Mamãe corre por fora

[Claudia Chequer]

Desde menina, sempre sonhei ser mãe. Tanto que, durante a escola, pensei em exercer a pediatria, mas uma amiga minha – filha de médica – vivia reclamando que ficava muito na casa da avó… por isso desisti da idéia.

Resolvi fazer magistério no segundo grau por ser uma carreira que permitia ficar mais com os filhos. Cursar a faculdade de pedagogia e logo consegui uma colocação como professora de educação infantil e de 1ª a 3ª série em uma escola particular na Vila Mariana. Trabalhei lá durante 16 anos.

A escola dava o direito de estender a licença-maternidade com meses extras não remunerados para quem tinha mais de 5 anos de casa. Minha chefe era uma supermãe e me apoiou muito nessa hora: fiquei em casa 1 ano e meio depois que o Matheus nasceu e 8 meses quando veio o Gabriel. Praticamente o Matheus foi comigo para o trabalho, entrando na turma do mini-maternal.

A parte boa é que os meninos iam e voltavam comigo da escola. Mas o equilibrismo era ter de preparar as aulas em casa, geralmente à noite, quando o Gabriel dormia. Minha mãe sempre foi um super apoio, ficando em casa quando eu ia a reuniões ou cursos à noite ou no final de semana. Hoje eu sinto muita falta da rotina de trabalho, das reuniões, de cursos, do lado social que você acaba deixando quando está em casa. Sinto falta do trabalho mesmo, pois sempre trabalhei, desde os 17 anos.

Essa parada que dei, há quase três anos, foi em função do Matheus (filho mais velho) que é apaixonado por kart e tem o objetivo de seguir carreira no esporte. Os treinos são puxados, de 14h às 17h, em lugares afastados como Aldeia da Serra e Granja Vianna (no início eram em Interlagos, pertinho de casa!).

É quase uma profissão, você acompanha os treinos, faz cronometragem, mantém a aparelhagem, além de levar para os campeonatos, que muitas vezes ocorrem fora de São Paulo. Este ano já fomos para Londrina, Florianópolis e Farroupilha e vamos para Goiânia. Em 2007, ele foi vice-campeão brasileiro de kart e conseguiu mais patrocínio (o esporte exige investimentos altos). É um sonho dele e por isso a gente está ajudando e incentivando.

Não voltei a dar aulas também pela distância entre casa e a escola – de Interlagos para a Vila Mariana e depois para os treinos ficaria inviável neste trânsito paulista. Mas a proposta era que eu ficasse 1 ano afastada da profissão e hoje já estou há quase 3. Acho que durante este período as coisas estão mais tranqüilas do que quando eu era professora na mesma escola dos meninos. Sabia de tudo o que se passava na classe, por isso a cobrança era muito grande em cima deles. Hoje estudam a 5 minutos de casa e ganharam mais autonomia, além de eu estar mais disponível para os dois.

Meu marido me apóia, afinal tirei esse tempo a pedido dele, mas também fala que eu preciso voltar, sabe que eu sinto falta do trabalho. Assim que decidi sair, algumas amigas da escola me tacharam de louca, como eu iria sair desse jeito, depois de tantos anos? Acabei pedindo as contas e saí sem os benefícios de uma rescisão. Mas minha mãe, que acompanhava minha rotina corrida, achou bom.

Agora decidi fazer um curso preparatório para auditor fiscal. Trabalhei muitos anos com educação e estou meio desiludida com a área. Auditor tem horários flexíveis e trabalha 6 horas diárias (de segunda a sexta-feira), ideal para a realidade de mãe. No ano que vem o Matheus vai completar 12 anos e aí pode ficar só aos cuidados do treinador. Estou estudando todas as noites, se eu passar no concurso ano que vem, em 2010 já engreno uma nova carreira…

Claudia Chequer, professora paulista, é mãe de Matheus (11) e Gabriel (7)

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