – Como é feita a divisão de tarefas? Levou tempo para chegar a esse arranjo ou acordo? Entre os dois, a combinação foi fácil, difícil, discutida, planejada?

Maggi: A divisão agora mudou um pouco em função do trabalho dele em Curitiba, mas acontece quase naturalmente. Quando preciso fazer uma entrevista no final da tarde, ele busca as crianças, dá banho, jantar, enfim, resolve tudo. Nos dias em que não está em Curitiba consegue ajudar mais por não ter horário fechado e também trabalhar em casa.  Em contrapartida, estou mais disponível para as crianças e com salário menor que o anterior, o que acaba sobrecarregando o Mauricio nesta parte financeira do casal… 

Mauricio: Em consenso… acho que foi rápido e natural. Sempre que achamos que a divisão está ruim para alguma das partes, renegociamos, reclamamos e nos entendemos.

3 – Quem é o mais equilibrista? Se você também perguntasse isso a seus filhos, quem acha que eles apontariam?

Maggi: Acho que eles ficariam perdidos com a pergunta, até por serem muito pequenos. Ambos passamos a imagem de que os dois se ajudam e podem fazer todas as tarefas, o Mauricio sempre se envolveu em todas as rotinas (fralda, comida, banho, brincadeira, bronca…)

Mauricio: Acho que os dois, mas com certeza ela é mais e eles deveriam apontá-la.

4 – Quais as vantagens e desvantagens de um casal equilibrista? Vale a pena a divisa de tarefas e a cooperação? Por quê?

Maggi: Acho que vale muito a pena principalmente pela imagem de pais que queremos passar para os nossos filhos. Eles são meninos e acho que o desafio é criar a nova geração para aceitar como natural esse balanceamento das funções. Quero que eles cresçam já com o objetivo de oferecer ajuda e dividindo igualmente e não que esperem alguém pedir. A palavra ajuda, no meu ver, deve ser substituída por “divisão igualitária de responsabilidades e de tarefas”.

Mauricio: A vantagem é a cumplicidade com a mulher e com a família. Isso  aproxima, gera mais alegrias e também momentos de estresse. Mas não imagino fazer de outra maneira. Sou de uma família de 4 filhos homens onde à noite, quando não tínhamos empregada, o meu pai lavava a louça… Fomos criados para meter a mão na massa em tudo. Não gosto que façam o meu prato de comida e muito menos que arrumem meu armário ou minha mala de viagem.

5 – Dê sua dica para outros casais equilibristas.

Maggi: Sinto que fica menos pesado se cada um se dedica ao que mais gosta… Se ele curte fazer compras, deixe fazer. Percebo em muitos casais que a mulher não quer perder a posição de poder na casa, ela é centralizadora e gosta de cuidar de tudo. Não ter talento para dona-de-casa (como no meu caso) às vezes ajuda, faz com que o marido assuma responsabilidades de que elas não costumam abrir mão. É preciso mais flexibilidade e menos perfeccionismo – mas acho que isso vale para tudo na vida, né?

Mauricio: Conversar e setar as expectativas é fundamental. Mulheres e homens não reagem da mesma maneira em praticamente tudo! Se você não deixar claro qual a expectativa, ambos vão se frustar. As mulheres devem deixar mais claro o querem. E os homens devem prestar mais atenção nos sinais indiretos que elas dão quando não estão satisfeitas… 

Maggi Krause é jornalista free-lancer e Mauricio de Vilhena, gerente de marketing. Ambos se alternam nos cuidados com Tiago (6 anos) e André (3 anos).

Nada de “Job description”

[Cecília e Jaime Troiano]

A tarefa era a seguinte: as equilibristas editoras deste site bolaram um questionário que deveria ser respondido em separado e em sigilo por cada um dos parceiros da jornada diária entre trabalho, filhos, casa e relacionamento. Cumprida a missão, surpresa: ao serem colocadas lado a lado, as respostas de Cecília e Jaime Troiano não diferem tanto assim e levam às mesmas conclusões. Prova de que os dois, além de equilibristas, são afinados! 

