A tempo de transformar-se

[Ana Dini]

Ainda que a mulher esteja ocupando dia-a-dia funções que antes eram apenas dos homens e assumindo responsabilidades masculinas, nos contos de fadas lidos em casa e nas escolas ainda é a princesa adormecida que espera o príncipe.

Talvez esperar não combine em nada com a mulher moderna. Afinal, sempre vamos em busca de tudo quanto queremos. Corremos o dia todo para dar conta do que nos responsabilizamos e olha, sabemos, não é pouco!

Após conquistar muito, um sonho ainda insiste em nós: o sonho de gerar. Hoje em dia, depois de ter a vida ganha ou da realização profissional é que buscamos a maternidade. Dispostas a ela, teremos que conviver com nove meses de espera recheados de boas expectativas para o início de uma nova vida. Não falo apenas da que está sendo gerada, mas, principalmente, da vida da mulher que se tornará mãe.

O tempo de gerar, tão transformador, é silencioso e não nos damos conta de tudo que está acontecendo, afinal continuamos correndo, preparando, cuidando, deixando a casa e o trabalho em dia, para a qualquer momento sairmos de cena.

O nascimento da criança traz consigo a possibilidade da licença-maternidade. Para aquelas mulheres que a tem como direito ela é um marco, um tempo, um dos poucos a que temos. Nesse tempo, nos transformamos, com a urgência do choro, com as noites lentas e intermináveis, com as cólicas e com a falta de possibilidade de se ver no espelho, em mães.

À medida que o tempo da licença transcorre vamos nos voltando para nós mesmas. O barulho externo é gigantesco e até mesmo amedrontador e exige de nós um silêncio interno tão difícil de ser conquistado. Nessa hora é imprescindível voltar aos contos de fadas para descobrir que tudo pode ter um final feliz. É preciso cautela, é necessário que aceitemos e vivamos com atenção, mudanças estão ocorrendo, perdemos o nosso chão e teremos quatro meses para voltar a ser quem éramos.

A realidade, porém, nos mostrará que a licença-maternidade é um marco, um rito de passagem e que a partir dela não mais seremos nós mesmas, continuaremos a ser mulheres, mas ampliadas. “A medida de um ser é a responsabilidade que esse ser assume” a nossa aumentou, agora somos mães.

Ana Dini é educadora, formada pela USP-SP, especialista em Educação Infantil. Há 18 anos atende crianças e pais em escolas de grande porte. Ministra o workshop “Como falar para o seu filho ouvir”. Contato: anapdini@hotmail.com

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