1 – Como é sua rotina (de trabalho, em relação à organização da casa, à agenda dos filhos, às atividades conjuntas de casal)?

Cecília: Levantamos bem cedo, todos os dias às 5:30h. Cada um leva um dos filhos à escola (eles estudam em escolas diferentes). Depois, em alguns dias pela manhã faço musculação, em outros corro e em outros vou mais cedo para o escritório. Nos dias em que posso, pego os filhos na escola. Invariavelmente, umas ou duas vezes por semana dou aquela passada básica no supermercado. Normalmente chego em casa à noite, para ajudar em alguma lição pendente. Jantamos sempre os 4 juntos, por volta das 20hs. É a hora de conversarmos um pouco. Dormimos todos bem cedo. Isso é o básico, mas na verdade tem mais exceções do que regras rígidas.

Jaime: Complexa e cansativa. Acordo às 5:30 hs de segunda a sexta. Sábados e domingos ao redor das 7:30 hs. Gosto de algumas coisas na arrumação da casa: em especial, arrumar a cozinha e lavar louça. Embora a Cecília seja a gerente plena da casa e da agenda dos filhos, eu não sou um encostado. Levo minha filha à escola duas vezes por semana, o meu filho uma ou duas também, ajudo nas dúvidas de algumas matérias. O tempo que sobra é para o casal. Não tem sobrado muito não. Mas quando sobra é muito bom.

2 – Como é feita a divisão de tarefas? Levou tempo para chegar a esse arranjo ou acordo? Entre os dois, a combinação foi fácil, difícil, discutida, planejada?

Cecília: A divisão é feita quase todo dia. Não é tão rígida. Vemos qual dos dois pode ajudar mais naquele dia e aí definimos quem faz o quê. Acho que gostamos de estar com os filhos e fazemos o máximo possível para estar com eles mais vezes. Aliás, tem dia que sai até “briga” para ver quem leva, pois os dois querem ficar perto dos filhos. Uma tarefa é certa: meu marido adora lavar louça e arrumar a cozinha. Nos fins de semana ou se não temos empregada, ele é quem opera essa área. Outra divisão certa: lições de matemática, química e física são com o Jaime!

Jaime: Acho que já dei um pitaco na resposta anterior. Esse acordo/arranjo foi se estruturando gradualmente. Sinto que faço muito mais hoje do que fazia quando os filhos eram menores. Pelo menos, é o que sinto. Não houve um planejamento formal para que as coisas acontecessem assim.

3 – Quem é o mais equilibrista? Se você também perguntasse isso a seus filhos, quem acha que eles apontariam?

Cecília: Acho que sou eu e creio que as crianças também diriam isso. Como cuido mais da casa deve dar essa impressão para eles.

Jaime: Perguntinha desnecessária! É lógico que é a Cecília. Digamos que ela consegue equilibrar 10 pratinhos. Usando esse número 10  como referência, eu diria que sou 3, no máximo. Quando ela viaja, fica claro como sou pouco hábil nessa arte do equilíbrio. Se eu perguntasse aos garotos, eles não dariam esse placar: 10 X 3. É mais provável que dessem algo como 10 X 1. Não me sinto mal com isso. Acho que já fui muito pior como equilibrista.

4 – Quais as vantagens e desvantagens de um casal equilibrista? Vale a pena a divisão de tarefas e a cooperação? Por quê?

Cecília: Sem dúvida, a combinação de esforços do marido e esposa é muito benéfica para todos. Só vejo vantagens de ambos serem equilibristas, para nossas vidas e também para as de nossos filhos. Não imagino uma vida diferente para nós e nem acho que nossos filhos gostariam.

Jaime: É lógico que vale a pena. Principalmente, quando essa armação é fruto de um encontro ou de um entendimento natural. Nada de traçar “job descriptions” para cada um. A coisa precisa fluir naturalmente. Mesmo em residências onde só há um equilibrista, normalmente a mulher, muitas vezes as coisas funcionam harmonicamente. Não se sei a tendência a ter dois equilibristas é a receita da felicidade geral. Talvez sim para alguns casais. Mas não pra todos.

5 – Dê sua dica para outros casais equilibristas. 

Cecília: Conversar bastante e dividir tarefas. Não dá para fazer tudo sozinha, uma hora estoura.

Jaime: A dica é a seguinte: não jogue pra torcida. Equilibre somente os pratinhos de que você realmente gosta e sabe manter. E para homens, a mensagem é: trate sua equilibrista como sua namorada!

Cecília e Jaime Troiano, além de dividir responsabilidades em casa, também fazem isso na empresa, a Troiano Consultoria de Marca.

Nada de ‘job description’

[Cecília e Jaime]

A tarefa era a seguinte: as equilibristas editoras deste site bolaram um questionário que deveria ser respondido em separado e em sigilo por cada um dos parceiros da jornada diária entre trabalho, filhos, casa e relacionamento. Cumprida a missão, surpresa: ao serem colocadas lado a lado, as respostas de Cecília e Jaime Troiano não diferem tanto assim e levam às mesmas conclusões. Prova de que os dois, além de equilibristas, são afinados!

1 – Como é sua rotina (de trabalho, em relação à organização da casa, à agenda dos filhos, às atividades conjuntas de casal)?

Cecília: Levantamos bem cedo, todos os dias às 5:30h. Cada um leva um dos filhos à escola (eles estudam em escolas diferentes). Depois, em alguns dias pela manhã faço musculação, em outros corro e em outros vou mais cedo para o escritório. Nos dias em que posso, pego os filhos na escola. Invariavelmente, umas ou duas vezes por semana dou aquela passada básica no supermercado. Normalmente chego em casa à noite, para ajudar em alguma lição pendente. Jantamos sempre os 4 juntos, por volta das 20hs. É a hora de conversarmos um pouco. Dormimos todos bem cedo. Isso é o básico, mas na verdade tem mais exceções do que regras rígidas.

Jaime: Complexa e cansativa. Acordo às 5:30 hs de segunda a sexta. Sábados e domingos ao redor das 7:30 hs. Gosto de algumas coisas na arrumação da casa: em especial, arrumar a cozinha e lavar louça. Embora a Cecília seja a gerente plena da casa e da agenda dos filhos, eu não sou um encostado. Levo minha filha à escola duas vezes por semana, o meu filho uma ou duas também, ajudo nas dúvidas de algumas matérias. O tempo que sobra é para o casal. Não tem sobrado muito não. Mas quando sobra é muito bom.

2 – Como é feita a divisão de tarefas? Levou tempo para chegar a esse arranjo ou acordo? Entre os dois, a combinação foi fácil, difícil, discutida, planejada?

Cecília: A divisão é feita quase todo dia. Não é tão rígida. Vemos qual dos dois pode ajudar mais naquele dia e aí definimos quem faz o quê. Acho que gostamos de estar com os filhos e fazemos o máximo possível para estar com eles mais vezes. Aliás, tem dia que sai até “briga” para ver quem leva, pois os dois querem ficar perto dos filhos. Uma tarefa é certa: meu marido adora lavar louça e arrumar a cozinha. Nos fins de semana ou se não temos empregada, ele é quem opera essa área. Outra divisão certa: lições de matemática, química e física são com o Jaime!

Jaime: Acho que já dei um pitaco na resposta anterior. Esse acordo/arranjo foi se estruturando gradualmente. Sinto que faço muito mais hoje do que fazia quando os filhos eram menores. Pelo menos, é o que sinto. Não houve um planejamento formal para que as coisas acontecessem assim.

3 – Quem é o mais equilibrista? Se você também perguntasse isso a seus filhos, quem acha que eles apontariam?

Cecília: Acho que sou eu e creio que as crianças também diriam isso. Como cuido mais da casa deve dar essa impressão para eles.

Jaime: Perguntinha desnecessária! É lógico que é a Cecília. Digamos que ela consegue equilibrar 10 pratinhos. Usando esse número 10 como referência, eu diria que sou 3, no máximo. Quando ela viaja, fica claro como sou pouco hábil nessa arte do equilíbrio. Se eu perguntasse aos garotos, eles não dariam esse placar: 10 X 3. É mais provável que dessem algo como 10 X 1. Não me sinto mal com isso. Acho que já fui muito pior como equilibrista.

4 – Quais as vantagens e desvantagens de um casal equilibrista? Vale a pena a divisão de tarefas e a cooperação? Por quê?

Cecília: Sem dúvida, a combinação de esforços do marido e esposa é muito benéfica para todos. Só vejo vantagens de ambos serem equilibristas, para nossas vidas e também para as de nossos filhos. Não imagino uma vida diferente para nós e nem acho que nossos filhos gostariam.

Jaime: É lógico que vale a pena. Principalmente, quando essa armação é fruto de um encontro ou de um entendimento natural. Nada de traçar “job descriptions” para cada um. A coisa precisa fluir naturalmente. Mesmo em residências onde só há um equilibrista, normalmente a mulher, muitas vezes as coisas funcionam harmonicamente. Não se sei a tendência a ter dois equilibristas é a receita da felicidade geral. Talvez sim para alguns casais. Mas não pra todos.

5 – Dê sua dica para outros casais equilibristas.

Cecília: Conversar bastante e dividir tarefas. Não dá para fazer tudo sozinha, uma hora estoura.

Jaime: A dica é a seguinte: não jogue pra torcida. Equilibre somente os pratinhos de que você realmente gosta e sabe manter. E para homens, a mensagem é: trate sua equilibrista como sua namorada!

Cecília e Jaime Troiano, além de dividir responsabilidades em casa, também fazem isso na empresa, a Troiano Consultoria de Marca.

Cooperação e harmonia

[Sandra e Pedro]

A tarefa era a seguinte: as equilibristas editoras deste site bolaram um questionário que deveria ser respondido em separado e em sigilo por cada um dos parceiros dessa jornada diária entre trabalho, filhos, casa e relacionamento. As respostas mostram que a rotina de Sandra e Pedro é de muito trabalho fora de casa, mas também de tarefas partilhadas, principalmente no final de semana.

1 – Como é sua rotina (de trabalho, em relação à organização da casa, à agenda dos filhos, às atividades conjuntas de casal)?

Sandra: Saio de casa às 07:15 hs, deixo as crianças na escola, vou direto para o trabalho, e retorno para casa às 21:00 hs. Toda a organização da casa e a agenda das crianças administro por telefone em conjunto com duas pessoas que trabalham em casa. Dividimos as reuniões de escola e algumas tarefas mais trabalhosas como supermercado bimestral. O acompanhamento de escola (lição de casa) das crianças fazemos juntos no final de semana.

Pedro: Trabalho em São Paulo (Vila Olímpia) e viajo diariamente para o escritório. São mais de 100 Km todos os dias, incluindo visitas a clientes. Saio de casa geralmente por volta das 7h20, duas vezes por semana levo meus filhos para o colégio. O trânsito me rouba umas 2h30 do tempo diariamente. Trabalho até as 20h e geralmente volto direto para casa quando não tenho algum jantar ou happy-hour. Geralmente às sextas-feiras vamos ao cinema (eu e esposa) e jantamos. Procuro participar de atividades das reuniões do colégio, mas poucas vezes consigo chegar a tempo. Nos finais de semana curtimos nossa casa com os filhos e apoiamos as agendas deles, levando-os aos aniversários e festas. Geralmente abrimos nossa casa para receber parentes e amigos para churrascos, encontros e festas.

2 – Como é feita a divisão de tarefas? Levou tempo para chegar a esse arranjo ou acordo? Entre os dois, a combinação foi fácil, difícil, discutida, planejada?

Sandra: As tarefas fora do trabalho são normalmente de minha responsabilidade para que não tenha maiores discussões, portanto acho que a combinação é difícil, normalmente tento planejar para encaixar da melhor maneira na agenda dos dois.

Pedro: A Sandra administra nossa casa. Responsável pelo RH dos colaboradores (rs) e compras do dia-a-dia, apesar de que eu ajudo na compra mensal, mais pesada. Ela acompanha as atividades das crianças  mais de perto. Eu sou responsável pela manutenção da casa. Muitas vezes me divirto aos finais de semana trocando lâmpadas, arrumando varal e coisas quebradas. Esse acordo de tarefas buscou acompanhar as afinidades de cada um. Não tivemos problemas para implantá-lo.

3 – Quem é o mais equilibrista? Se você também perguntasse isso a seus filhos, quem acha que eles apontariam?

Sandra: Eu acho que sou a mais equilibrista, mas não saberia dizer se os meus filhos teriam esta percepção.

Pedro: Certamente a Sandra.

4 – Quais as vantagens e desvantagens de um casal equilibrista? Vale a pena a divisão de tarefas e a cooperação? Por quê?

Sandra: Ter o casal trabalhando fora de casa aumenta a renda familiar, possibilita melhora no padrão de vida, desde necessidades pessoais até educação dos filhos. Porém, a mulher ainda é a maior responsável pelas tarefas de casa. Acho imprescindível a cooperação até para que possamos ter um “equilíbrio” na vida pessoal.

Pedro: A vida de casais modernos requer muita cooperação, uma vez que o casal trabalha, tem carreira profissional, tem que cuidar dos filhos e administrar a casa. Vejo somente vantagens, pois podemos dividir as experiências pessoais e profissionais e não concentrar a responsabilidade em somente uma pessoa.

5 – Dê sua dica para outros casais equilibristas. 

Sandra: A harmonia do casal tem que ser a prioridade. Com isso temos que entender um ao outro, respeitar a liberdade de cada um e compartilhar sempre os assuntos que estão incomodando.

Pedro: Se pudesse dar uma dica eu diria que sempre devemos lembrar de cuidar da saúde amorosa do casal, nunca esquecendo que a rotina e o dia-a-dia pode comprometer a estrutura do casal e desequilibrar os pratinhos, levando-os à queda.

Sandra, executiva em um banco, e Pedro,  empresário, são pais de um casal de filhos.

Um brinde à parceria

[Maggi e Mauricio]

A tarefa era a seguinte: as equilibristas editoras deste site bolaram um questionário que deveria ser respondido em separado e em sigilo por cada um dos parceiros dessa jornada diária entre trabalho, filhos, casa e relacionamento. Cada um cumpriu sua missão e enviou ao outro as respostas por e-mail, para só depois discutir o assunto. Seria uma oportunidade para Maggi e Mauricio perceberem alguma divergência ou colocarem a limpo os pratinhos. Não precisou: as respostas falaram por si mesmas.

1 – Como é sua rotina (de trabalho, em relação à organização da casa, à agenda dos filhos, às atividades conjuntas de casal)?

Maggi: De manhã, nos dividimos para levar as crianças à escola, mas como o Mauricio está em Curitiba 3 vezes por semana, está sobrando mais pra mim. A nova vida de home office permite me envolver mais quando eles chegam em casa, vão à natação ou, de vez em quando, recebem amigos na sexta-feira à tarde. Nossas atividades conjuntas acontecem principalmente nos finais de semana, e as do casal sozinho dependem de deixarmos os meninos com os avós, o que é bem tranqüilo. Acho que a rotina está bem balanceada e um ajuda o outro no que pode.

Mauricio: Quando estou em São Paulo levo os meninos para a escola, ajudo com banho e comida… Nos finais de semana sou eu quem levanto cedo para ajudar-los com comida e diversão, faço as compras de supermercado e padaria uma vez que acho isto mais interessante do que ela (para mim é trabalho mas diversão ao mesmo tempo, desde que seja agendado… tipo tem que fazer até o final da semana, odeio quando ligam pedindo para fazer naquele momento…). O peso ainda é maior para a minha mulher, considero que ajudo em 45% com os filhos e uns 35% na casa…

2 – Como é feita a divisão de tarefas? Levou tempo para chegar a esse arranjo ou acordo? Entre os dois, a combinação foi fácil, difícil, discutida, planejada?

Maggi: A divisão agora mudou um pouco em função do trabalho dele em Curitiba, mas acontece quase naturalmente. Quando preciso fazer uma entrevista no final da tarde, ele busca as crianças, dá banho, jantar, enfim, resolve tudo. Nos dias em que não está em Curitiba consegue ajudar mais por não ter horário fechado e também trabalhar em casa. Em contrapartida, estou mais disponível para as crianças e com salário menor que o anterior, o que acaba sobrecarregando o Mauricio nesta parte financeira do casal…

Mauricio: Em consenso… acho que foi rápido e natural. Sempre que achamos que a divisão está ruim para alguma das partes, renegociamos, reclamamos e nos entendemos.

3 – Quem é o mais equilibrista? Se você também perguntasse isso a seus filhos, quem acha que eles apontariam?

Maggi: Acho que eles ficariam perdidos com a pergunta, até por serem muito pequenos. Ambos passamos a imagem de que os dois se ajudam e podem fazer todas as tarefas, o Mauricio sempre se envolveu em todas as rotinas (fralda, comida, banho, brincadeira, bronca…)

Mauricio: Acho que os dois, mas com certeza ela é mais e eles deveriam apontá-la.

4 – Quais as vantagens e desvantagens de um casal equilibrista? Vale a pena a divisa de tarefas e a cooperação? Por quê?

Maggi: Acho que vale muito a pena principalmente pela imagem de pais que queremos passar para os nossos filhos. Eles são meninos e acho que o desafio é criar a nova geração para aceitar como natural esse balanceamento das funções. Quero que eles cresçam já com o objetivo de oferecer ajuda e dividindo igualmente e não que esperem alguém pedir. A palavra ajuda, no meu ver, deve ser substituída por “divisão igualitária de responsabilidades e de tarefas”.

Mauricio: A vantagem é a cumplicidade com a mulher e com a família. Isso aproxima, gera mais alegrias e também momentos de estresse. Mas não imagino fazer de outra maneira. Sou de uma família de 4 filhos homens onde à noite, quando não tínhamos empregada, o meu pai lavava a louça… Fomos criados para meter a mão na massa em tudo. Não gosto que façam o meu prato de comida e muito menos que arrumem meu armário ou minha mala de viagem.

5 – Dê sua dica para outros casais equilibristas.

Maggi: Sinto que fica menos pesado se cada um se dedica ao que mais gosta… Se ele curte fazer compras, deixe fazer. Percebo em muitos casais que a mulher não quer perder a posição de poder na casa, ela é centralizadora e gosta de cuidar de tudo. Não ter talento para dona-de-casa (como no meu caso) às vezes ajuda, faz com que o marido assuma responsabilidades de que elas não costumam abrir mão. É preciso mais flexibilidade e menos perfeccionismo – mas acho que isso vale para tudo na vida, né?

Mauricio: Conversar e setar as expectativas é fundamental. Mulheres e homens não reagem da mesma maneira em praticamente tudo! Se você não deixar claro qual a expectativa, ambos vão se frustar. As mulheres devem deixar mais claro o querem. E os homens devem prestar mais atenção nos sinais indiretos que elas dão quando não estão satisfeitas…

Maggi Krause é jornalista free-lancer e Mauricio de Vilhena, gerente de marketing. Ambos se alternam nos cuidados com Tiago (6 anos) e André (3 anos).